Dia 121 - Viagem

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Escrever aqui ainda me traz peso, dor, nervosismo, me deixa triste, mas preciso botar tudo pra fora de alguma forma.

Todos sumiram. Ter morrido seria melhor do que me sentir tão sozinha assim.

As noites sempre são dolorosas, insuportáveis.

Viajei pra casa de uma tia no interior. Fomos pescar, queimei os braços e não consegui pegar nenhum peixe, perdi todos.
Durmo ao lado das caixas de diazepam dela, pensando em como estaria melhor se não estivesse vivendo os dias que vivi desde o Natal. Eu me sinto muito triste, sozinha, sem esperança de nada. Esses sentimentos não vão embora, por mais que eu me esforce.

Fiz mais amigos novos, mas eles só falam comigo pra pedir fotos minhas. Eu me sinto tratada como lixo, eles não querem falar sobre outras coisas a não ser sexo. É repugnante.

Tentei mudar alguns hábitos meus. Arrumo minha cama todos os dias e tenho mantido meu guarda-roupa arrumado. Vou tentar tomar leite de soja agora, já que o de vaca me faz querer vomitar.

Dormir tem sido uma luta diária, minhas noites de sono são as piores da minha vida inteira.

Sobre o meu ex... o guardei numa caixinha bem aqui no fundo, aí ele não fica indo e vindo o tempo todo. Ainda sinto falta dele e de como eu era mais feliz com ele. Sinto falta da felicidade, da luz e do calor que ele trazia. Mas já estou me habituando a escuridão.

Estou orgulhosa de mim por ter vivido 7 dias do ano sem ter chorado. Talvez agora eu chore, mas eu não sei.

As pessoas tem me magoado bastante. O fato de eu ser border tem vindo na frente de tudo. Está óbvio que querem me manter longe delas pra que eu n crie problemas, dependência ou coisas do gênero. Ninguém se aproxima com boas intenções.

Minha mãe estragou minha chance de dirigir hoje, bem quando meu pai estava calmo e aparentemente pronto pra me ajudar nisso. E ela ainda reclama da minha frieza com ela.

Música do dia: Milky Chance - Down By The River

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