Quando o ano letivo acabou, voltei ao meu apartamento que dividia com Jo. Minhas férias depois que as aulas daquele ano acabaram foram bem diferentes do que eu tinha planejado ou imaginado.
Primeiro, ao invés de passar as noites assistindo ao melhor filme que estivesse passando no momento, ou estudando matérias que já tinha visto em sala de aula, eu ia aos shows do Smile, fossem eles perto ou longe de casa. Era cômodo ir a todos os shows, já que os meninos sempre vinham nos buscar.
Segundo, eu e Brian, e Jo e Roger nos víamos praticamente todos os dias. O que foi bom para os nossos amigos, que finalmente pareciam ter se acertado no seu relacionamento, já que as crises de Joanne tinham sumido. Eles só continuavam grudentos, o que agora eu entendia um pouco melhor. Mas eu e Brian tínhamos a mesma vergonha de demonstrar afeto demais em público, o que não significava necessariamente que não éramos unidos.
Fora dos shows, nossos encontros se resumiam a observar as estrelas, eu cheguei até a aprender o básico sobre galáxias, nebulosas e constelações, coisas que eu não sabia. Outra coisa que amávamos fazer juntos era ver Doctor Who. Brian comentava suas teorias em meio a um episódio e ocasionalmente eu tinha que dizer "tá legal Bri, agora fica quietinho pra gente entender o que tá acontecendo". Ele me dava um sorriso envergonhado, e fazia o que eu pedia. Eu ficava constrangida por cortá-lo assim, mas depois sempre o relembrava de suas teorias e discutíamos juntos o que aconteceria nos próximos capítulos. Acertávamos o que ia acontecer na maioria das vezes. E é claro, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ver a banda ensaiando.
Eu estranhei quando Brian me convidou a primeira vez para ver um ensaio.
-Ah não acha... - hesitei - que vou atrapalhar? Sei lá, quero dizer, sou uma pessoa de fora que não tem nada a ver com a banda, observando quando vocês errarem uma nota ou se desentenderem, vai ser esquisito eu ver tudo isso.
-E se você ficar bem quietinha, quase como se nem estivesse ali?-ofereceu meu namorado, me dando um sorriso que ele sabia que podia ganhar qualquer coisa de mim - Chrissie, não é estranho você estar com a gente, estamos sempre juntos mesmo, e você faz parte dessa... parte da minha vida também.
-Uau... - foi o que consegui responder.
Eu sempre ficava comovida com o jeito que ele me considerava. Aos olhos de Brian eu era tão importante e preciosa, muito mais do que eu mesma me considerava.
-Eu falei alguma coisa errada? - ele fez uma careta, preocupado - não se sinta obrigada a ir, se não quiser, não quero que se sinta mal por minha causa...
-Eu... - até ali, depois de meses de namoro, tinha medo de falar o que sentia - eu acho que você é perfeito, Brian Harold May... E você é muito, muito importante pra mim também.
Eu encerrei o que disse o abraçando.
-Então, isso quer dizer que você vai ou não ver o ensaio?-ele perguntou, sem desfazer o abraço, eu olhei pra cima, encarando seu rosto.
-Você me convenceu e eu vou - me ergui na ponta dos pés para beijá-lo.
Assim, eu fui para o primeiro ensaio do Smile que acompanhei, e eu estava certa, vi os meninos errando, brigando, discutindo, mudando e refazendo músicas, e ocasionalmente eles faziam uma brincadeira comigo. Geralmente Brian ria das piadas de Tim, e olhava feio para Roger por causa das suas piadas de mau gosto, que mais ofendiam meu namorado do que eu. Eu já estava acostumada com a amizade deles, eles brincavam e implicavam, mas eram unidos.
E todos os ensaios do Smile que eu via tinham um pouco disso tudo.
Dos ensaios, iámos para os shows. Cada bar e universidade que os meninos conseguiam agenda, lá estávamos Jo e eu os acompanhando. Namorar Brian e ser fã do Smile eram mudanças inesperadas, mas mudanças boas na minha vida.
Numa noite, estávamos no Kensington outra vez, onde os meninos se apresentariam. Como das outras vezes, eles arrumaram os instrumentos, eu fui até lá dar a Brian nosso já tradicional beijo de boa sorte. Então o show começou.
Eu sempre ficava vidrada ao ver o Smile se apresentar, vendo eles colocarem em prática suas ideias e arte, mas nem todos que os viam ficavam como eu. Nesse show em particular eu notei pessoas saindo do bar, irritadas, ou insatisfeitas com a banda. Quando chegou a hora de terminar o show, Tim agradeceu muito menos animado do que costumava falar.
-Tudo bem Tim? - perguntei a ele quando os meninos vieram sentar comigo e Jo.
-Chrissie, não faz pergunta óbvia - Jo me repreendeu.
-Não tem problema, meninas - ele balançou a cabeça, sempre compreensivo - não foi um dos nossos melhores shows.
-Foi um lixo mesmo... - Roger concordou, meio mal humorado.
-Não gente, não é pra tanto - Brian tentou levantar a moral da banda - não dá pra agradar todo mundo sempre.
-É, Bri, mas desculpa a sinceridade - Tim disse a ele - faz um tempo que isso tem acontecido.
-Olha, mesmo assim não é motivo pra ficar desse jeito - eu segui o exemplo do meu namorado de animar os amigos - foi só uma noite ruim, com um público difícil, só isso. Vocês são super talentosos e no próximo show o público vai amar vocês, tá bom?
-Obrigado - Tim agradeceu meus esforços - fico feliz de termos uma fã como você, uma fã de verdade.
-Pode apostar que eu sou, meu caro Tim - eu sorri pra ele.
Os meninos ainda estavam meio chateados com a repercussão do show então saímos do Kensington para comermos em outro lugar. O que sempre estava no nosso cardápio era pizza, o que não foi excessão naquela noite. Pedimos uma quatro queijos completa que dividimos juntos. Em certo momento, vi Brian se afastar, eu sabia que ele ainda estava chateado. Devagar, fui atrás dele, deixando ele decidir se queria conversar comigo.
Ele me notou e me olhou com um olhar tristonho. Eu o abracei de lado. Brian me aconchegou pra mais perto dele.
-É nessas horas que eu penso se meu pai não tem razão... - ele falou, sem me olhar nos olhos.
-O que tem seu pai? - fiquei confusa, Brian sempre contava coisas boas sobre o pai dele.
-Ele acha que ser guitarrista de uma banda é perda de tempo e eu deveria focar nos meus estudos, numa carreira de verdade - Bri me explicou - e o que aconteceu hoje.... Bem, valida um pouco a opinião do meu pai.
-Mas você ama tocar, você mesmo me disse que essa é uma parte importante da sua vida, e se é isso que você gosta, deve continuar, um dia talvez seu pai entenda - eu tentei consolá-lo.
-Não sei, não sei se ele aceitaria, ou se talvez, fosse melhor só ser cientista - Brian ainda lamentou.
Eu detestava ver ele assim, devastado. Partia meu coração e me fazia sofrer com ele. Eu me virei, me colocando bem na sua frente e olhando direto em seus olhos.
-Música e ciência fazem você ser exatamente quem você é - eu disse com a voz firme - e eu... Amo você, do jeito que você é.
-Você... - Brian se assustou de repente, e agora eu comecei a me questionar sobre o que tinha feito de errado.
-O que? - disse numa voz aguda e assustada.
-Desculpa falar assim, mas você sabe o quanto eu reparo nas coisas, e se não me engano - ele fez uma pausa retomando o fôlego - essa é a primeira vez que você me diz eu te amo.
-Bom, eu... - retomei a coragem - acho que só agora tive coragem pra dizer, mas... Eu te amo Bri.
Ele não me respondeu com palavras, mas seu olhar e seu beijo disseram tudo. O sentimento era recíproco.
A/N: O que estão achando pessoal? Acho que mais um capítulo e entramos na linha do tempo do filme, o que significa que Freddie e John vão dar as caras. Ah, mais uma coisa, eu tenho quase certeza que o Brian deve realmente ser fã de Doctor Who
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Pelo olhar de Chrissie
FanficChrissie Mullen só estava vivendo sua vida, focada nos estudos, e alcançar seus objetivos de uma vida estável quando de repente ao encontrar um grande amor, vê sua vida mudada, se adaptando a um sucesso inesperado. (Ou a história da banda Queen con...
