"Cat?", Alice para o carro no estacionamento da escola.
"Oi", pego minha mochila no chão do carro e faço menção de sair mas Alice coloca a mão em meu braço.
"Eu sei que você me perdoou, mas... Você tá tranquila com essa questão de eu ainda estar com o Samuel?", ela pergunta e eu exito.
Eu não vou poder impedir, mesmo.
Dou de ombros.
"Só não quero vocês de gracinha na minha frente, pelo amor de Deus", peço saindo do carro e ela ri.
"Voltaram a se falar, bonitas?", Caio fala fechando seu armário.
Nos olhamos.
"Aquela briga não ia durar muito tempo, nunca ficamos mais do que 72 horas sem se falar", Alice diz rindo.
Caio se inclina pra Alice e coloca a mão na boca, como se tivesse contando um segredo.
"Eu nunca vi uma pessoa chorar tanto com programas de comédia", ele brinca fingindo que eu não consigo ouvir.
Dou um chute em sua canela de brincadeira e ele finge que doeu fazendo uma careta.
Nos separamos e fomos cada um pra sua respectiva sala de aula.
•••
"Amigaaaa...", Alice chega por trás colocando a mão nos meus ombros depois do meu treino, "Ai que nojo", ela fala limpando a mão de suor em minha roupa.
"O que mais você esperava?", rio.
"Então, você não pode planejar NADA no sábado", se senta no banco em frente ao meu armário.
"Por que?", como uma regata por cima do top.
"Eu explico melhor quando estiver chegando, mas você vai gostar", ela diz com um sorriso pervertido.
"Por favor, me diz que você não alugou um quarto no motel", ela ri alto.
"Não!", diz rindo, "Mas bem que você queria, né?", levanta a sobrancelha em um gesto sugestivo.
Balanço a cabeça ainda rindo.
"Você pode me dar uma carona?", pergunto.
"Claro, só vou ter que pegar a Carol na escola hoje"
"Leva ela lá pra casa, ué", pego minha mochila e Alice aceita.
Estamos no caminho da creche e eu ligo o rádio.
"Sem sertanejo!", ela avisa já lendo minha mente.
"Amiga?", chamo.
"Sim?"
"Como que tá a situação... com os seus pais?", pergunto e Alice dá um suspiro de surpresa com a mudança repentina de assunto.
Ela coça a nuca e respira fundo.
"Minha mãe ainda acha que meu pai vai mudar depois que ele prometeu que nunca mais ia encostar um dedo nela", ela fala com um tom de revolta, "Por isso que eu não deixo mais a Carol ficar lá. E minha mãe, desnaturada, prefere ficar sem as filhas do que ficar sem o marido que agride ela..."
"Vai entender o amor...", falo baixo.
"Amor? Isso é burrice", ela cospe, "Acreditar em promessas vazias que você sabe que não vão ser cumpridas"
Ficamos em silêncio até chegar na creche mas assim que buscamos Carol é impossível o ambiente ficar quieto, ela não cala a boca!
Eu não gosto muito de crianças, pessoalmente, mas a Carol eu consigo suportar(não por opção).
"A gente podia bincar de escolinha, né?", ela sugere se remexendo na sua cadeirinha e brincando com seu ursinho em seu colo, "A Cat ia ser a pofessora e eu, a Alice e o Usinho Puff iam ser os aluninhos"
"Por que eu ia ser a professora?", pergunto.
"Porque a Alice é burra", ela explica e nós rimos.
"Ei! Eu não sou, não!", Alice se defende.
"Mas você sempre fala isso", Carol diz.
"Eu posso falar, você não! E outra, é feio falar palavrão"
"Burro não é palavão, é um animal", Carol argumenta, "Você sabia que os burros são inteligentes? Mas as pessoas falam como se fosse uma coisa ruim"
"Mais inteligente que você", sussurro pra Alice e ela dá um tapa no meu braço.
Carol fica rindo e eu estendo a mão pra ela bater depois de finalmente conseguirmos tirar a Alice do sério.
"Ah, então vocês agora são amiguinhas?", Alice pergunta.
"Melhores amigas", respondo e Carol ri escondendo a boca.
"Então pode ficar com a Carol pra você tá, Catarina?", Alice oferece brincando.
"Deus me livre, nem brinca", digo e Alice vira o rosto pra mim com os olhos arregalados.
Ai meu Deus, o que eu fiz. Quando olho para o banco de trás vejo o rosto de Carol ficar vermelho e ela começa a berrar e chorar.
"Não, não, eu tava brincando", falo desesperada, "Pode morar comigo sim, vamos ser melhores amigas", tento concertar.
Quando olho pra pedir ajuda pra Alice, ela está rindo.
"Ei!", empurro seu ombro, "Me ajuda aqui!", digo e ela tira uma das mãos do volante e levanta como rendição.
"Você que fez ela chorar, agora você faz ela parar"
Ótima irmã. Por isso eu não posso ficar mais do que 5 minutos com uma criança, já estou fazendo ela chorar e não sei como acalmá-la.
"Ei!", me estico do banco da frente e coloco a mão em sua perninha, "Eu tava brincando bebê", digo e ela para de chorar e franze as sobrancelhas.
"Eu não sou bebê", ela cruza os braços com raiva.
Meu Deus, essa criança é uma peça.
●
capítulo mais tranquilo
depois de tanta confu-
são seguidas.
apertem na estrelinhaaa
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Someone To You
JugendliteraturCatarina é uma adolescente de 17 anos que odeia adolescentes de 17 anos, e no 2° ano do ensino médio a única coisa que ela realmente quer é se formar e acabar com esse inferno. 01 de maio de 2020 - 16 de novembro de 2020. Revisada em 15 de maio de 2...
