Dia 16 - Discussão

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Abrir os olhos pensando na manhã do outro dia, que também vou acordar cedo, é meio péssimo. Estou exausta e preciso muito dormir mais.

No meu tour da manhã pelas redes sociais pra conseguir acordar sem ficar cega, fiquei meio triste porque meu namorado não interage muito com os meus tweets, só com os da namorada do amigo dele. Mas eu também não ando falando muito, não tenho tantas coisas pra dizer além de "estou cansada". Só que depois de alguns minutos, foi bem fácil percebe o quanto minha cabeça gosta de se aproveitar de coisas mínimas pra causar discórdia e me fazer ter pensamentos negativos que vão gerar uma crise. Às vezes penso "mano, qual é o seu problema?".

Comi meu delicioso pastel de carne com cheddar e fiquei mais alegrinha.
Também tomei um gelinho de uva muuuuito bom que a professora de física fez.

Ainda estou morrendo de saudade do meu namorado. Morrendo mesmo. Quero ver ele, abraçar, apertar, beijar, morder, bagunçar o cabelo, tudo o que for possível.
Queria poder ouvir "I Love You" abraçadinha com ele, bem quentinha e confortável. Essa música não sai da minha cabeça.

Joguei basquete e vôlei com os outros estagiários, foi legal. Um menino que estuda de manhã veio jogar basquete com a gente. Ele propôs um jogo bem legal e eu ganhei. 14 cestas no jogo e mais umas três antes dele. Ajudei meus amigos com alguns fundamentos do vôlei e eu me senti importante, porque eles precisavam de mim.

Vi um cara dando chocolate pra namorada dele e ele falando uma coisas bonitas pra ela. E eu senti um pouco de inveja, queria que fosse o meu namorado vindo me ver. Mas aparentemente o cara fez alguma merda e veio pedir desculpas.
Eu não preciso de chocolate hoje, eu preciso só do meu namorado. Preciso ver ele.

Fui conversar com o meu pai sobre o meu pagamento do mês. Vou ter que dar só metade do dinheiro pra faculdade porque ainda não recebi todo o dinheiro do mês. Mas claro que acabamos discutindo. Meu pai não entende que a vida toda, sempre que o problema era coletivo, a gente ia resolver juntos. Problemas individuais, soluções individuais. Mas o problema do pagamento não é só meu, todos os estagiários estão com dúvida. Seria mais fácil todos, de cada turno, irem perguntar juntos, porque aí não rola distorção de informação e todo mundo entende tudo certo. Mas meu pai acha isso errado. ERRADO. "VOCÊ ESTÁ ERRADA". Ele acha que vão interpretar como motim e vou ser demitida. Mas é só uma dúvida!... e ele gritou, disse que é impossível conversar comigo e que não me ajudaria mais.
Chorei muito e quis me cortar até meu braço não existir mais.
Às vezes, só quero que eles entendam que não sou igual a eles, que o jeito que eles falam me machuca. Mas eles não se esforçam pra ver, já concluem que é teimosia e excesso de celular/computador. E eu também desisti de mostrar a real razão de eu ser assim, doente, porque eles não querem ouvir. Parece difícil aceitar que a filha foi resultado e erros e mais erros deles, falha atrás de falha. E sempre vai ser assim.
O meu namorado conseguiu me acalmar, então estou bem, mas com dor de cabeça.

Música do dia: Florence and the Machine - Spectrum

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