Capitulo XXVII - Caíque

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"Olhe para todo o ódio que eles continuam mostrando
Eu não quero ver isso
Olhe para todas as pedras que continuam atirando
Não quero sentir isso
(...)
Sou um soldado na guerra
Derrubei muros
Eu defini, eu projetei
Minha recuperação..."
- James Arthur (Recovery)

Eu estava parado em frente a enfermeira que soltava palavras vagas sobre o estado de Sophia.

Minha mente não estava processando nada além das palavras: "o golpe na cabeça foi muito forte e ela perdeu realmente muito sangue. O doutor Rômulo optou por um coma induzido até nós conseguirmos catalogar todos os danos. Eu sinto muito, senhor Avellar".

Eu sinto muito. Eu. Sinto. Muito. - alguma coisa naquelas palavras fazia com que o ódio dentro de mim crescesse consideravelmente e as lembranças de todo um passado cheio dos mesmos episódios preenchessem tudo. Cada fibra do meu corpo era pura raiva. Cada impulso era reservado apenas ao de matar qualquer coisa que se aproximasse.

Eu queria vingança.

- Me mantenha informado sobre tudo, até o mínimo movimento dela, e certifique-se que minha filha terá tudo que ela precisar para o seu conforto. As avós dela estão chegando para ficar de olho em tudo, mas ainda sim quero que você me ligue a cada cinco minutos. - estendi a mão em sua direção e ela entendeu tão rápido quanto o fogo nas minhas veias crescia, que era para me dar o seu celular. Anotei meu número em sua agenda e continuei: - Você receberá bem por isso. Não perca um movimento da minha mulher e se alguém perguntar diga que eu fui acertar algumas contas.

Não disse mais nada depois que pus meus pés em movimento de novo. Estava saindo do hospital com o coração em pedaços por não vê-la. Mas, a verdade, é que eu não podia. Não enquanto não acabasse com tudo aquilo de uma vez por todas e me certificasse de que, quando ela pusesse os pés na rua de novo, estaria verdadeiramente segura.

Estava cansado de toda aquela merda atrapalhando cada momento de nossas vidas, e ainda mais cansado de ver a mulher da minha vida tendo que superar sofrimento após sofrimento pelo egoísmo das nossas famílias e a minha covardia. Era hora de cumprir a promessa que fiz dez anos atrás: eu estraçalharia cada centímetro de vida que pertencia a Marcus Avellar e Pedro Montevor.

Destravei o carro e me joguei para dentro dele com brutalidade, dando partida logo em seguida. - eu queria estar lá o mais rápido possível e acertar algumas contas com Pedro. Ele estava me devendo por mil vidas inteiras e eu cobraria agora. E seria caro... Muito caro.

Alcancei meu celular novamente discando o número de Josh. Se eu começaria a fazer justiça com as minhas próprias mãos, eu precisaria de um advogado.

No segundo toque ele atendeu:

- Como ela está?

- Ela está em coma. - fechei os olhos momentaneamente com aquelas palavras. Ter a minha garota tão longe de mim era como o inferno na terra. Estava impossível de suportar. - O médico achou melhor induzi-la a um para que ele pudesse detectar todos os danos que ela sofreu. Foram muitos, Josh. Ela... Está... - minha voz estava fraquejando assim como eu. O ódio e a dor se misturando com tanta intensidade que já não sabia onde começava um e terminava o outro.

- Ela vai sair dessa. É a nossa garota forte. Eu estou indo pro hospital nesse exato momento.

- Não! - interrompi com pressa. - Não estou no hospital.

- O que?! Onde você está?

- Estou indo pra delegacia onde eles estão mantendo Pedro. Eu vou acabar com isso, Josh, e preciso de você.

Romeu e JulietaOnde histórias criam vida. Descubra agora