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Eu havia tido uma noite de sono tranquila, como não tinha há muito tempo. Era como se literalmente arrancasse um peso das costas, mais do que nas costas, e mais pesado de carregar, o peso estava no meu coração. E agora eu me sentia leve, sem culpa, pronta pra enxergar tudo de uma forma diferente, mas sem esquecer do essencial, que nunca mudou. Meu amor pelos meninos e como eles verdadeiramente eram.

Brian já tinha acordado quando eu desci pra cozinha. O cheirinho do café da manhã fez meu estômago roncar.

-Olha se não é a garota dos meus sonhos que acaba de aparecer pra iluminar o meu dia - Brian veio até mim e me deu um beijo que me ajudou a terminar de despertar por completo - Bom dia, sra. May.

-Bom dia? - eu hesitei, rindo, um pouco confusa com todo aquele exagero - a que devo tudo isso?

- Você é minha esposa e eu te amo - ele me deu outro beijo - é motivo suficiente pra mim.

-Também te amo - eu sorri.

Nos sentamos pra tomar café e, pelo que Brian contou, ele teria um dia calmo e tranquilo, que passaria em casa.

-E o que pretende fazer com todo esse tempo livre? - perguntei.

-Hã... Vou tentar ler todos os livros de As Crônicas de Nárnia  - ele disse pensativo - já faz um tempo que não leio, o último que li foi O Cavalo e Seu Menino, na turnê dos Estados Unidos, enquanto a gente tava na estrada.

-É o meu preferido! - lembrei ele.

-Eu sei, por que acha que eu escolhi ele pra ler? - Brian fez sua cara de espertalhão.

-Ah, para! - eu ri, mas depois me senti comovida - na verdade, não para não... Obrigada por tudo, pela conversa de ontem, pelo bom dia, pelo café da manhã...

-De nada - sorriu o meu marido - agora que já rimos e estamos bem alimentados, preciso te contar uma coisa séria, na verdade é uma coisa que eu pensei hoje, só que... Assim, na minha humilde opinião, é uma boa ideia, e eu ia amar se você concordasse, mas é você quem decide, e eu vou respeitar o que você escolher.

-Você e seu jeitinho de explicar as coisas... - suspirei encantada, colocando uma mão no queixo, pronta pra prestar atenção.

-Eu queria que fosse minha assistente pessoal, como uma assessora, sabe? - ele falou, meio envergonhado.

-Assistente, eu? - fiquei perplexa a princípio - mas... Vocês já não tem o Paul? Eu não sei se eu conseguiria, eu...

-Eu sei, mas o Paul, pode ser meio... invasivo às vezes, sabe? - continuou Bri - tem coisas, certas coisas a respeito do meu trabalho que não confio totalmente nele.

-Já percebi isso - comentei.

-Então, agora você, minha doce Chrissie - ele apelou para o charme e eu ri - me conhece muito bem, sabe o que me agrada e não me agrada, saberia contornar uma situação em que Paul insistiria pra eu participar mesmo que eu não quisesse.

-Bri - olhei bem pra ele, sabendo onde queria chegar - conversamos ontem sobre não termos mais segredos um com o outro, então, se eu posso pedir, fale o motivo real de você me oferecer o emprego.

-Poxa vida, minha linda, me pegou em cheio... - ele riu de nervoso - tudo bem, tudo bem, vou ser sincero. Eu quero estar perto de você, te proteger de tudo que te deixou triste, e mostrar a todos a esposa maravilhosa que eu tenho, bem do meu lado.

-Você não existe... - eu quase chorei de novo, mas dessa vez de alegria - mas... o que eu faria? Eu não tenho formação nenhuma pra ser assistente de um rockstar, eu mal consigo falar com estranhos...

Pelo olhar de ChrissieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora