Em Paris

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Chegamos um pouco depois de Felix ter chegado ao mundo, o que fez Roger chorar ainda mais. Ele estava feliz por seu filho ter nascido, mas triste por não poder ter acompanhado Dominique bem no momento em que ela entrou em trabalho de parto.

Nós todos estávamos no quarto quando os Taylor se encontraram.

-Era pra eu estar com você, meu amor - Roger soava culpado enquanto acariciava o rosto da esposa - isso porque insisti tanto pra ficar aqui nesses últimos meses...

-Rog... - ela segurou a mão dele que tocava o rosto dela - eu melhor do que ninguém sei o quanto você queria estar aqui, não precisa se culpar por isso, imprevistos acontecem, nosso bebê só chegou um pouco mais cedo que o esperado.

-E isso é bom, muito bom - Roger acabou concordando, observando o filhinho pela milésima vez naquela noite (não podia culpá-lo por isso, eu sabia bem como era) - eu mal podia esperar pra conhecê-lo. Domi, eu sou pai... Isso é tão...

Ele completou a frase com mais lágrimas de alegria, sinceramente às vezes tinha dúvidas de quem era o mais chorão entre eu e Roger. Devagar, nós nos aproximamos, dando o nosso primeiro oi para Felix. Incrível como ele não se assustou com a presença de tanta gente, ao contrário, ele deu um sorriso.

-Ele é mesmo seu filho, Roger - tive que dizer, já que o que Felix fez me lembrava muito o pai dele.

-É claro que ele é - declarou Taylor todo orgulhoso - olha pra ele, é a minha cara, lindo como eu e a mãe dele, viu Brian?

-Você não esqueceu disso? - meu marido retrucou, olhando pra Roger como se questionasse como aquele bobão era seu melhor amigo.

-Roger, você é oficialmente pai agora, tem que crescer um pouco, tá? - John aconselhou.

-É, vai deixar as piadas de adolescente pra fazer as piadas que todo pai faz - definiu Freddie.

Era impossível não rir quando os meninos implicavam um com o outro assim, pelo menos nessas ocasiões em que as provocações não passavam de brincadeiras.

Durante os meses seguintes, nossos meninos continuaram crescendo, agora era difícil definir quando estava falando de John, Roger, Freddie e Brian ou Bobby, Jimmy e Felix. Quando se tratava dos nossos filhos, usava o termo "crianças" e "meninos" eram o Queen, acho que nunca conseguiria deixar de chamá-los de meninos. Logo o número de crianças aumentaria, já que Veronica estava grávida novamente. E foi assim, com essas notícias e Felix um pouquinho maior que fomos pra Paris, seguindo a agenda de gravação do novo álbum.

Era a primeira viagem internacional de Jimmy, era algo muito grande pra um menininho fazer, mas era necessário, não tinha como eu ficar longe dele, e justamente por isso, fiquei mais preocupada ainda. Tinha medo de ele estranhar a distância e o tempo da viagem, o avião em si, o hotel, enfim, tudo de novo que ele não conhecia. Ao fazer nossas malas, chequei três vezes só a mala de Jimmy.

-Chrissie, tá tudo certo, não está faltando nada, eu garanto - Brian comentou ao me observar checar a mala outra vez.

-É só que... - fechei os olhos pelo nervosismo, apertando o canto da boca - tenho medo de acontecer algum imprevisto com o Jimmy no meio da viagem...

-Eu sei, eu sei - ele assentiu, segurou minhas mãos e me fez sentar com ele, ficamos na mesma altura - se acontecer alguma coisa, você vai saber exatamente o que fazer, e eu estou aqui pra ajudar, não esqueça que sermos pai e mãe é um trabalho em equipe, e me desculpa, meu amor, às vezes você não deixa nada pra eu fazer...

-Eu faço isso, não é? - fiquei envergonhada e baixei a cabeça - é que não consigo parar de me preocupar, simplesmente não dá...

-Eu sei e isso é bom, não que eu não me preocupe também - Brian  tocou meu queixo, me fazendo olhar pra ele - só que Jimmy também precisa explorar o mundo, ter suas próprias experiências, expandir sua visão de mundo, como as teorias de um certo pesquisador que vicê conhece bem, imagina as lembranças incríveis que ele vai ter de conhecer tantos lugares ao redor do mundo com a gente?

-Ok, eu entendi - acabei sorrindo, compreendendo que eu não podia ser superprotetora, bem como eu estava sendo e não tinha notado até agora - obrigada.

-Disponha, sra. May - Brian me deu um daqueles sorrisos dele, e eu não resisti e me inclinei para beijá-lo.

Depois do leve sermão do meu marido, estava mais aliviada em relação à viagem. Meu pequeno dormiu no meu colo a maior parte da viagem, embora ele quisesse um pouco da atenção dos tios, que Roger e John davam de bom grado, enquanto Freddie ficava sem graça. Quando percebia isso, tentava remediar a situação, levando Jimmy até Brian. Depois que nos hospedamos devidamente, tivemos um tempo pra explorar a cidade.

Em frente à Torre Eiffel, com meu Jimmy no colo e Brian ao meu lado, sentia aquela sensação de não acreditar no que estava vivendo novamente. Nunca imaginaria na minha vida que estaria em Paris um dia.

-Olha, mamãe! - Jimmy me chamou, me trazendo de volta à realidade - "gande!"

Jimmy apontava pra torre à nossa frente.

-Grande? É muito grande, meu amor! Tem razão - concordei com meu menino, sorrindo.

-"Gande" igual papai! - Jimmy se virou pra Brian.

-Bom, não muito Jimmy - Brian riu - a Torre Eiffel é muito maior que eu.

-Maior? - nosso filho estranhou a palavra.

-É, maior, quando uma coisa é mais grande que a outra - expliquei.

-Ah... - Jimmy suspirou - torre maior que o papai...

-Isso! - beijei sua bochecha, encantada por ele estar aprendendo tão rápido, pelo jeito ele tinha puxado a inteligência do pai.

E depois do nosso passeio, os meninos focaram no trabalho, gravando canção após canção, a maioria praticamente já pronta. Eu amei como ficou as canções de Brian "Dreamer's Ball" e "Leaving Home Ain't Easy". Mais uma vez, amei outra música de John, " If You Can't Beat Them Join Them", ouvi-la sempre me animava.

Então Freddie começou a ter suas ideias inusitadas, era o jeito dele afinal. O Tour de France o inspirou a escrever a repetitiva e meio sem sentido "Bicycle Race", mas até que tinha uma certa graça nela. Eu gostava do som das campainhas de bicicleta no meio dela. Mas talvez, a que mais me deixou constrangida, não só eu, Brian também, devo acrescentar, foi "Don't Stop Me Now".

Tudo bem, confesso que amava o ritmo, o arranjo dos instrumentos e os vocais dos meninos no refrão, mas o conteúdo da letra me deixou preocupada. Era como se Freddie estivesse vivendo a vida desenfreadamente, como um veículo desgovernado, e em algum ponto, um veículo assim poderia bater e causar uma tragédia fatal. Era bem isso que eu temia que acontecesse com Freddie. E Brian compartilhava da mesma preocupação.


A/N: E aí galera? O que acharam? Eu amo fazer o Roger chorão, e realmente entre ele e a Chrissie fica difícil saber quem é o mais chorão, Chrissie realmente é muito mãe, Jimmy May é o bebê mais fofo do mundo e Brian na vida real tem essa opinião sobre "Don't Stop Me Now". Por mais que eu goste da música, penso a mesma coisa. Já peço desculpas se vocês acharem essa música triste a partir de agora por minha causa. Bom pessoal, é isso, não esqueça de comentar e votar. Valeu!

Pelo olhar de ChrissieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora