"Você beijou ele?", Alice grita e eu dou um tapa em seu ombro, quase caindo da cama para trás, "Ai!"
"O Samuel tá no quarto ao lado", brigo com ela, "Mas sim, eu beijei ele e me arrependi"
"Por que se arrependeu? Ele beija mal?"
"Não, não é isso, é que...", cruzo minhas pernas e olho para baixo, "Não foi a mesma coisa do que com o Caio", digo baixinho.
Alice me dá um peteleco na minha testa, "Ai!"
"É claro que não vai ser a mesma coisa do que com o Caio! Vocês tinham sentimento e toda essa baboseira. Você não conhece o Marcos nem há 12 horas!"
"Faz sentido...", digo.
"É claro que faz, sou eu que tô falando", ela diz e eu dou uma risada, "Que foi? É verdade!"
"Aham", digo revirando os olhos, "Vamos dormir", deito na cama me cubrindo até à cabeça.
Rolo na cama para tentar dormir mas não adianta, acabo desistindo meia hora depois e pego meu celular.
Uma ligação da minha mãe.
"Oi", digo sonolenta.
"Bom dia, Catarina Martins?", uma voz um pouco robótica fala, parece de uma recepção pelo barulho de fundo.
"Ahn... Sim, quem é?", pergunto estranhando.
"Aqui é do hospital Santa Cruz. A Vera Oliveira sofreu um acidente", minha mãe. Me levanto rapidamente, "Você e André Martins são o contato de emergência mas ele não está respondendo nossas chamadas."
"Meu Deus, ela... Ela tá bem? O que aconteceu? Eu posso falar com ela?", pergunto desesperada.
Me levanto com o celular apoiado entre o ombro e a cabeça e tento me vestir mas minha cabeça não está conseguindo raciocinar. Alice ainda dorme intacta, mesmo com todo o desespero e mesmo eu derrubando tudo que vejo pela frente no chão
"Peço que a senhorita mantenha a calma, qual o seu parentesco com ela?", a mulher pergunta.
"Eu sou a filha dela... O André é o meu pai", digo tentando colocar uma calça só com uma das mãos.
"Você é menor de idade?"
"Sim, tenho 17", digo colocando um tênis.
Não sei nem porque já estou me vestindo, tenho que avisar meu pai primeiro mas meu corpo está agindo por conta própria.
"Eu estou indo para aí com meu pai", digo e desligo na cara da mulher.
Atravesso o corredor da casa rapidamente e espanco a porta do quarto do meu pai.
"Pai! Abre a porta, por favor! É uma emergência!", grito.
"Que foi, Catarina?", olho pra trás e ele está em pé atrás de mim assustado, "Por que você está vestida assim?"
Olho para baixo e percebo que estou com tênis de pares diferentes, uma calça moletom cinza e um casaco rosa. Nada está combinando mas no momento eu não ligo.
"A mamãe... Ela", digo e começo a chorar, "Por que você não atendeu seu celular?"
"Catarina, o que aconteceu?"
"A mamãe sofreu um acidente, está no hospital."
•••
"Como assim não podemos ver ela?", meu pai briga com a recepcionista.
"Senhor, como eu já disse, ela está passando por uma cirurgia agora e assim que possível vocês verão ela", ela diz com calma.
Deve receber muitas pessoas agitadas por aqui.
Sento em uma cadeira em frente à mesa da recepcionista e abaixo a cabeça entre meus joelhos.
"Cat", meu pai se abaixa na minha frente, "Vai pra casa", ele estende a chave de seu carro.
"Não. Eu vou ficar aqui até eu poder ver ela", digo firme.
"Filha", ele passa as mãos por meus cabelos, "Você ficar aqui não vai fazer ela se recuperar mais cedo. Você precisa descansar. A Alice já está indo pra casa da sua mãe".
Fungo o nariz e seco as lágrimas com as costas da minha mão.
•••
"Oi, seu pai me contou", Alice se deita comigo e me abraça por trás.
Não respondo nada e ficamos em silêncio, não consigo dormir mas sinto a respiração da Alice pesar atrás de mim. Me livro de seus braços e volta de mim.
Decido trocar de roupa agora que estou com mais calma e não tem nada que eu possa fazer.
Reviro meu guarda roupa e acho um moletom que não é meu. É o moletom de Caio que ele me emprestou quando saímos para comer pela primeira vez e eu nunca devolvi. Tiro o casaco que estou vestindo e coloco seu moletom. Foda-se se não é saudável, aperto ele contra meu peito e sinto seu cheiro.
E se minha mãe não ficar bem? E se minha mãe não conseguir sobreviver? E se eu ficar orfã de mãe?
Quando me dou conta o número de Caio já está discado em minha tela. Ele não atende, até por que são 5 da manhã. Ouço a assistente eletrônica falando e ouço o 'bipe'.
"Caio... Oi... Eu...", começo a chorar, "Por que você tinha que fuder com tudo? Por que? Eu... Eu... Eu realmente achei que você me amava. Ou pelos menos gostava de mim... Você já me amou? Eu fico pensando em nós dois e... Na minha mãe... E se ela morrer? E se ela não sair viva daquela mesa de cirurgia?", digo com o sofrimento claro em minha voz, "E com tudo isso na minha cabeça meu pensamento continua voltando pra você! Por que, Caio? Por que mesmo com tudo acontecendo eu ainda pego seu casaco pra sentir seu cheiro? Por que eu fico me sentindo culpada por beijar o Marcos sendo que eu que terminei com você?", limpo minha garganta, "Por que eu sinto tanta sua falta?", pergunto baixinho e o tempo acaba, encerrando a minha mensagem de voz.
Me arrasto até o quarto da minha mãe e deito em sua cama, lembrando de quando eu ficava com medo e ela falava que o cobertor dela era mágico e me protegia de qualquer coisa que acontecesse, e ficávamos nós duas debaixo da coberta.
Pego no sono.
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não sei o que falar ent
vou falar sobre a mara-
tona:
vcs preferiram 8 capí-
tulos em dois dias, vai
acontecer provavelmen-
te essa semana mas eu
preciso de uns dias pra
me preparar, então...
se eu sumir ou ficar um
tempo sem responder os
comentários é por isso :)
não esqueçam de votar
pq esse cap. foi tenso
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Someone To You
Ficțiune adolescențiCatarina é uma adolescente de 17 anos que odeia adolescentes de 17 anos, e no 2° ano do ensino médio a única coisa que ela realmente quer é se formar e acabar com esse inferno. 01 de maio de 2020 - 16 de novembro de 2020. Revisada em 15 de maio de 2...
