- Mais uma cerveja aqui, gata!
O cara da mesa cinco gritava a cada dois minutos que queria mais cerveja, e só nessa hora em que esteve aqui, tomou mais de uma grade inteira junto com o amigo maltrapilha que estava com ele.
Os dois fediam a suor de um dia inteiro de trabalho, o que piorava com o cheiro de álcool que estava impregnado em suas bocas e no ambiente em que eles estavam.
Todas as vezes que ia até sua mesa para servir mais uma garrafa, o cara gritalhão insistia em me chamar de gata e acariciar o meu braço, dando um sorriso amplo, mostrando os dentes amarelados e podres.
Desde que vim trabalhar no Jack's Bar, há quatro anos, aprendi a lidar aos poucos com esse tipo de investida. Muitos outros homens já tentaram me cantar, me chamar pra sair e alguns deles até passar as mãos no meu corpo, mas sempre tive o controle de tudo, nunca dando ousadia para nenhuma pessoa que entrava pela grande porta vermelha desse bar, ou quando não dava conta, chamava Tobias, o segurança.
Mas, o caso desses homens era diferente, eu não sabia por que, o sorriso deles me dava calafrios e uma vontade imensa de sair correndo dali e nunca mais voltar.
Respirei fundo, me arrependendo logo em seguida de tê-lo feito. O ar daqui era tão podre de fumaça de cigarro, álcool e o cheiro do banheiro masculino que quase sufoquei.
O ambiente todo parecia sufocar qualquer um que fosse decente o suficiente para perceber que aqui era um antro de pessoas sujas de corpo e alma. O que me deixava sempre triste já que Jack, o dono do bar, sempre foi um homem honesto e gentil com todos que o rodeavam e seu negócio espelhava sua alma boa. Estava sempre limpo, arejado, suas paredes eram pintadas a cada três meses, as mesas renovadas e as pessoas contratadas para o trabalho sempre eram de boa índole, mas, depois de Ana, sua esposa, morrer em um acidente de carro enquanto estava fugindo com seu amante, Jack mudou por completo e junto com ele tudo em sua vida.
Ele se tornou uma pessoa insuportável de se conviver, andava sempre sujo, bêbado ou drogado, usava os ganhos do bar para sustentar os seus vícios e por muitas vezes muitos de nós tínhamos nossos salários sacrificados por conta disso. Foi ai que o bar foi dividido em dois tipos de pessoas que trabalhavam lá: aqueles que tinham conhecido Jack antes e o respeitavam por isso e aqueles que trabalhavam apenas para ganhar seu salário e fazer mais um extra. Foram esses tipos de pessoas que começaram a transformar um bar de respeito em um lugar sem nenhum escrúpulo.
E só Deus sabia o quanto eu estava louca para ir embora daqui, nunca mais ver esse lugar e as pessoas que o frequentavam. Por mais que amasse o velho Jack e compreendesse, em partes, o porquê da sua mudança drástica, eu não suportava mais aquela vida e o modo que me sentia suja e acabada quando saia de lá.
Peguei as duas cervejas em cima do balcão e segui para a mesa dos dois inconvenientes, servindo-os logo em seguida.
- Que gatinha rápida! Eu gosto assim... – disse o homem, que estava de camisa azul molhada de suor, passando os dedos no meu braço.
- Por favor, senhor, não toque em mim ou serei obrigada a chamar o segurança – retirei o meu braço bruscamente, olhando-o com a cara mais feia que consegui fazer.
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Romeu e Julieta
RomantiekPassaram-se dez anos desde da tragédia que marcou para sempre a vida de Caíque e Sophia. Se apaixonaram quando eram adolescentes mas suas familias nunca aceitaram o amor dos dois, fazendo com que se rebelassem e tentassem de todas as formas ficarem...
