Dia 92 - Um Up bem down

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Ontem foi dia de Up!Abc. Devo admitir que não me diverti tanto assim.

Vi dois alunos meus fazendo cosplay, fiquei orgulhosa deles. Vi um amigo do meu ex-namorado também, torci pra ele não me reconhecer nem perguntar sobre ele, só o segundo não aconteceu. Vi uma moça fazendo cosplay de Kayn, ela tava maravilhosa, acho que meu ex teria gostado. Tinha também de SAO, de BNH, SNK, Naruto então nem se fala. Essa parte foi legal, mas me senti triste de não ter tido coragem de tirar foto com todo mundo que eu queria, eu estava muito tímida, meu ex que costumava cuidar dessa parte pra mim, de me fazer pedir pra tirar foto. Meu amigo foi comigo e por mais que ele estivesse quase me jogando em cima dos cosplayers, a tentativa de me obrigar estava me deixando irritada.

Eu usei meu yukata que comprei na Liberdade, usei ele com um salto preto baixinho e todo acabado, e prendi metade do meu cabelo num coque e coloquei um hashi. Eu me achava aceitável até a hora de chegar em casa. Hoje, segunda-feira, já me sinto horrorosa. Até nas fotos de ontem me sinto estranha.

Comi coisas legais, apesar de ter sido obrigada a comer não apenas pelo meu amigo, mas também pelo meu estômago barulhento. Tempurá é sempre ótimo e guioza também. Tomei um suco de maçã gostoso, me lembrou quando minha mãe comprava suco de pozinho de maçã, era meu o preferido.

O passeio inteiro foi nostálgico, a pior parte foi ver o casal que semestre passado fez cosplay de Yuno e Yuki, mas dessa vez o cosplay era de outro casal, que por sinal não reconheci. Lembro que ficamos olhando eles e babando na outra vez...


Hoje o dia foi bem difícil, chorei umas três vezes, algumas sem razão aparente, outras porque uma sensação de solidão misturada com vazio e tristeza me tomaram com força. Também chorei quando percebi que nada me prende a esse mundo, meu único refúgio, o único lugar pra me ancorar me deixou. Não sinto pena de deixar minha irmã, meu cachorro, meu pai e meus amigos pra trás. Se eu parar pra pensar nisso, vejo o quanto minha vida se tornou insignificante, o quanto tudo é doloroso e frio.


Todos os dias penso em faltar no estágio, mas aí aquele pingo de esperança que tenho dele voltar me diz "economiza isso, se um dia ele quiser ter a tarde especial, podemos dar isso a ele, a nós", mas é claro que não vai acontecer, então só vou pelo dinheiro e pra ver alguns alunos queridos.

Percebi que estar com eles me faz sorrir e estar na quadra também. É raro que os pensamentos ruins fiquem na minha cabeça quando estou nesse ambiente, mas é impossível eu ficar 100% do tempo lá, só pra evitar pensar em morrer.


Uma das amigas do meu ex-namorado, a de cabelo colorido que eu morria de ciúmes, tem tentado me ajudar muito, às vezes me sinto mal por dizer pra ela que quero morrer e por ela se esforçar pra me ajudar, tenho mais medo ainda de me tornar um gatilho pra ela e fazer ela ter alguma crise. Bem, pelo menos ela tem alguém pra cuidar dela, que está pronto pra isso. Eu não. Acho que nunca tive, ou tive por pouco tempo. Porém, pessoas doentes irritam os outros com a sua maldita negatividade. Mas me digam como verei a luz nessa escuridão sem fim? É impossível ser positivo o tempo inteiro, é a mesma coisa que fingir que está bem ou se forçar a sentir isso. Todo sentimento forçado machuca e só piora na hora que você acaba cedendo. Você cai, desmorona e o estrago é pior ainda, pois se mistura com a sensação de fracasso, de que você é incapaz de se sentir feliz por um período de tempo, incapaz de se levantar e seguir em frente igual todo mundo faz, incapaz de ter controle da própria vida e dos próprios sentimentos. As pessoas precisam entender isso e parar de forçar felicidade nos outros, de dizer que tem gente em uma situação pior. Não meça a dor dos outros com a sua régua, é errado, é um ato cego e impensado, além de ser muito grosseiro e ignorante também.


Eu não sei se você continua lendo isso e também não sei porque em alguns momentos te escrevo diretamente, tipo agora, é pura estupidez minha, mas fiquei preocupada, me perguntando se você estava bem, se seu dia foi bom, se o Ollie e a sua família estão bem.

É torturante morar nessa cidade, andar por aí todo dia e ver todos os lugares que criamos memórias. Acho que é isso que dói, as boas lembranças, saber que elas moram só aqui em mim, que só vivem no meu coração é doloroso. São elas que me fazem ainda ter fé em nós dois, mas também não ter fé e me dilaceram por dentro, me dando a sensação de que nunca mais vou ter momentos felizes com você. A pessoa mais preciosa da minha vida... sinto falta de se feliz com você, dos seus beijos quentinhos e abraços confortantes, do jeito que segurava minha mão, de quando colocava a mão um pouco abaixo da minha nuca, de quando me carregava no colo ou nas costas. Até sinto falta das fotos que tirava enquanto eu comia, por mais que eu sempre acabasse saindo estranha nas fotos. Meu coração quase me matou de tão apertado que ficou quando viu um outdoor enorme da promoção de dois lanches por treze do KFC. Agora lembrei de quando eles responderam nosso comentário no facebook sobre o baldocinho. Saudades, baldocinho.

Às vezes me pergunto o porquê de eu querer tanto tirar a minha vida, se eu só quero chamar sua atenção, se eu tenho medo de viver coisas novas e sofrer outra vez, se é porque estou cansada de mim, se é porque me acho um monstro ou se é a única forma que acho de me manter longe de você. Talvez seja tudo junto, parece idiota pensar que quero morrer só pra ver se você ainda sente algo por mim, se iria chorar ou não, mas acho que esse é o motivo mais bobo que tem, pois seria fácil forjar minha morte pra testar isso.
Eu queria saber de fato me manter longe de você, consegui por um tempo, antes de nos vermos. Acho que isso não me fez bem, pois até então, você só vivia na minha cabeça, era quase como se eu te idealizasse, estava esquecendo seu rosto aos poucos. Mas ver que você é de fato real fez doer, pior foi ouvir que ainda gosta de mim, mas não podemos ficar juntos. Eu devia ter seguido o plano A: comprar meus livros e enviar os seus pelo correio. No final, tudo doeu muito mais e eu não consigo entender bem o motivo.

Peço desculpas por ter te deixado irritado com o que eu escrevi aqui antes, às vezes eu explodo e acabo sendo cruel com você. Sei lá, não quero te machucar, mas quero que você comece a caminhar, a evoluir, pois você disse que tem regredido. Isso me preocupa e me machuca, mas acho que você não liga muito pro que eu penso ou sinto.


Passei um pouco do meu tempo livre depois de chegar em casa tentando tocar Star Shopping, é fácil e seria bem melhor com um violão, mas só tenho guitarras aqui e não consigo coordenar meus dedos pra dedilhar, além de achar que o som sai mais forte se eu usar minha palheta. Eu só não consigo cantar junto e preciso organizar melhor o tempo e tudo mais, mas fora isso, tá bom já. Talvez eu poste um videozinho meu tocando, talvez.


Vitor, meu grande leitor e novo webamigo, espero que me perdoe por não estar falando sempre com você. Pra ser sincera, não quero falar com quase ninguém. Reclamo da solidão e me sujeito a ela por livre e espontânea vontade, não tem como entender isso.
Agradeço por ter lido meu diário e não ter julgado esse "livro" pela capa e ter coragem de se aventurar na loucura que é interagir comigo, ser meu amigo significa estar constantemente preocupado e campar minhas redes sociais, tentando saber quando estou triste e planejando morrer. Vou tentar te poupar disso, mas não posso prometer nada. Espero que todos saiam inteiros dessa merda, talvez eu também. Espero que todos sejam fortes pra lidar não só comigo, mas com a vida em si.


Música do dia: Lil Peep - Star Shopping

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