São tempos insensíveis,
Onde a rosa nasce na terra
E na terra ali se dele!
Tempos de concretismo,
De louvor ao tangível,
De apatia ao incógnito!
A Rosa está murcha e seca:
Compra-se uma rosa;
Furta-se uma rosa;
Rabisca-se uma rosa!
Resolve-se o impossível!
É uma rosa; é uma flor!
Ou nem isso ou nem nada!
Nada de perfume doce;
Nada pode ser sentido!
Não mais arrebata paixões!
Não mais de ti lembram!
Não lembras mais amor!
Estás igual a sangue jorrado
Dalgum misérrimo ser ― já foi!
In nomine Rosæ ― nome comum,
Sobrenome comum também!
Os poetas, os romancistas ―
Já não mais batiza suas obras;
Sentem fastio com teu colóquio!
Os lunáticos, estes contigo dialogam!
Mas quem lhes dará ouvido ao que os dize?
Ouço dizerem que há buquê simulacro
De que apaixonados preconizam o amor
Sem sentimentos, apenas concupiscência!
Flor outrora Rosa,
Desprendida do feérico,
Reduzida ao real, telúrica!
Não seguras mais metáforas:
As mãos macias não têm mais tua
Maciez, são apenas mãos macias!
Nem teus espinhos cantam a dor;
São formas pontudas e se espetados,
Vertem apenas palavrões, e sangue!
Teu canto não mais é lembrado;
― Rosas não cantam, nascem
E, vólucres morrem, ignorantes!
Formato rosáceo, seca agora;
Forma limitada, somente flor,
Somente cor, sem mais amor!
Nem mais outras cores,
Outras coisas mais tu lembras!
Está seca a flor, a Rosa ― rosa...
Está seco o peito!
Está seco nosso coração!
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Pétalas Cadentes
PoetryO sentimento de um mundo devastado por suas violências. Embora escrito em 2016 - ano que houve grande repercussão acerca da imigração e dos refugiados de guerra - há poesias que abordam temas, por assim dizer, mais antigos, e, paradoxalmente, tão a...
