8 - Arrasta-me para o inferno

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Anos Atrás

Submundo.

De volta ao Outro Lado. Bonnie havia planejado não morrer outra vez, evitar todos os modos que a levassem á uma morte prematura e aqui estava outra vez, morta. Por que foi imprudente ao se arriscar, por que foi arrogante em pensar que podia lidar com excesso de magia sabendo que seu corpo não estava tão preparado assim para tanto desgaste.

Chamou pela avó, só para ver se conseguia algo de novo, ver o mundo dos vivos era mais fácil do que achar alguém no mundo dos mortos.

Olhou ao redor pensando para onde ia, no momento ia esperar até que Elena acordasse e todo o drama de descobrir que ela estava morta passasse, por que conhecia a amiga bem suficiente para prever o grande dramalhão que ela faria se culpando.

Mal tinha começado a caminhar quando a estranha e fria sensação a fez parar. Tentou lembrar de onde conhecia aquela sensação desagradável quando sentiu o puxão e então começou a ser arrastada por algo que ela só podia descrever como buraco-negro, então recordou de onde conhecia aquela força assombrosa, quando o Outro Lado estava caindo e ela era Âncora, aquela coisa sugava as almas corrompidas.

Ela se agarrou á uma árvore e começou a gritar com toda histeria e medo que conseguia impregnar em um grito. Uma luz fosca surgiu seguida de outra no momento em que sua mão começou a escorregar, os espíritos de sua mãe e da sua avó se materializaram e seguram cada mão puxando com força. Mesmo assim o Vazio que a puxava era mais forte e os espíritos que a seguravam começaram a se arrastar com ela e aquilo deixou a recém-falecida amedrontada:

- Soltem – pediu com voz embargada – Vocês serão arrastadas comigo, soltem.

Mãe e filha trocaram um olhar cheio daquela determinação Bennett que numa outra vida costumava levar Bonnie ao limiar entre a vida e a morte, as duas mulheres apenas gritaram enquanto redobravam suas forças na tentativa de salvá-la do Vazio. Bonnie também gritou.

A mesma força implacável que a puxava, repeliu Sheila e Abby que tropeçaram e cambalearam para trás soltando as mãos da bruxa no momento em que os olhos enturvados por lágrimas da última de sua linhagem se erguia e reconhecia entre um grupo de poderosos espíritos femininos, sua família ancestral. Elas tinham vindo, mas tarde demais. Bonnie sorriu com tristeza e parou de lutar contra o vácuo que a puxava para o inferno.

Foi bizarro, como aqueles despertares irritantes pós-sonambulismos, ela estava em um lugar e abriu os olhos se descobrindo noutro, mais especificamente a escola. Tudo o que sua mente conseguiu pensar foi que nunca teria imaginado a escola como seu inferno-particular, ela gostava do colégio.

- Não era o que eu pensava do inferno – disse á si mesma.

- Eu escolhi como zona neutra – ela congelou e se virou devagar para o dono daquela voz melodiosamente simpática.

Arcadius estava recostado na mesa do professor numa postura relaxada e um sorriso divertido que não chegava aos olhos frios e calculistas.

- Olá, Esposa.

- Cade – sussurrou apreensiva.

O Diabo olhava para ela com o interesse que dedicava á toda novidade, a curiosidade pelo desconhecido e vontade de descobrir. Bonnie reagiu primeiro, movida pelo medo de estar diante do diabo, ela se virou e correu para a porta, só para se descobrir dentro da sala outra vez. Cade se aproximou dela que se afastou até onde foi capaz, sem perdê-lo de vista.

- Pela sua reação, posso concluir que nosso casamento não foi digno de final feliz, não é? – ele parecia intrigado.

Bonnie que se esforçava para pensar em como escapar dali piscou chocada com a informação que ouvia. Ele não se lembrava? Seria possível? Assim como Mina, ele sabia o que tinha acontecido, mas não teria as informações de como ou quando? Seria assim tão simples? Uma brecha na magia que os permitia sentir o fluxo constante da energia ao redor dela denunciando o que tinha acontecido, mas lhes negava as memórias que apenas ela possuía?

Sangue Real - TVDHistórias para pegar e não largar. Descubra agora