Respiro fundo. Tenho que falar de um jeito que dê pra entender que não é nada pessoal, eu tenho que me concentrar e ele não tem nada a ver com isso.
"Você está bem?", ele pergunta depois de eu ficar encarando ele.
"Tô, claro. Eu só... preciso falar com você"
"Tá, sobre...?"
"Nós", ele me encara esperando eu continuar, "Ah, falar isso é muito estranho", apoio minha cabeça nas minhas mãos.
"Eu acho que já sei aonde você quer chegar", ele diz.
"Jura?", falo surpresa, "Bem, isso ajuda"
Estou bem mais aliviada de não ter que terminar com ele, mas sinto uma leve pontada de decepção por saber que ele também quer terminar.
"Você é virgem, né? Era isso que você queria falar?"
Wow. Meu Deus, o que eu falo???? Tenho certeza que meu queixo está no chão. Acho que ele percebe minha expressão, por que imediatamente pergunta:
"Que foi? Não era isso?"
"Não, mas tipo, sim. Mas não era o que eu queria falar, apesar de ser uma coisa relevante, mas eu não sou. Quer dizer, sou, se for pensar direito, tipo...", me apresso pra dizer, mas ele me interrompe colocando suas mãos em meu ombro.
"Respira", ele respira fundo me fazendo acompanhá-lo.
"Agora me fala, o que você queria dizer?", ele diz depois de me acalmar.
"Eu queria dizer que...", começo a pensar e me interrompo, "Pera, por que você acha que eu sou virgem?"
"Ué, você disse que nunca namorou então eu já imaginava"
"Mas eu posso ter feito sexo sem ter namorado com o garoto"
"É, você pode... Mas você fez?", ele pergunta e eu fico em silêncio.
"Não...", respondo por fim, "Quer dizer, não tudo. A principal parte eu nunca fiz", digo e ele não parece surpreso.
"O que foi? O que tem em mim que diz VIRGEM quando você me vê?", ele ri.
"Nada! Para de paranóia, Cat!", ele diz ainda sorrindo, "Eu só presumi que você era, mas não tem nada que indica que você é virgem. E mesmo se tivesse, não tem nada demais ser virgem"
"Mas... Você é?", finalmente pergunto o que estava martelando em minha cabeça fazia tempo.
"...Não", ele olha pra baixo, "Mas não é como se eu tivesse feito muitas vezes ou com várias garotas, foram só algumas vezes e tipo-"
"Tá, tá, tá. Não preciso saber mais nada", eu o interrompo antes que ele diga alguma coisa que não estou interessada em saber.
Ele ri.
"Que foi, Cat? Ciúmes?", ele provoca.
"Não, eu só não quero saber com que você fez e nem o que você fez", explico e ele estreita seus olhos, divertido.
"Jura?", ele chega mais perto e me dá um beijão.
Tomo um susto a princípio, mas não separo. Que beijo bom, Deus, ele sabe beijar.
Meu Deus! Eu esqueci do pequeno detalhe que vou terminar com ele. Interrompo o beijo e ele me olha confuso.
Respiro fundo e passo minhas mãos no meu rosto. Como eu explico? Quando volto meu olhar, ele está mordendo os lábios esperando minha explicação pra interrupção do nosso beijo.
Tento desviar minha atenção da sua boca, mas simplesmente não consigo.
Pulo em sua boca e começamos um beijo rápido e imediato. Como se precisássemos disso para sobreviver.
Ficamos nos beijando por um bom tempo, até eu ouvir uma batida na porta.
"Catarina? Eu esqueci a chave!", minha mãe??????
"Meu Deus, é a minha mãe!", sussurro e Caio me olha assustado.
A cara de pavor dele é impagável e me faz querer rir.
"Sai pela porta dos fundos!", digo o puxando para a saída.
"O que? Mas a gente não tava fazendo nada demais, pra que se esconder?", ele para.
"Por que minha mãe não vai entender que a gente não tava fazendo nada", digo e ele revira os olhos.
Dou um tapa em seu ombro e ele começa a rir.
"Vai!", empurro ele porta à fora e antes de sair ele me rouba um beijinho.
Fico sorrindo que nem besta vendo ele sair correndo.
"Catarina?", minha mãe volta a bater na porta.
"Oi mãe! Voltou cedo, né?", pergunto rindo de nervoso.
"Por que demorou pra atender a porta?", ela pergunta, "E por que seu batom está borrado?"
Porra. Nem pro Caio avisar.
"Tava comendo biscoito lá em cima, não ouvi você bater na porta", limpo o batom borrado.
"Biscoito recheado? Tem que manter saudável pra estadual, hein", ela avisa.
Me diz alguma coisa que eu não sei.
"Certo", respondo.
"Então, tava pensando da gente pedir sushi, o que acha?", ela coloca a bolsa no balcão.
"Você acabou de falar sobre saúde, mas ok"
"Hoje é dia de lixo", ela diz sorrindo.
Eu gosto desses raros momentos quando minha mãe não está me criticando.
●
eu tô rindo até agora
véi KKKKKKKMKKK
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Someone To You
JugendliteraturCatarina é uma adolescente de 17 anos que odeia adolescentes de 17 anos, e no 2° ano do ensino médio a única coisa que ela realmente quer é se formar e acabar com esse inferno. 01 de maio de 2020 - 16 de novembro de 2020. Revisada em 15 de maio de 2...
