Capítulo 47

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Estou atravessando o hospital apressada procurando o quarto que minha está. Quando meu pai me ligou dizendo pra eu vir pra cá depressa, não pensei duas vezes.

"Aonde é o quarto 206?", pergunto para uma enfermeira, que aponta para o corredor atrás de mim, desinteressada.

Olho para os números fixos em cada porta à procura do quarto então vejo meu irmão saindo de um deles e corro até ele.

"Cadê a mamãe? Ela está bem?", pergunto e ele só abre a porta do quarto para mim.

Vejo minha mãe deitada em sua cama olhando para uma revista e meu pai está sentado em uma poltrona ao seu lado.

"Mãe...", digo em um sussurro.

Ela nota minha presença e abre um sorriso fraco, "Oi filha", ela diz soltando a revista em seu colo e abrindo seus braços pra mim. Corro até ela e a abraço, "Ficou preocupada, foi?"

"Fiquei", digo ainda sem soltá-la.

"Eu te amo, sabe disso?", ela pergunta e eu confirmo com a cabeça.

"Também te amo", ela recua a cabeça e limpa uma lágrima que escapou.

"Eu tô bem. Tô viva e estou bem, não precisa chorar", ela diz e eu me separo de seus braços e me viro para meu pai.

"A cirurgia foi bem?", pergunto.

"Sim, vai ter que ficar 2 semanas de repouso mas ela está bem"

"Graças a Deus. Não vou ter que olhar pra cara daquela Vanessa do trabalho por duas semanas", minha mãe diz olhando pra revista como se tivesse só pensado naquilo, não realmente dito.

"Ela ainda está meio grogue por causa da anestesia", meu pai sussurra quando percebe que estou olhando para minha mãe.

"Então ela está sem filtro?", pergunto me divertindo com a situação.

Interessante... Então eu posso perguntar qualquer coisa e ela vai dizer o que realmente pensa, pela primeira vez na vida.

"Basicamente", ele percebe minha intenção, "Não se aproveita dela, ela está vulnerável Cat", ele diz com um tom de alerta mas consigo ver a sombra de um sorriso.

"Eu nunca faria isso, pai!", digo como se estivesse ofendida, "Você acha que eu me aproveitaria da vulnerabilidade dela para minha própria diversão? Calúnia!", meu pai revira os olhos - mesmo eu sabendo que ele está rindo por dentro - e se senta novamente na poltrona.

Fico olhando minha mãe e finalmente um peso é tirado de meu coração. Ela está bem.

Sinto meu estômago roncar e só então percebo que já são 9 da manhã e eu não comi nada desde ontem à noite na festa. Saio do quarto dando uma última conferida na minha mãe e deixo os dois sozinhos e vou à procura de uma máquina que venda salgadinhos ou coisa do tipo.

Passo por Samuel que está com um saco de Fandangos aberto em sua mão.

"Ah, graças a Deus", puxo o saquinho de sua mão e enfio um punhado na minha boca.

"Ei, esse era meu!", ele protesta enquanto eu finjo que não estou ouvindo.

Ele tenta tirar de minha mão e ficamos brigando até eu olhar de relance pro lado e perceber alguém olhando pra gente. Não alguém, Caio. Eu paraliso e Samuel se aproveita pra tirar o salgadinho da minha mão, isso até ele perceber a presença de Caio.

"O que você está fazendo aqui?", ele rosna.

Caio olha para Samuel e depois para mim, "A gente pode conversar?".

Eu ainda olho confusa pra ele e então me dou conta de que ele está falando comigo e balanço a cabeça negativamente, "Não, o que você está fazendo aqui?", repito a pergunta que Samuel fez anteriormente.

"Você me ligou falando sobre hospital e eu só ouvi hoje quando acordei, fiquei preocupado", ele diz e olha um pouco mais para baixo do que meus olhos, "Esse é meu moletom?", ele pergunta.

Eu estava tão desesperada quando meu pai me ligou que não pensei em trocar de roupa. Quando tento dizer alguma coisa, as palavras não saem, fico apenas com a boca aberta que nem uma idiota olhando para o moletom depois para Caio e depois para o chão.

Agora é a vez de Samuel falar.

"Você ligou pra ele?", ele diz me julgando com o olhar.

"Sua mãe está bem?", pergunta Caio e eu assinto com a cabeça, "Catarina, por favor, vamos conversar", pede de novo.

"Não, ela não vai a lugar algum", Samuel responde por mim e eu olho feio pra ele.

"Eu não acho que seja uma boa ideia", digo para Caio.

Samuel o olha com um sorriso arrogante.

Não acredito que estou no meio dos dois de novo, queria poder me dar um soco no rosto por ter ligado para Caio.

"2 minutos. Te prometo", Caio insiste.

"Sua promessa não vale de nada", Samuel diz e eu estendo a mão para ele parar.

"Tá, deu", digo e pego na mão de Caio o puxando para um corredor vazio, "Você tem 2 minutos."

Pode parecer uma besteira, mas me arrepiei só de pegar em sua mão.

"Tá", ele diz surpreso, como se não achasse que fosse me convencer tão fácil, "Eu sei que você não quer nada comigo e não acredita em nada do que eu digo, mas...", ele olha pra baixo, "Eu te amo"

Solto um suspiro de susto, que audácia! Quase viro pra ir embora mas ele segura meu braço. 

"Desculpa falar assim, mas é verdade! Eu te amo, e não sei como você pode duvidar disso", ele continua com sua mão em meu braço.

Suas olheiras estão fundas...

"Talvez seja por que você mentiu pra mim durante todo o nosso 'relacionamento'.", ironizo.

Eu já deveria ter ido embora mas eu quero sentir seu toque. Só mais um pouco, prometo pra mim mesma.

"Eu sei que menti pra você e falei coisas que me arrependo", seus olhos brilham, "E eu não quero mexer com seus sentimentos nem nada do tipo, mas...", ele olha no fundo dos meus olhos, "Se você me ama, ou... Já me amou... Por favor, pensa nisso. Pensa na possibilidade da gente voltar?", ele diz mais como uma pergunta do que como uma afirmação.

"Não é fácil assim", digo baixinho.

"Eu sei e me desculpa por fuder tudo entre nós, mas eu te amo. E você disse que se sentiu culpada por beijar o... Marcos", ele engole seco, "Então pensa: Seria tão ruim se a gente voltasse? Eu te amo, você me ama..."

Por algum motivo eu acredito quando ele diz que me ama.

"Só amor não é suficiente", digo por fim e dou as costas.

"Mas pensa nisso, tá?", ele diz e eu olho por cima dos ombros e aceno com a cabeça que sim.

"Vou pensar", seus olhos se iluminam, "Mas não prometo nada", saio dali quase correndo pra voltar para o quarto da minha mãe.

Não sei nem o que pensar. Eu sou burra? Ou realmente fiz certo em dar a ele pelo menos uma chance pra ele?

gente, não falem mal,
CONFIEM EM MIM

ou não

a maratona começa
amanhã! ansiosos?

Someone To YouOnde histórias criam vida. Descubra agora