Capítulo 4

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Acordo com meu alarme tocando. Toco no ombro de Alice pra tentar acordá-la. Tentativa falha.

"Alice", empurro novamente e ela resmuga alguma coisa inteligível.

"Eu vou sair pra correr, ainda são 5 da manhã, pode continuar dormindo", falo e troco de roupa, prendendo meu cabelo num rabo de cavalo.

Dou duas voltas no quarteirão e volto para casa indo direto para o banho. Coloco minha roupa do dia-a-dia e quando vou ao quarto para acordar Alice, ela não está mais lá.

Chego na cozinha e ela está sentada conversando com minha mãe.

"Bom dia, flor do dia", diz Alice com o cabelo todo embaraçado e a cara amassada.

"Bom dia, princesa", me aproximo e dou um beijo nela e em minha mãe.

"Vou procurar alguma roupa sua pra eu usar", ela diz deixando sua caneca na mesa e subindo as escadas.

"Dormiu bem?", minha mãe pergunta com os olhos vidrados no celular.

Minha mãe gosta mais da minha melhor amiga que eu, eba.

"A Alice me exprimiu na cama, mas eu tô bem", digo sorrindo e pegando uma torrada na torradeira.

"Você tem treino hoje?"

Estranho ela estar tão interessada em mim.

"Tenho, mas hoje só vai até 15:00", dou uma mordida na torrada.

Quando sento na mesa ela abaixa o celular e olha pra mim.

"Você vai assim?", ela diz olhando pra minha roupa, mais especificamente, para minha blusa

"O que tem de errado?", pergunto confusa e dou um gole no café.

"Esse decote é muito grande para ir para escola, chama a atenção dos garotos"

Começo a rir.

"Sério isso? Eu tô pouco me fodendo para os garotos!", falo ainda rindo.

"Isso são modos de falar com sua mãe?", ela fala brava e se levanta saindo da cozinha.

Ok, a conversa até que durou.

•••

Vou para a sala de biologia e Caio está sentado em um dos balcões.

"Aqui é a sala do 2° A, tu sabe né?", falo me sentando no balcão atrás da dele.

"Sei, reprovei em biologia ano passado e vou ter que fazer de novo"

"Ah sim, já tem dupla?", falo mas me arrependo. Odeio ter que fazer trabalhos em dupla, sempre sobra tudo para mim!

"Na verdade não, quer fazer comigo?", ele pergunta e eu assinto me repreendendo internamente.

Pego minha mochila e coloco em cima do balcão, sentando no banco ao lado do dele.

"Tu tem quantos anos?", pergunto.

"18, você?"

"17, mas daqui a 2 meses faço 18, graças a Deus", falo dramaticamente.

"Não se anima muito, você acha que vai ser livre mas não muda basicamente nada", ele fala sorrindo.

"Se eu tiver 18, pelo menos vou poder ir pra bem longe daqui"

"Você não gosta da cidade?", ele pergunta franzindo a sobrancelha.

Que gracinha, a sobrancelha dele é arrumadinha. Por que eu estou olhando pra sobrancelha dele? Tento lembrar a última pergunta dele.

"Na verdade, não gosto das pessoas aqui, quero poder sair da casa da minha mãe o mais rápido possível".

"Hm, vai morar com seu pai?", ele coloca o cotovelo no balcão e se apoia na mão.

"Deus me livre, ter que aguentar meu irmão 24 horas por dia", falo rindo e ele ri também, "Por isso quero ir pra faculdade, ter mais independência e sem pais por perto", explico.

"Fora as festas de arromba das faculdades", rio junto e o professor chega.

•••

Vou para o meu treino depois da aula e avisto Débora.

Débora é uma das minhas melhores rivais. Competimos desde os 12 anos, antes éramos melhores amigas, até ela resolver que a corrida era mais importante que minha amizade e parou de falar comigo.

Mas a verdade é que eu me tornei uma ameaça pra ela. Antes eu era só mais uma corredora, mas quando fiz 14 anos, me tornei uma das melhores e ganhei 4 prêmios de 1° lugar no mesmo ano.

Ela vem na minha direção e eu já reviro logo os olhos, sabendo que nada de bom pode acontecer vindo dessa conversa.

aperta na estrelinha sz •

Someone To YouOnde histórias criam vida. Descubra agora