"E na outra vida, eu serei sua Julieta e você será o meu Romeu (...) E nossa história terá muitas virgulas, mas nenhum ponto final." – Dielly Winner
Quando olhei para a enorme limousine preta parada na porta do meu prédio quase cai para trás. Naquela hora eu tive a mais completa certeza de que definitivamente eu não servia para uma vida de luxo. Tudo estava perfeito e eu amava tanto Caíque por me proporcionar uma noite de rainha como aquela que tentei de todas as formas abafar o sentimento ruim que ameaçava me abater; tudo parecia estar dez quilos mais pesado: o vestido maravilhoso, os sapatos incríveis, a maquiagem milagrosa, o coque alinhado e o coração lapidado em diamante que enfeitava o meu pescoço.
Eu quis de alguma forma gemer de frustração, bufar, bater o pé, qualquer coisa que pudesse aliviar toda essa angustia que sentia por estar recebendo demais... Será que era pecado renegar tudo aquilo? Seria chutar para fora da minha vida a chance que o destino me deu de reaver o amor da minha vida? Não, não podia ser julgada por isso... Afinal, foi por todo esse dinheiro que fomos separados cruelmente da nossa filha e de nós mesmos. Foi pela ganancia, o egoísmo e a falta de escrúpulos que vem junto com todo o luxo que anos atrás fomos destruídos em pedaços e jogados ao vento.
Minhas têmporas doíam, minha cabeça latejava com tantos pensamentos, com tantas lembranças que aquela maldita limousine me trouxe. Eu tinha prometido tentar... Eu sabia que tudo aquilo vinha de brinde com Caíque. Do que eu estava reclamando? Do que eu podia reclamar? Nada... Eu não podia reclamar de nada. Ele tem sido um cavalheiro, me respeitando, cuidando de mim de todas as formas possíveis, me protegendo e me amando com todo o seu coração. Então por que? Por que eu tentava achar motivos para sair correndo e deixá-lo? Por que o meu amor por aquele homem me assustava tanto agora? Eu sempre soube o quanto o amava... Eu sempre soube que poderia me jogar na frente de um caminhão se ele ordenasse; eu faria de tudo para deixá-lo feliz.
Era o dinheiro, então? Era isso que me assustava? Mas, ele sempre teve muito dinheiro. O que era? Meu Deus, o que é?
- Você está me deixando preocupado, anjo... – sua voz me despertou dos meus devaneios e só então percebi que tinha parado no meio do caminho. Eu estava suando, tremendo e com a visão turva demais para poder andar em linha reta sem tropeçar e cair no chão – A limousine foi demais para você? O que foi?
Eu tinha frases o suficiente para explicar aquele surto, mas nada saía, nenhum som. O abrir e fechar que meus lábios insistiam em produzir não estava cumprindo com o seu dever, não estava explicando a ele que aquilo era apenas um medo bobo, mas que eu estava bem, tudo estava bem. Não estava?
- Sophia! – desesperou-se – Me responde.
- Desculpe – finalmente consegui murmurar, pelo menos, uma palavra.
- Pelo o que, anjo? O que aconteceu?
- Eu só... – olhei em seus olhos verdes preocupados e não consegui continuar. Eu queria pedir para que ele me levasse lá para dentro e ficasse comigo a noite inteira, que usasse de todos os seus artifícios maravilhosos para me fazer esquecer que o meu mundo estava cada dia virando mais de cabeça para baixo, de novo. Mas eu não podia... Não podia decepcioná-lo dessa forma, não quando ele se esforçava tanto para me fazer feliz – tive uma tontura. Não sei o que aconteceu.
- Você se alimentou direito hoje? Catarina lhe deu o almoço que mandei por ela? – suas mãos acariciavam todo o meu rosto levemente e seus olhos vasculhavam tudo em mim a procura de algum sinal ruim.
- Eu comi tudo, me alimentei bem e já estou melhor. Tão melhor que quero chutar a sua bunda por, de novo, escolher o meu almoço. – sorri divertida, tentando acalmá-lo e me acalmar.
- Tem certeza? – bom, não funcionou. Sua expressão continuava impassível a minha graça e a preocupação em seus olhos continuava forte.
- Eu tenho. Vamos, não queremos nos atrasar para o jantar, né? Ou vai colocar a culpa em mim de novo! – caminhei lentamente, me equilibrando a todo momento em cima dos saltos quinze, puxando-o pela mão até a porta do carro, que estava se mantendo aberta pelas mãos de um enorme homem de pele morena e terno escuro colado ao corpo.
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Romeu e Julieta
RomancePassaram-se dez anos desde da tragédia que marcou para sempre a vida de Caíque e Sophia. Se apaixonaram quando eram adolescentes mas suas familias nunca aceitaram o amor dos dois, fazendo com que se rebelassem e tentassem de todas as formas ficarem...
