Peter estava parado no centro do cômodo, olhando fixamente para a porta principal da casa. Levei o olhar na mesma direção e me deparei com Mell, irmã de Sky. Ela estava segurando Vanda contra o próprio corpo e segurava uma arma contra sua cabeça. Ao lado dela haviam dois homens.
- Surpresa - disse Mell sorrindo.
- Por quê está aqui? Solte ela - pediu Peter.
- Cale a boca. Meus assuntos não são com você, são com ele - ela me olhou fixamente. Em seguida fez um gesto com a arma, pedindo para que eu terminasse de descer a escada.
- O quê você quer? - perguntei enquanto descia.
- Não a machuque, por favor - pediu Julian.
- Isso vai depender da colaboração de vocês - Mell sorriu - Vocês me causaram muitos problemas, puta que pariu.
- Está falando do meu irmão? - Fui direto ao ponto, se ela estava ali significava que já tinha conhecimento de que havia sido nós os responsáveis pelo rapto.
- Me poupe, minha irmã que era apegada a ele, esqueceu? Foi ela que o adotou. Por mim ele pode morrer.
- Então por que está aqui?
- Eu demorei para descobrir mas depois todas as peças foram se encaixando. Vocês foram os responsavéis por destruir um dos meus orfanatos.
- Orfanato? - Peter ficou confuso.
- Você perdeu mesmo o caralho da memória, não é mesmo? A surra que eu mandei te dar foi demais pra você?
- Do que está falando? Espera - Peter levou a mão até a cabeça. Surra... orfanato.
- Mas eu não vou te matar, você foi a peça chave para que eu chegasse até aqui - ela continuou - quando te vi no Bangalô aquele dia fiquei surpresa, parecia nem se lembrar de mim. Então usei isso ao meu favor para chegar até os pirralhos que foderam meu negócio. Coloquei pessoas para te encontrar, te seguir e elas me disseram que você estava vivendo com algumas crianças. Eu descobri quem eram as crianças e fiquei surpresa ao ver que o nome delas contavam no registro do orfanato destruído pelos civis.
- Você faz parte daquele negócio podre? - Perguntou Julian.
- Eu sou o caralho da dona de tudo isso. Quem vocês acham que estava tentando vender está fazenda? Quando Ethan foi até o bangalô atrás de respostas eu já desconfiava que isso se tornaria um problema. Só não achei que seria tão grande, o miserável voltou pra cá e ainda por cima reergueu um pouco os negócios.
- Meus pais, foi você quem os matou? - perguntei.
- Eu não sujo as minhas mãos se não for preciso. Deixo meus funcionários fazerem isso por mim. Nada pessoal, Ethan. São apenas negócios. Encontramos famílias, acabamos com elas e levamos as crianças para trabalho escravo. Os meninos ficam responsáveis pelas drogas e as meninas, bom, vocês já sabem.
- Porcos imundos - Vanda não se controlou.
- Calma aí bravinha - Mell pressionou a arma em sua cabeça.
- Não atire - pediu Julian. Havia medo em seu rosto, era a primeira vez que o via assim. Mas eu também estava com medo.
- Talvez eu atire, talvez não.
- Vamos dar o que quiser, é só nos dizer - tentei barganhar.
- Eu quero o dinheiro dos seus pais. Eu sei que eles possuíam uma boa quantia mas meus homens não encontraram nada na casa. E do nada vocês conseguiram comprar todos esses animais? Você o encontrou e eu quero. Encare isso como um pagamento por ter ferrado um dos meus orfanatos.
- Você os matou...
- Vou ter que repetir? Eu não mato ninguém. Meus funcionários sim.
- Não vou te dar porra nenhuma - Fui tomado por uma mistura de tristeza e ódio. Muito ódio por estar diante de uma das responsáveis por acabar com a minha família.
- Como é que é?
- ETHAN, pare. Vamos buscar o dinheiro - Julian ameaçou subir a escada mas eu segurei seu braço.
- Não, eu não vou seder a essas pessoas malditas.
Foi aí que Mell disparou a arma, assustando todos e criando um grande eco no lugar. Levamos as mãos a cabeça devido ao barulho e quando me foquei no cenário a minha frente fiquei aliviado ao ver que Vanda ainda estava de pé. O tiro havia sido dado no chão.
- Busque o dinheiro, ou o próximo vai na cabeça dela.
- Eu me lembro, eu me lembro de tudo - disse Peter se recompondo do susto.
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A Garota Em Coma
RomanceEthan, um ex-soldado que sofre de esquizofrenia começa a trabalhar em um hospital e lá conhece Elizabeth, uma paciente que está em coma e terá seus aparelhos desligados em cinco meses.
