42 - Ela

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Os dias passam mas a minha mágoa não, é difícil esquecer que Eric me virou as costas e ele parece aceitar bem a sua punição porque não tem aberto a boca e trabalha como um louco no projeto. Amelie tem se encarregado da decoração da casa em Nova York e eu tenho dedicado cada minuto ao trabalho, não impeço Eric de estar presente nas ecografias mas nada mais que isso, na segunda ele encheu o meu quarto com flores, ontem tinha uma enorme embalagem no quarto, desta vez era uma caminha de bebe muito lida, ele vai ter de se esforçar mais que isso. esta noite tenho um jantar com um dos responsáveis pelo sistema de segurança do meu projeto, na verdade não era necessário estar com ele fora daqui mas o homem é lindo e Eric detesta-o então vou fazer com que morra de ciúmes, mesmo que eu também odeie o homem. Mesmo grávida coloco saltos e um vestido sensual, faço questão que que Eric me veja sair para o restaurante, eu tenho alguns meses para o fazer rastejar antes do bebe nascer. Quando regresso ao castelo já é tarde e todos dormem, de longe vejo luz no ginásio e a medida que me aproximo reconheço a silhueta do meu marido, pobre saco de boxe, não vai durar muito tempo, fico a admira-lo, quero que o meu filho ou filha seja tão lindo como o pai, que tenha o mesmo sorriso, que seja leal ao seu trabalho como Eric. O suor escorre pelo seu corpo, é uma imagem bem sensual, podia ficar aqui toda a noite mas estou a fim de o tirar do sério, ainda mais quero dizer...

- Boa noite!

- Para quem? Para mim? - Ele para de bater no saco e olha para mim de cima a baixo.

- Estava a ser educada, de qualquer forma sim é uma boa noite para mim.

- Como foi o jantar com o armário russo?

- Bom, temos muito em comum. - É mais o oposto e eu detesto aquele homem.

- Então ele também é casado?

- Não! - Nem sei se é mas vou aproveitar para o enervar ainda a mais.

- Mas tiveram tempo para falar disso, que mais confidências ele fez?

- Algumas.

- Ok é de propósito certo? Mas tu és minha mulher e esse o meu filho porra Shannon eu não vou aguentar, merda! - Ele aponta o dedo na minha cara e explode de raiva, bem feito.

- Bom eu vou dormir até amanha.

Viro costas e faço um enorme esforço para não rir, ele estava prestes a fazer uma loucura, ótimo agora ele começa a entender. Retiro os sapatos e vou até ao espelho, a minha barriga agora é visível, passo a mão nela, é tão estranho saber que um pequeno ser está aqui e depende somente de mim. Ainda tenho medo do que virá com o seu nascimento, não estou preparada mas já o aceitei e prometo dar tudo para que seja feliz e saudável. Como todas as noites adormeço a ler livros sobre a gravidez e bebes, tenho aprendido muito mas ainda há muito a descobrir, levanto bem cedo mas hoje não me sinto capaz de sair da cama, pela primeira vez na vida sinto-me doente e sem forças, infelizmente Jéssica não está porque teve assuntos a tratar na América então aqui estou eu sozinha e mal, são nove da manhã...

- Estás bem?

- Mais ou menos. - Sinto uma má disposição horrível.

- Tu nuca ficaste na cama ou doente, se estás aqui a esta hora é porque algo se passa e eu estou aqui.

- Eu estou cansada, enjoada...

- Queres que ligue ao médico?

- Quero dormir apenas.

- Tudo bem passo aqui mais tarde com algo para comeres, se precisares de mim liga.

Descanso o tanto quanto posso, como pouco mas o suficiente e embora Eric continue a rondar o quarto eu recupero como posso e no dia seguinte estou de pé pronta a trabalhar, o médico impedia-me de treinar então o que me resta é trabalhar e o projeto avança a todo o vapor, decido passar o dia com os soldados e falar com cada um separadamente, quero ouvir as suas ideias, opiniões... é um projeto para eles e quero que de certa forma participem nisto, sinto que eles me veem um pouco como a grande chefe e salvadora da pátria e não é esse o objetivo, quero apenas fazer algo por eles para depois levar a minha vida tranquila. A barriga cresce a olhos vistos e Amelie tem sido uma grande ajuda, enviei um cartão de crédito e ela tem carta branca para decorar a minha casa o problema é que ela não me envia fotos, diz que é surpresa. As obras estão a um bom ritmo, pelo menos as casas estão quase todas prontas e ainda bem porque o tempo voa e estou no sexto mês de gestação. Taylor aceitou ficar no cargo de Direcção quando eu partir, ele merece por tudo o que fez por mim e Jenny estará a seu lado claro, saio do escritório para ir ao ginásio, os treinos seriam alterados de acordo com os nossos objetivos, agora já não serão mercenários mas sim futuros agentes especiais, David e Eric informam as novas diretivas e o grupo ouve atentamente. Quando me veem fazem uma vênia, que exagero...

- Boa tarde a todos e por favor parem com esse tipo de cumprimento militar, um simples bom dia é suficiente.

- Bom as informações estão dadas, amanhã começamos o novo programa, eu e David estaremos presentes para gerir tudo.

David continua com o grupo e Eric acompanhar-me para ver o resto das obras...

- Exelente, eu vou tentar ver se alguém me deixar dormir em condições.

- Ela tem estado agitada? - Passo a mão na barriga e ela responde com um pontapé.

- Muito, vai ser uma daquelas crianças que não para.

- Vou dobrar os treinos para correr atrás dela e David diz que vai fazer segurança na porta de creche. - Ele é um idiota mas um pai muito babado.

- Vocês são malucos e exagerados.

- A ordem das coisas está errada. - Ele para e olha para a minha barriga de forma engraçada.

- Explica-te!

- O nosso primeiro filho deveria ser rapaz para depois tomar conta da irmã.

- Tão machista Eric. - Continuo a andar e ele segue-me.

- Mas a ideia de outro filho está de pé?

- Eu nunca disse que não queria ter filhos, vários na verdade mas não significa que sejam teus.

Oblívio - A EscolhidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora