Quando eu tinha 14 anos, minha mãe teve três conversas comigo. Uma foi como acontece à relação sexual. Bom, na verdade, eu já tinha ouvido falar de um jeito mais informal de como os bebês eram gerados. Minha mãe, Susan, é chefe de enfermagem e contou por onde entra e sai de um jeito mais formal, além disso, me contou que quando eu ficasse mais velho e fosse ter a minha primeira experiência sexual, com certeza, deveria me proteger. Porém, naquela época, eu não me importei tanto, afinal eu era apenas um garoto.
A outra conversa foi sobre se um policial me parasse. Minha avó, Cindy, achava que eu era novo demais para aquele tipo de conversa, mas minha mãe argumentou que eu não era novo demais para ser preso ou levar um tiro. Minha tia, Billie, dizia que garotos negros com corpos mais avantajados eram fáceis de serem parados pela polícia. Eu sabia que aquela conversa era séria, porque meu pai morreu em uma abordagem. Eu precisaria ficar preparado se caso isso acontecesse.
A última foi sobre a palavra ''controle'', mas não foi tecnicamente a minha mãe que me mostrou isso, na verdade, foram as experiências da vida. Eu era um dos vários garotos que era confundido com um garoto crioulo qualquer. Eu já não era um garotinho sem a presença paterna ou o adolescente briguento que, infelizmente, reprovou no último ano.
Esses foram uma das trezentas conversas que tive com a minha mãe ao longo da minha infância, adolescência e vida adulta. Minha mãe me falou também sobre escolher um verdadeiro amor, pois eu precisava de alguém para passar o resto da minha vida. E, por incrível que parece, essa foi à conversa que tive com ela antes de mudar para Nova York. Deixei meus amigos na Califórnia e fui ser o que eu havia prometido ao meu pai em seu túmulo. Em Nova York eu conheci o prazer de ser de apenas uma mulher. Em Nova York eu conheci o sabor do amor. Em Nova York o amor pela luta cresceu ainda mais em minhas veias. As minhas veias clamam mais e mais pelo sabor que uma vitória que o ring causa.
- Nada mal.- Escuto a voz arrastada de Rocky, meu treinador, em meu ouvido. Abro os meus olhos com certa dificuldade. Naquele instante eu só tinha duas opções: Na primeira, eu poderia desistir naquele instante. Na segunda, eu poderia ir para a outra rodada e provar para mim mesmo que eu poderia ganhar aquela luta. A primeira seria a coisa certa a se fazer, pois no meu estado eu poderia facilmente ganhar outro hematoma e ficar de coma em um hospital, de verdade. – Precisa melhorar o punho da esquerda. - Confirmo com a cabeça em um gesto lento. – Você já ganhou essa, Falcão!
A sequência é: um passo de cada vez, punhos esticados, a concentração de um verdadeiro campeão e a velocidade de um falcão. Eu repetia isso todas as vezes que entrava no ring, é isso o que as pessoas chamam de um 'mantra sagrado'.
- Fica esperto, babaca!
Ouço o xingamento do lutador adversário que rapidamente me acerta um soco do lado esquerdo. Depois de quase duas horas de luta, Andrew e eu já estávamos esgotados.
Ele é novo na academia e está me enfrentando em uma luta com apenas as pessoas da vizinhança. Pietro, o organizador, deve está recebendo um bom dinheiro, pois dessa vez a arena lotou. E porque não estaria? Enquanto os tiras não aparecem - já que o irmão dele é um dos maiores traficantes de drogas do Bronx, então o seu irmão tem total apoio para repassar drogar para polícias corruptos que defendem o que deveriam condenar. -, mas isso, sinceramente, não é um problema para Pietro.
Depois de trinta minutos, de verdade, eu só lembro-me de ter ido parar no hospital. Andrew havia me acertado dois socos e eu apaguei. Assim que cheguei ao hospital, tiveram que correr comigo para a emergência, havia acordado horas depois.
* * *
- O que Brooklyn irá achar disso?- Rocky diz.
Ele olha para mim, mas parece que está olhando para quem eu era, o garotinho assustado de cabelos crespos e com um dente faltando. É estranho, mas também é como um cobertor no qual quero ser embrulhado.
- É só eu usar um pouco da maquiagem dela e cobrir o olho roxo e os machucados, Rocky. - Digo.
- Engraçadinho. - Ele olha-me repreensivo - Talvez a sua mãe dissesse: Você sabe quantas vezes eu tive que carregar o seu pai pelas escadas da nossa antiga casa? Você sabe quantos ossos quebrados o seu pai tinha? Tem noção de quantas vezes eu passei noites em claro com seu pai reclamando de dores, Anthony?! Você é tão teimoso quanto ele foi! - Suspiro.
Minha mão vai até o bolso, pensando em Brooklyn e nas mensagens de texto. Merda, deixei o celular em casa! Estamos juntos há pouco mais de dois anos. Rocky sabe, pois, antes de eu me mudar da casa dele, eu sempre a visitava ou ela, mas sempre dizia que era uma amiga. Um dia, ele nos pegou dando um beijo e comentou que amigos não se beijam assim. Nunca vi Brooklyn ficar tão envergonhada.
(...)
O ar tem um cheiro de um dia nublado, menos de uma estação de outono.
A névoa, por conta do frio lá fora, torna impossível olhar para baixo e ver alguma coisa. Estávamos hospedados no vigésimo andar, graças a Deus, havia, finalmente, passado para as nacionais que acontecem em Toronto, Canadá. Bebo a bebida que está na taça, o gosto é tão ruim, mas bebo rápido antes de me arrepender. Ajeito o meu casaco Azul-marinho que era do meu tio, que passou para o meu primo e agora é meu. Faço um sinal para a camareira entrar, ela coloca a bandeja com o jantar e sai. Duas luminárias estão acesas e o quarto está com cheiro de rosas. Havia uma grande quantidade de rosas aqui, pois, enquanto Brooklyn está no banho, pedi para que trouxessem o que já tinha combinado com o gerente do hotel. Respiro fundo.
- Não sei o que dizer, Rocky. - Falo, baixo ao telefone.
-- Acalme- se, Anthony! Irá dar certo. Tudo bem?-- Fala.
-- E se ela não aceitar? -- Pergunto, nervoso.
-- É só falar o que realmente sente por ela, garoto.
-- Eu sei, Rocky, eu só...- Olho para a porta do banheiro. - Tenho que ir, ela acabou o banho agora. Obrigado, Rocky! - Desligo a chamada.
Minha mãe sempre disse que quando achasse a garota ideal deveria casar -se com ela. Bem, eu encontrei Brooklyn... E, profundamente, eu a amo. Ajeito a caixinha preta com o anel dentro dela. Jesus, eu estava prestes a vomitar! Respiro fundo e peço, por favor, que ela aceite.
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(Desculpe qualquer erro.)
Espero que tenham gostado do Bônus do Anthony.👍🏽
Não se esqueçam de votar 🌟
Até o próximo capítulo.🙋🏾♀️😘
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INSIDE.-Dentro do seu amor [Completa]
Roman d'amour( EM BREVE ENTRA PARA A REVISÃO) Quando uma aspirante a fotógrafa entra nas vistas de Christopher James, ele faz quase o que qualquer pessoa poderia fazer interessada em outra: Pesquisar as suas redes sociais. Para sorte de Christopher, a sua estadi...
![INSIDE.-Dentro do seu amor [Completa]](https://img.wattpad.com/cover/175192323-64-k270099.jpg)