"Você deveria voltar com o Samuel...", digo para Alice que me olha assustada.
"O que?"
"É sério. Tipo, era um pouco estranho no começo porque eu achei que as coisas fossem mudar mas vocês continuam dois bestas que brigam pelo último pedaço de pizza.", rio, "Ele te ama muito, vocês são fofos juntos"
"Eu realmente amo ele", respira fundo, "Mas com tudo que está acontecendo na minha vida, acho melhor a gente dar um tempo.", olha pra mim, "Mas obrigada por falar isso, acho que vou conversar com ele depois"
Assinto.
"Cat...?", Alice me chama, "Como você se sente tendo 18 anos e um dia?", dou de ombros.
"Normal. Até que dormir no quintal não foi tão ruim, né?"
"Tirando o fato que minha escoliose entortou 7 centímetros pra direita depois de dormir naquele colchão, é, não foi tão ruim", ela terminando de arrumar o quintal.
"Você vai entrar?"
"Não, eu preciso ajudar a minha mãe", se lamenta.
"Você precisa de ajuda com alguma coisa?", pergunto.
Seus olhos se iluminam como se ela tivesse tido uma ideia brilhante.
"Na verdade, eu tenho uma coisa em mente..."
•
"Não era bem isso que eu quis dizer quando perguntei se podia te ajudar...", Alice me entrega uma mochila colorida, "Alice, você sabe que eu sou péssima com crianças!", falo baixinho, mesmo com Carol entre nós duas conseguindo ouvir tudo.
"Você dá um jeito, a Carol é tranquila e sabe se virar sozinha", ela diz se afastando.
"Alice, volta aqui!", grito, "Não ouse entrar nesse carro!", grito pra ela que dá um sorriso nervoso e entra no carro, "Vaca!", grito e olho para criança em meus pés, "Desculpa".
"A Alice já disse coisas piores na minha frente", a menina diz dando de ombros e pegando sua mochila de minhas mãos.
"Tá, então...", digo observando o carro da Alice se afastar, na esperança de dar meia volta, o que ela não faz, "Vamos entrar".
Entramos em casa e Carol se senta no sofá, balançando suas perninhas que mal encostam no chão.
"E aí...", me aproximo, "Você quer... brincar de massinha, ou sei lá...?", sugiro sem saber o que ela gosta.
"A gente pode brincar de Barbie?", ela pergunta abrindo sua mochila e se sentando no chão em frente ao sofá.
"Claro", me sento ao seu lado, "Quem eu vou ser?", pergunto.
"O Nícolas", ela me entrega um boneco.
"O nome dele não é Ken?", pergunto olhando o boneco em minha mão, "Por que Nícolas?".
"Nícolas é o nome do meu namorado", a menina diz espontaneamente, pegando uma boneca.
"Namorado? Você tem quantos anos, cinco?", digo e ela me olha com se estivesse ofendida.
"Seis!", me corrige, "Você namora?", ela pergunta arrumando o cabelo de sua boneca.
Engulo seco.
"Namorava, mas não namoro mais".
"Por que não? Ele era feio?", ela pergunta baixinho.
"Não, ele era lindo", dou um sorrisinho pra ela.
"E vocês se amavam?", ela inclino a cabeça para o lado de um jeito adorável, "Eu não amo o Nícolas porque só tenho 6 anos, mas eu gosto quando ele divide metade do seu bolo comigo no intervalo", ela sorri.
"Sim, Carol. A gente se amava"
"Então por que vocês não estão juntos?"
"É complicado... Então, que blusa você acha que fica mais bonita no boneco do Nícolas?", mudo de assunto rapidamente antes que comece a chorar que nem um bebê e uma criança de 6 anos vá me consolar.
Já se passaram aproximadamente 50 minutos que estamos brincando, até Carol já enjoar das bonecas e começar a dar uma volta pela minha casa. Eu já estou rendida, largada em meu sofá.
"Eu posso ficar com isso?", ouço sua voz doce e não viro a cabeça, apenas espero ela aparecer em meu campo de visão.
"Da onde você tirou isso?", arranco o ursinho que Caio me deu de sua mão.
"Tava em cima da mesa", ela diz.
Eu ia perguntar algo mas esqueço quando ouço a porta se abrir.
"E aí, ela deu muito trabalho?", Alice pergunta e eu escondo o ursinho nas minhas costas.
"Foi tranquilo", pisco para Carol que pisca de volta, com dificuldade.
"Carol, recolhe seus brinquedos", Alice manda e a menina o faz, "Amiga, você me salvou, obrigada", ela me abraça.
"Oi meninas", minha mãe passa pela porta de entrada com duas sacolas em suas mãos, "Vocês vão jantar com a gente, Alice?".
"Hoje não, tia, deixa pra próxima", ela dá um beijo na bochecha da minha mãe, "Vejo vocês por aí", ela segura Carol pela mão e elas saem.
Fico encarando o ursinho. Eu tinha o jogado no lixo, não tinha? Ou estou ficando louca e meu corpo não obedece mais meus comandos?
"Ah, você viu? Esse ursinho estava no lixo junto com um envelope. Achei que você tivesse colocado ali por engano, então tirei", minha mãe diz quando percebe que estou encarando o urso, "Sua sorte foi que o lixo estava vazio, então não sujou nada".
"A carta", me levanto, "Aonde está?", pergunto e ela aponta para a mesa de jantar.
"Vou fazer macarronada para o jantar, o que acha?", minha mãe pergunta e eu murmuro um 'Pode ser', quando subo as escadas com a carta na minha mão.
Entro no meu quarto e me sento em minha cama. Encarando a carta sem coragem para abrí-la.
'Você tem que dar uma chance dele se explicar', meu subconsciente diz.
Respiro fundo, sentindo o cheiro de Caio invadir minhas narinas e tiro a carta do envelope.
●
essas crianças de
hoje em dia, viu...
se preparem pq o
próx cap é a própria
definição de tombo.
(EU c h o r e i
escrevendo ele)
apertem na estrelinha sz
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Someone To You
Teen FictionCatarina é uma adolescente de 17 anos que odeia adolescentes de 17 anos, e no 2° ano do ensino médio a única coisa que ela realmente quer é se formar e acabar com esse inferno. 01 de maio de 2020 - 16 de novembro de 2020. Revisada em 15 de maio de 2...
