Capítulo 33: O Distribuidor.

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Quando Ken disse que me levaria com ele a uma missão ao invés de levar o Aidem, eu realmente fiquei muito animado. Mas foi quando ele mencionou o que a gente iria fazer que a animação realmente tomou conta de mim.

Desde o início é já imaginava que deveria ter algum motivo para ele me chamar ao invés do Aidem. Provavelmente era algo que o Aidem não pudesse fazer. Mas matar o Lorde Cardeal? Por que o Ken faria isso? Não pode ser simplesmente por ele ter sido envenenado ou pelo filho do Lorde Cardeal, Samuel Cardeal, ser apaixonadinho na Alice, ou poderia?

Não, o Terceiro tem um plano. Ele sempre tem um plano, é por isso que eu aprovo a liderança dele.

— O que exatamente você quer dizer quando disse que Demônios atacariam a vila? — Eu perguntei enquanto a gente caminhava pela plantação.

— Lembra das máscara que eu criei? Iremos usá-las durante o ataque. — Ken explicou.

— Hummm... Então você vai usar magia de ilusão. Bom, então a próxima pergunta: Por que sou eu e não o Aidem quem vai com você? —

— Isso é simples. Você é o Mias apto para essa missão. Se eu chamasse Aidem para atacar a vila e causar uma grande destruição ele pensaria nos moradores inocentes que vivem lá e seriam feridos. Mas você não. Você vai aceitar, porque no fundo nós somos muito parecidos. Você e eu. —

— Há. Nós somos parecidos? Não sabia disso. — Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto.

— Nós somos. Você não se importar em ferir pessoas inocentes para chegar no seu objetivo. A única diferença é que seu objetivo se consiste apenas no desejo primitivo de enfrentar um desafio. De lutar contra alguém forte. De se tornar forte a ponto de superar tudo e a todos. — Ken respondeu.

— E qual é o seu objetivo, Terceiro? — Eu perguntei.

Um olhar pensativo surgiu no rosto dele. Me virei na direção em que ele olhava e notei que ele observava a Alice, que estava parada na varanda de uma distante casa conversando com um velhinho.

Observei Ken por um momento e fiquei surpreso com duas coisas. A primeira delas foi a forma carinhosa com a qual ele observava a garota. Não esperava que ele tivesse sentimentos verdadeiros pela princesa, achava que ele estava a manipulando, mas não parece ser o caso. A segunda coisa que me surpreendeu foi a determinação oculta no semblante dele. Seja lá o que ele esteja planejando aquela garota está envolvida, e pior é que ela nem deve saber disso.

— Estou preparando o terreno. — Ele respondeu.

— Preparando terreno para o que? Para de declarar para a Princesa? Acha que ela vai te rejeitar? — Eu perguntei.

— Sendo sincero com você... Acho que isso não é um problema. Sinto que ela está esperando eu tomar a iniciativa. Não quero parecer um babaca falando isso, mas eu acho que entendo como chamar a atenção de uma mulher, ainda mais nesse mundo onde as opções são poucas e os desejos mais... primitivos? Não sei se essa seria a palavra certa. Esse tempo que passamos juntos nessa casa foram realmente difíceis, tive que controlar para não esgueirar até o quarto dela hahaha. Mas o terreno que eu tenho que preparar não é esse... É o Reino. —

— Ora, Ora. O Reino, né? Está planejando ser Rei, Terceiro? — Eu questionei.

— Se eu quiser realmente ficar com a Alice eu tenho que ser Rei. O título vem junto, eu gostando disso ou não. O pai dela, o Rei, me considera perigoso justamente por isso. Mas eu nunca tive a intenção de ser Rei, e nem quero... Rei não combina comigo.... Mas pensei em ser Imperador. — Ele respondeu seriamente.

Ken observava a vila com o olhar sereno de sempre. Olhos inteligentes que sempre observavam cada detalhe e os analisava minuciosamente. Mas desse vez ele parecia olhar sem de fato enxergar. Ele observava o pequeno vilarejo onde era Lorde, mas o que realmente estava vendo eram os Reinos.

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