Nos separamos quando ficamos sem ar.
Sorrio pra ele sem mostrar os dentes, observando cada cantinho de seu rosto escultural.
"Então...", ele começa olhando pra paisagem.
"Então...", repito.
Ficamos ali sem falar nada por uns minutos, mas não um silêncio incômodo, um silêncio reconfortante. Eu e ele, sentados juntos e olhando a praia.
"Eu... preciso ir", ele se levanta e eu me levanto junto, "Quer que eu te leve na sua casa?", ele pergunta.
"Não, mas seria uma honra você me levar até meu condomínio", sorrimos um para o outro e vamos pra casa.
"Então, por que tá com a mesma roupa de ontem?", pergunto quando chegamos na metade do caminho.
"Dormi na casa do Marcos, tô indo pra casa só agora", ele diz.
"Seus pais não se preocupam, não?"
"Meu pai não liga muito pra isso", ele fala casualmente.
Murmuro um "ah".
Fico em silêncio e ele também.
"Eu não tenho seu número", eu finalmente digo quebrando o gelo.
"Ah, me dá aqui", ele enfia sua mão dentro do bolso do meu casaco e tira me celular. Pega meu dedo e posiciona no botão de digital e o celular desbloqueia e ele coloca seu número, "Que música você tava ouvindo antes de falar comigo?", ele pergunta e nós dois colocamos o fone.
A música começa a tocar.
Bored - Billie Eilish
"Nossa, que música triste", ele diz e eu não consigo segurar meu riso.
"É emocionante", corrijo ele.
"Não sei como consegue correr ouvindo isso. Eu corro ouvindo funk mesmo", ele ri e eu também.
"Minha playlist é muito diferenciada", eu mostro pra ele.
Michael Jackson, Ariana Grande, Henrique & Juliano, Matheus & Kauan, Billie Eilish...
"Isso que eu chamo de ser aleatório", ele diz rindo, "Bem, é aqui", paramos na portaria do meu condomínio.
"Sim, bem, obrigada por me trazer aqui", nós nos damos um abraço desajeitado e quando desfazemos nos olhamos, "Foda-se", puxo ele pra um beijo, o que é um pouco mais difícil em pé já que ele é mais alto que eu.
Saio sorrindo que nem boba e chego em casa.
Samuel está na cozinha e eu me sento no balcão atrás dele.
"O que você quer, Catarina?", ele pergunta.
"Eu não disse nada", levanto as mãos em rendição.
"Mas se você tá aqui então quer alguma coisa", ele fala mexendo na geladeira.
"Quero que você consiga me olhar nos olhos!", ele fecha a porta da geladeira e se vira olhando pra mim.
"Você traiu minha confiança", ele diz.
"Sério isso? Eu não fiz nada de errado Samuel!"
"Jura? Eu deixei bem claro que não queria você perto dele e meia hora depois você tá se agarrando com ele no armário", ele sussurra.
"Primeiro, aquilo não era um armário, era uma despensa", ele revira os olhos, "Segundo, eu não estava me agarrando com ele, tava interrogando ele pra saber o que aconteceu entre vocês já que você não me conta NADA!", ele balança a cabeça negativamente.
"Se eu não te contei tem um motivo, agora, não mexe com coisa que não tem haver com você. Fica na sua e não chega perto dele!", fala em um sussurro ameaçador.
"Você realmente acha que pode me ameaçar?", desço do balcão, "Você não manda em mim Samuel! Não pode querer mandar em mim. Se você não quer que eu ande com ele me dê um bom motivo. Só um, e eu juro que nunca mais chego perto dele!", falo.
É difícil querer intimidar meu irmão sendo que quando fico em pé bato em seu ombro.
Ele abre a boca mas a fecha e fica em silêncio olhando pra baixo.
"Foi o que eu pensei", saio da cozinha diretamente pro banheiro.
Tomo outra ducha, rápida dessa vez e vou para o quarto e Alice ainda está dormindo.
"Ei!", balanço ela, "Acorda!"
"Que foi?", ela me empurra e vira para o outro lado.
"Eu beijei o Caio!", sussurro animada e ela desperta na hora.
"O que?", ela grita.
"Fala baixo!"
"Mas... Como assim? Você falou que só tinha conversado com ele no armário! Por que não me contou ontem mesmo?"
"Não contei ontem porque aconteceu hoje", ela franze o cenho.
"Como você encontrou com ele?"
"Eu saí pra correr e esbarrei com ele, a gente foi pra praia conversar e daí no nada a gente se beijou", dou de ombros.
"Na beira da praia? Meu Deus, que perfeito!", Alice fala empolgada.
"Eu sei!"
"Ai, ai...", ela se joga na cama olhando para o teto.
"Então, você vai me contar ou não o que está acontecendo?", ela me olha confusa, "Alice, eu te conheço, você não tá bem! Você nem se interessou pela fofoca ontem! Você teve inúmeras oportunidades de descobrir o que estava acontecendo entre o Caio e o Samuel ontem, mas você estava toda aérea e... estranha", me deito ao seu lado.
"Então... Meu pai... Eu acho que ele voltou a bater na minha mãe. Eu não sei... Na sexta-feira eu não voltei com você por que fui até minha casa pra tirar a Carol de lá. Ela é só uma criança e não merece passar por isso e quando meu pai falou que tinha mudado e que não bateria nunca mais na minha mãe eu realmente acreditei, sabe?", ela fala e eu concordo com a cabeça, "Eu só... Não sei o que fazer", ela encara o teto.
"Independente de qualquer coisa, eu vou estar aqui, você sabe disso", seguro sua mão, "Pode dormir quantos dias quiser lá em casa, eu te amo", sorrio pra ela, que retribui.
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Apertem na estrelinhaaaaa
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Someone To You
Genç KurguCatarina é uma adolescente de 17 anos que odeia adolescentes de 17 anos, e no 2° ano do ensino médio a única coisa que ela realmente quer é se formar e acabar com esse inferno. 01 de maio de 2020 - 16 de novembro de 2020. Revisada em 15 de maio de 2...
