— Aqui não é parquinho, garoto. — Sua voz era doce, com uma pitada de amargues e seus cabelos ruivos era cacheados, o que me lembrava um cogumelo.
— Eu... — inferno, me perdi no que ia dizer após ela se movimentar um pouco, deixando sua calcinha azul aparecer entre suas pernas.
— Garoto — ela chamou minha atenção — Isso não é para você — droga, ela percebeu — diz logo o que você quer.
— Quero falar com a outra irmã que mora aqui, é um assunto de extrema importância.
— Sobre?
— Uma coisa.
— Que coisa, garoto? Você não quer fazer sexo, ou quer?
– N..Não. Claro que não, eu nem poderi..— Me enrolei com as palavras.
– Não fique tão nervoso, estou apenas brincando.
— Bom... não estou nervoso.
— Sky! — ela gritou — tem um garoto pervertido querendo falar com você. Não venha de vestido pois ele não vai tirar os olhos da sua calcinha também.
Aquilo me deixou extremamente envergonhado e não demorou para que Sky respondesse.
— Mas eu não estou usando calcinha. — pude ouvir sua voz em um tom bem nítido, ela estava perto e finalmente eu poderia a questionar sobre tudo.
Sky surgiu vindo de trás de sua irmã e a empurrou bruscamente pra poder ver o que se pasava ali.
— Calma aí, brutamontes — sua irmã reclamou.
— Eu conheço você — disse Sky me olhando de cima a baixo — O garoto das entregas, Ethan.
— Isso — Sky usava uma roupa um tanto comportada, se fosse comparada com as vestes de sua irmã. Seus cabelos eram de um tom negro e estavam soltos.
— Que estranho — ela levou a cabeça para frente e olhou para ambos os lados da sua, como se procurasse algo — você era a única pessoa que eu não esperava ver aqui. Está sozinho?
— Não, está acompanhado dos pais, mas estes aprenderem a usar o poder da invisibilidade. Não percebeu? — Sua irmã a provocou.
— Vai dar lá na esquina, vai.
— Querida, minhas esquinas já estão todas dadas.
— Pare de falar essas asneiras perto de uma criança.
— Olha quem fala, você mesmo disse estar sem calcinha.
— Porque não cala a boca e vai lá ver se o Duda acordou?
Não sou obrigada, foi você quem decidiu ficar com ele. Cuide você — terminou ela sumindo bangalô a dentro.
— Irmãs são tão inúteis — resmungou — mas então — ela enfim se concentrou em mim — O quê quer? Vejo que não trouxe nada para mim. Aliás, nem sabia que viria, já faz um bom tempo desde a última vez que te vi.
— Estive fora, eu e minha família. Mas já retornamos e encontramos algo que nos irritou muito.
— E o que seria?
— Na frente da nossa casa havia uma placa informando que a propriedade está a venda e nessa placa havia um número de telefone. O do seu bangalô.
Após ouvir aquilo ela demonstrou estar surpresa. Podia estar fingindo.
— Tem certeza disso, garoto? Podem ter confundido os números, não sei.
— Eu exijo respostas — tentei ser o mais firme possível para tentar arrancar alguma informação útil.
— Você é engraçado — ela sorriu, claramente minha tentativa de pressiona-la fracassou — vem, vamos perguntar a minha irmã se ela sabe algo sobre isso — ela abriu espaço e meu coração disparou repentinamente. Ela estava me atraindo para dentro do bangalô, tratava -se de uma maneira desesperada de me eliminar? prender? torturar?
Mas eu não podia recuar então apenas adentrei no bangalô, que aparentemente estava muito bem arrumado. Parecia ser maior por dentro do que por fora. De início tive que atravessar um corredor pequeno até chegar em uma área aberta, no centro havia um carpete marrom e sobre ele uma mesa de vidro, também haviam dois sofás e uma poltrona no canto de uma das paredes. Do lado direito havia um enorme vaso com uma planta estranha e também havia outro corredor. Do lado esquerdo notei quadros bordados e mais um corredor.
— Sente-se, não temos muito a oferecer. Geralmente não recebemos crianças — disse Sky passando por mim e seguindo para o corredor da esquerda.
Olhei tudo a minha volta, principalmente para a porta única do bangalô e esta já encontrava-se fechada. Se eu começasse a correr em direção a ela teria uma chance de escapar, mas minha curiosidade extrapolou o meu medo. Me sentei no sofá a direita, assim podia ter toda uma ampla visão do corredor a esquerda. Caso uma das irmãs surgisse portando alguma arma. Três minutos se passaram e nenhum som foi emitido ali dentro, era como se eu estivesse sozinho, mas então o silêncio foi interrompido pelo choro de uma criança.
Momentos depois Sky retornou trazendo consigo um menino no colo e aquilo me deixou apavorado pois a criança era ninguém menos que meu irmão, Nolan. Agora eu tinha total certeza de que elas possuem ligação direta com tudo o que havia acontecido comigo e com o desaparecimento dos meus pais. Por qual outro motivo elas estariam vendendo a minha casa? Por que estavam com o meu irmão?
— Desculpe a demora, estava trocando as roupas do Duda, mas ele sempre chora quando faço isso.
— Duda? — Não demonstrei nenhuma reação ou mudança no comportamento, precisava saber se ela tinha conhecimento de que aquele era o meu irmão.
— Sim, é o nome dele — ela sentou-se ao meu lado e Nolan começou a me olhar, estava maior e mais cabeludo. Ele esticou os braços para mim — parece que ele gostou de você, quer segurar?
— Ah, sim — o peguei e ele também estava mais pesado — seu filho é bonito — falei, tentando extrair as informações que eu precisava.
— Ele come que é uma beleza.
— Normal — a resposta que tive não serviu para nada, ela simplesmente desviou da pergunta — ele tem quantos anos?
— Um e meio, ou só um. Não sei bem.
— Não sabe? Geralmente as mães sabem tudo sobre seus filhos.
— Sou meio doida — ela sorriu. Minha vontade era ir logo direto ao ponto e sair de todo aquele joguinho inútil. Mas seria bastante arriscado.
— Ele se parece mais com você ou com o pai? Todo mundo sempre diz que os primeiros filhos são a cara do pai.
— Eu não sabia disso, preciso me atualizar mais.
Nolan agarrou meus cabelos e os puxou, devolvi o ato mordendo uma de suas bochechas e ele riu. Era nostálgico e nem havia se passado tanto tempo desde a última vez que o vi no colo de minha mãe.
— Pretende ter mais filhos?
— Acho que não. Eu até te explicaria o motivo mas você é muito novo para entender.
— Não encontrei meu brinquedo — a irmã de Sky surgiu vindo do outro corredor — você anda pegando as minhas coisas?
— Como se eu precisasse — respondeu Sky trocando um forte olhar com sua irmã.
— Eu não lembro de ter usado nos últimos dias então se ele sumiu só pode sido você.
— Você é que não sabe procurar nada — Sky se levantou e seguiu pelo mesmo corredor de onde sua irmã havia vindo.
— Odeio morar debaixo do mesmo teto que ela — ela sentou-se no sofá a minha frente.
— Qual o seu nome?
— Me chamam de Mell — respondeu enquanto cruzava as pernas — e você é Ethan, correto?
— Sim. Pretende ter filhos? — dei sequência ao meu plano de extração.
— Nunca, eu não curto essas coisas de filhos e família.
— Gosta do seu sobrinho?
— Duda? — ela encarou meu irmão — as vezes, quando não está chorando ou sujando tudo. Ainda não me acostumei com isso, é recente demais.
— Recente? — finalmente estava ouvindo algo útil.
— Sim, minha irmã decidiu cuidar desse menino. Algum pai ou mãe hipócrita o deixou na porta do nosso bangalô. Eles analisaram nosso bangalô e pensaram: ali moram duas prostitutas, que tal deixar nosso filho lá, é um ótimo lugar para um bebê.
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A Garota Em Coma
RomanceEthan, um ex-soldado que sofre de esquizofrenia começa a trabalhar em um hospital e lá conhece Elizabeth, uma paciente que está em coma e terá seus aparelhos desligados em cinco meses.
