"Faz sete dias, sete dias
Desde que você me paralisou
Sete dias, sete dias
Desde que você perdeu sua luta
E eu não consigo tirar essas últimas palavras da minha cabeça
Faz sete dias, sete dias e quatro palavras...
E eu não consigo me distanciar dessa dor que queima
Não consigo dormir (...)
Como você pode me deixar dessa maneira?
Faz sete dias que estou sem o seu abraço
Quero ver o seu rosto, tenho algumas coisas para te dizer
Faz somente uma semana que você disse "eu te amo"
Eu disse "eu te amo mais"
E então, deu um suspiro, uma pausa, e disse:
"Se você diz... Se você diz... Se você diz..." - If say so (Lea Michele)
Eu tinha voltado ao hospital no mesmo dia em que sai. Eu podia dizer que estava satisfeito com o rumo que a vida seguiu e seria verdade, mas ainda sim eu não estava feliz. Ao contrário, o meu coração estava quebrado em tantos pedaços que era impossível catar suas sobras do chão.
Sophia ainda permanecia com seus olhos tão fechados quanto o tempo lá fora. Nem os trovões que riscavam o céu nublado a assustavam como sempre faziam. Nada era suficientemente capaz de trazê-la de volta do coma. Nem o meu toque ou minhas palavras sussurradas em seu ouvido. Nem a voz da nossa pequena Anabelle implorando que ela voltasse ou seu choro de criança assustada por não ter sua mãe pela segunda vez. Nem Ellen, que a salvara uma vez, estava conseguindo salvá-la de novo.
Ela estava escorregando por entre os meus dedos todos os dias mais. Todo dia eu sentia perder alguma parte dela que eu não havia permitido que levassem de mim. Todo dia era mais um dia. Todo dia...
Fechei os olhos com força, deixando as lágrimas seguirem seu curso pela minha bochecha até sua mão quente, na qual eu estava agarrado todo o tempo. Não havia mais nada que eu pudesse fazer além de estar ali com ela. Aquelas foram as palavras do médico quando fiz - pela milésima vez - a pergunta sobre quando eles a tirariam do coma:
"Ela não está mais sendo induzida, senhor Avellar, seu organismo a adormeceu. Só o que podemos fazer é esperar e ter fé" - Esperar e ter fé. Quanto tempo eu não sabia o que era me apegar a fé? Por quanto tempo eu deixei de precisar esperar alguma coisa? Eu sempre tive tudo na hora em que queria. Nunca precisei usar fé alguma para as coisas saírem do meu jeito. Mas, Sophia, como sempre, estava me ensinando que a vida nem sempre é do jeito que nós queremos. De novo, ela estava me mostrando que para o nosso mundo girar não se precisava acreditar em nada além de si mesmo, mas para o destino interceder, se precisava acreditar na força superior que o regia.
Era por isso que eu estava desenterrando cada lembrança da menina de cabelos dourados e olhos azuis da cor do mar ensinando a um descrente de cabelos revoltos, tão negros quanto a noite, a rezar. Mas, nada além das palavras: "tem que vir do coração, Caíque..." preenchiam a minha mente. Nenhuma memória se compadecia por mim a ponto de aparecer para me ajudar, apenas aquela.
Respirei fundo, sugando todo o ar que podia pela boca. As lágrimas não me abandonavam nenhum segundo sequer e fora assim durante toda aquela semana. A angustia e o desespero também se tornaram meus companheiros, não deixando espaço para nenhum outro sentimento. Só haviam eles ali, tornando meu coração cada vez mais pesado e os meus dias mais arrastados.
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Romeu e Julieta
Roman d'amourPassaram-se dez anos desde da tragédia que marcou para sempre a vida de Caíque e Sophia. Se apaixonaram quando eram adolescentes mas suas familias nunca aceitaram o amor dos dois, fazendo com que se rebelassem e tentassem de todas as formas ficarem...
