44 - Mãe

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Faltam quatro semanas para o nascimento da minha filha, Eric tem sido um amor tal como todos os outros, o projeto está quase terminado mas Taylor terá de assumir o final sozinho com David que prometeu ajudar. Eric é insistente e pede que descanse todos os dias, eu sei que ele tem razão mas sei que depois ficarei em casa por um bom tempo. Saio do carro e entro na clínica para a minha última ecografia antes do parto, Eric está mais nervoso que eu...

- Bom dia Shannon como tem passado estes dias?

- Bem, um pouco farta de estar assim mas sei que está quase.

- Na verdade ela não para de trabalhar doutora. - Nem olho para ele porque fico tão irritada que não ficarei calada se os nossos olhos se encontrarem.

- Sente-se para vermos essa menina.

Deito na maca e sinto o gel frio no ventre, olhamos para o ecrã para confirmar que ela está bem viva e enorme...

- Parece estar tudo bem mas terá de parar porque demasiado trabalho vai certamente acelerar o parto.

- Vou tentar doutora. - Dou um olhar mortal a Eric que sorri vitorioso.

Levanto e sinto água escorrer nas minhas pernas...

- Shannon você acaba de perder as águas vou chamar a ambulância para irmos direitos ao hospital.

- Mas ainda é cedo.

- Ela está formada, não há qualquer risco se nascer agora, acredite em mim.

As contrações vem cada vez mais fortes, para além de serem menos espaçadas. Preciso controlar a minha respiração e Eric que está visivelmente nervoso, engraçado ver como um ser tão pequeno causa o pânico geral, lá fora na sala de espera está a família de Eric tal como Taylor e Jenny. Durante horas eu perco todo o raciocínio, as dores, o calor, os nervos, tudo junto começa a ser demasiado mas no final ela nasce linda e saudável, não é gordinha e não tem um fio de cabelo mas é cara chapada do pai babado. Só no dia seguinte tive visitas, a família e os amigos traziam presentes e flores para nós dias, rapidamente o quarto ganhou decoração Rosa. Ir para casa era assustador, agora eu tinha a minha filha sob minha responsabilidade e poucas ideias de como gerir uma família nunca tive uma então sei que vou errar muito. Eric estava atento a cada movimento meu, não por falta de confiança mas porque também ele queria aprender a ser pai.

Seis semanas depois...

Estou a dar em louca, finalmente os horários de Márcia estão regulados mas eu não fui feita para ser dona de casa, preciso da responsabilidade, da adrenalina, do stress que o trabalho e as missões sempre me trouxeram, amo a minha filha, estou rendida a sua beleza mas queria trabalhar enquanto ela dorme, podia tratar de alguns documentos e trabalhar em casa mas Taylor foi intimidado por Eric e não me deixa sequer falar do projeto. Ninguém entende eu não sou mulher de ficar a passar a ferro ou cozinhar, dona de casa é algo que eu nunca serei então estou a tentar convencer o meu marido de que preciso fazer desporto e bem isso ele aceita...

- Eric preciso de me mexer, queimar calorias e neurônios.

- Que mulher teimosa, não!

- Podes ficar com Márcia uma hora enquanto faço ginásio. - Não fazer desporto não é opção.

- Eu trabalho querida.

- O teimoso és tu, ouve o que estou a dizer. Eu só peço uma hora.

- Tudo bem, uma hora e nada mais, Márcia precisa de ti. - Olho para ele e percebo qual o real problema.

- Acho que quem precisa de mim és tu!

- E se eu não souber o que fazer?

- Vais saber e em último caso, repito em último caso podes telefonar -me.

Quando regresso a casa encontro os dois a dormir, tão bonitos que fiquei um bom tempo a admirar a paz dos dois. Eu estava satisfeita com o treino, aquela era eu, sempre ativa. Depois de muito conversar Eric aceita finalmente que volte a fazer ginásio duas horas por dia e seis meses depois aqui estou eu pronta para o meu primeiro dia de trabalho, treinado de forças especiais? Estava longe de me imaginar em tal posição, aliás estava longe de me imaginar com uma família, filhos, casa, trabalho... Uma vida normal e tudo graças a um homem que amo como uma louca.

Três meses depois...

Saio do trabalho e passo em casa dos meus sogros, Amélie era uma avó babada que dedicava a sua reforma a neta e eu agradeço por isso pois estou tranquila sabendo qua Márcia está em boas mãos. Eric estava numa missão na Alemanha e eu aproveitava para desfrutar da minha pequena só para mim, ela era a cara chapada do seu pai e eu amava o fato de poder matar saudades dele ao olhar para ela. Entro em casa de Amelie e vejo a minha pequena no colo do tio babado, David tinha voltado a viver na cassa dos pais depois de se separar da namorada, era mais um membro da família a babar pela minha menina...

- Como correu o dia?

- Bem como sempre mas ela tem uma queda pelo tio e as suas palhaçadas.

- Ela tem comido bem? - Pego-a ao colo e beijo as suas bochechas fofas.

- Adora a sopa mas os iogurtes de morango nem por isso.

- Eric também não gosta de morangos, não podiam ser mais parecidos.

- Por falar nele já o contactaste hoje? - A minha sogra fica sempre aflita quando ele viaja em missões.

- Eu prefiro ser ele a faze-lo, não quero atrapalhar o seu trabalho. Faz somente dois dias que não nos falamos talvez esteja infiltrado.

- Mãe ele é crescido, fica tranquila. - David junta-se a nós na cozinha e ajuda-me a arrumar as coisas da Márcia na mala dela.

- Só acho que depois de ser pai devia deixar de trabalhar no terreno.

- Bom eu vou embora para tratar da minha princesa, até amanhã.

Oblívio - A EscolhidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora