I
Sobre os mistérios da vida ―
Que mistérios? Que vida?
Deixai-los como são:
Mistérios!
Do que nos vale
Nosso conhecimento?
Do que nos vale
Todas nossas palavras?
Nossa inútil filosofia, incólume.
Ah que tédio também sem ênfase...
Irmãos meus morrem!
Morrem sempre e nunca
Morrem em minha poesia;
Mas morrem meus irmãos!
Eis o mistério da vida:
Não a morte, mas a vida nossa
De nos alhearmos a tantas mortes
Para atentarmos ao nosso egoísmo!
E ainda quando muito dizemos,
Quase nada parece fazermos.
II
Ah as palavras!
Postas enfileiradas
Lado a lado como soldados
Prontos a irem à guerra, dispostos
A matarem e a morrerem
Por algum bem
Que nem entende bem!
Que nem sabem bem!
Bem, nem sabem,
São tristes palavras,
Dominadas por uma força maior.
Se soubessem
De sua importância em si...
Se soubessem
O que fazem e o que dizem,
Sairiam espavoridas e consternadas
Dos papéis, das telas,
Das placas propagandistas,
Do discurso demagogo!
Até mesmo da carda boca,
Envergonhadas com que
Delas fazem e dizem!
III
Mas tristes são as palavras,
Tão vilãmente escravizadas,
Sem domínio algum sobre si.
Mas assim como as usam para a cura,
As usam como poderosa arma mortífera.
Tristes as palavras
Sob nosso domínio que,
Pouco domínio nós temos
Com as ledas palavras,
As usando de forma triste
Para o nosso egoísmo.
Ah! tristes de nós...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Pétalas Cadentes
PoesiaO sentimento de um mundo devastado por suas violências. Embora escrito em 2016 - ano que houve grande repercussão acerca da imigração e dos refugiados de guerra - há poesias que abordam temas, por assim dizer, mais antigos, e, paradoxalmente, tão a...
