Bônus: Praia dos desejos

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Narrado por Sophia.


Dez anos atrás...


Desde o momento em que Caíque me buscou na porta do bar do Jack's, a ansiedade tomou conta de mim por inteira. Ontem ele havia me dito que tinha uma surpresa para mim, um presente para comemorar a notícia de que eu esperava um anjinho, parte minha e parte dele.


Nunca estive tão feliz em toda a minha vida como agora, mesmo que a vontade de saber aonde estávamos indo me deixasse louca, a felicidade sobrepunha a tudo. A todas as intrigas, as brigas entre nossas famílias e ao esforço de todos para nos separar.


Nada daquilo me importava agora. Todas as minhas preocupações de que a família dele poderia convencê-lo de que eu não era boa o suficiente, que eu não conseguiria faze-lo feliz, evaporaram num passe de mágica. Eu sabia que seria tudo aquilo que ele precisasse em todos os momentos de sua vida. Eu tinha certeza que a cada dia da nossas vidas juntos, eu o faria feliz. O nosso amor era o suficiente, e Deus havia me provado isso ao me mandar aquele presente que era o nosso filho. Estaríamos ligados para sempre independente do que acontecesse, teríamos uma parte um do outro conosco mesmo que nossos dias juntos chegassem ao final da contagem.


Olhei para o lado, com um sorriso bobo brincando nos lábios. Ele conseguia ficar lindo todos os dias mais, como era possível?


Acariciei com carinho o meu ventre, pedindo em silêncio que o nosso filho ou filha puxasse toda a beleza e encanto do pai. Se pudesse, que fosse a replica perfeita dele, sem tirar nem pôr, só para que todos os dias em que olhasse em seus olhinhos pudesse ver que era fruto de um amor infinito e abençoado.


- Pare de me encarar assim - sua voz ecoou pelo carro, fazendo com que meu coração acelerasse automaticamente. Isso era uma das coisas que estavam na minha lista de "como é possível?", por que definitivamente eu não entendia como Caíque tinha tanto controle do meu corpo, da minha mente e do meu coração tão facilmente.


- Encarar como? - perguntei, fazendo-me de desentendida.


- Como uma boba - soltou uma risada gostosa. Uma das minhas favoritas.


- Impossível.


Me olhou de relance com aquele sorriso apaixonante estampado, fazendo com que eu me apaixonasse mais ainda por ele.


- Eu também quero fazer carinho nessa barriguinha.


Sorri com felicidade.


- Nós vamos adorar o carinho do papai, não é amor? - olhei para baixo, ainda com as mãos na barriga, esperando que desde cedo, mesmo ainda sendo um brotinho, ele ou ela nos escutasse. - Mas bem que o papai poderia nos dizer onde estamos indo.


- Nem pensar - riu, balançando a cabeça em negativa.


Eu não ganharia essa, e sabia disso. Bufei em frustração, odiava ficar ansiosa.

Continuou o trajeto e minutos depois me vi perdida na paisagem que passava pela janela como um borrão, ainda acariciando o nosso anjinho, me perguntando se depois que ela nascesse tudo ficaria em paz. Será que os nossos pais deixariam toda essa briga de lado pelo bebê? Será que aceitariam o nosso amor e parariam de achar que tudo era apenas um capricho de adolescentes?

Romeu e JulietaOnde histórias criam vida. Descubra agora