Devo admitir que não sou o tipo de pessoa que toma uma decisão e segue em frente. Já fui assim, mas não sou mais.
Conversei com um amigo dele, que também é meu amigo, e ele meio que me convenceu a desistir, a não correr atrás, a não me importar, virar a página. Na hora, me veio determinação, força pra realmente fazer isso. Ele ficou orgulhoso e extremamente feliz com a minha atitude. Aproveitando que uma amiga nossa disse que eu devia falar com o meu ex-namorado, mandei um texto enorme dizendo o quanto estava decepcionada com ele. Era pra gente se afastar e se cuidar, mas ele só se enfia mais e mais nesse buraco, só eu quis tentar mudar, procurar ajuda, me cuidar. Isso só mostra que só eu me importava com esse namoro, só eu amei aqui.
Pra piorar, acordei hoje cedo me sentindo muito mal, arrependida de ter sido tão cruel mandando aquele texto. Porém, já está feito, já foi lido, não tenho como voltar atrás. Eu devia parar de me sentir tão responsável por ele, deve ser isso de ser mais velha e saber mais das coisas do que ele, instinto protetor. Mas ele não quer minha ajuda, muito menos minha proteção. Ele não quer nada comigo.
Hoje levei minha irmã pra escola, ela precisava chegar mais cedo pra ir pros Jogos Escolares da nossa cidade. Fomos de uber, me senti super responsável e mais adulta ainda, quase como se fosse eu levando minha filha pra escola. Bem, ela é praticamente minha filha, cuido mais dela do que ninguém já o fez. Depois peguei um ônibus e fui pra faculdade. Pra minha felicidade, amanhã vamos fazer isso outra vez, é uma experiência super gratificante e prazerosa. Gosto de cuidar dela, de cuidar de outras pessoas também, me sinto importante e necessária na vida das pessoas.
Não consegui ficar 100% da aula de psicologia em sala. Comecei a me sentir mal, fui chorar no banheiro. Falar sobre afetos, sobre como o outro transforma a gente só me faz pensar nele. Em como eu o afetei e em como ele me afeta... é triste, trágico ver como um amor tão lindo como o nosso foi morrendo assim... mas eu não conseguiria carregar isso sozinha.
Foi uma correria sem igual no estágio, passou bem rápido. Ainda bem que consegui dormir antes de começar. Babei outra vez e acordei com o olho direito "amassado", minha visão estava toda esquisita, demorou um pouco pra ficar normal.
Passei boa parte da tarde me lamentando pras minhas amigas. Ficaram felizes por eu ter me preocupado com o final do diário dele, por ter ido falar com ele, ver se estava tudo bem. Mas a grosseria dele foi algo terrível, difícil de engolir. Elas acham que ele está indeciso, que sente saudade, mas acha que agora não é o momento certo de voltar. Sinceramente, eu não sei, prefiro acreditar que ele me odeia, que me quer longe, que nunca mais vai voltar. Eu já estou toda fodida, não é a primeira vez que ouço um "nunca vou te abandonar" dele e adivinha? Ele me abandona! E eu ainda tenho a cara de pau de correr atrás. Sou boa demais pra esse mundo, pra ele. Fui brutalmente destruída e ainda tenho forças pra me levantar e lutar por esse cara. Eu devia canalizar toda essa força só pra mim, mas não consigo ser tão egoísta, ou não me importar com alguém que sei que fiz mal, que me arrependo de ter feito mal, de não ter me importado com o que ele sentia sempre que eu despejava minhas frustrações nele. É triste confiar em alguém pra ser seu porto seguro, porque muitas vezes essa pessoa não quer ser isso pra você. Isso me faz pensar que namorados são feitos apenas pra beijar, só a parte carnal, física. Nada de companheirismo ou coisa do tipo, sem compartilhar experiências ruins e difíceis de lidar. Sempre que eu quis um amigo, um namorado que também me ajudasse a resolver minha vida, eu me fodo. Acho que nasci pra ser sozinha.
Eu só quero que esse aperto no peito passe logo, que as borboletas fiquem quietas, quero paz pra minha alma. A única bagunça que existe aqui dentro agora é relacionada a ele. Só entro em conflito comigo quando decido voltar atrás das coisas que eu decido e que sinto vão fazer ele se afastar mais.
Às vezes sinto que estou melhorando bastante, que não vou precisar de medicamento pra chegar lá, pra minha cabeça funcionar direito. Sou forte, afinal, todo mundo diz isso o tempo inteiro. Não importa a situação, tento ser doce e gentil com todos, e a maioria me trata assim também. Me sinto até frágil diante do cuidado que as pessoa tem pra falar comigo. É lindo ver a gentileza delas.
Música do dia: Borderline - The Veer Union (achei algo que me descreve bastante e no som que eu gosto)
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Diário da Miki
De TodoLugarzinho pra eu escrever tudo o que essa vida de border infernal me traz, mas eu também tenho meus momentos livre disso e esses são os mais importantes.
