Capítulo 37 - Sufoco

928 67 3
                                    

     Um flashback passou na minha cabeça da minha vida inteira, amigos, orfanato, família; momentos ruins e bons, absolutamente tudo passou na minha mente, ouvi um barulho de algo caindo, fazendo um som bem alto, não me atrevi a abrir os olhos, só queria que aquilo acabasse de uma vez. Ouço um som conhecido, abro meus olhos e vejo meu pai com a arma apontada para a cabeça de Luan. Meu pai conseguiu receber minha mensagem e conseguiu me encontrar.

- Larga a faca! - Luís disse com os olhos fixados no assasino.

   Luan me pegou como refém, ele presiona a faca no pescoço me ameaçando.

- Larga a arma, amigo - Pai de todos falou sarcástico.

   Meu pai olhou para mim e depois voltou a encarar Luan com ódio.

- Okay - meu pai se abaixou para colocar a arma no chão.

   Luan se sentiu mais a vontade enquanto meu pai fazia isso, ele me soltou mas meu pai não havia colocado a arma no chão; então o mesmo pegou a arma, se posicionou e atirou nos ombros do Luan, o assasino finalmente foi derrotado, ele caiu no chão resmungando da dor. Foi um verdadeiro sufoco; outros policiais entraram e pegaram o pai de todos, meu pai me soltou com lágrimas de alegria nos olhos. Nós nos abraçamos e eu chorei na suas costas, aquilo tudo chegou ao fim.

- Nunca mais faça isso comigo - meu pai disse me soltando e olhando para mim com alegria e desespero.

- Jamais - o abracei novamente. - Ani!

   Soltei meu pai e fui ao encontro do Anakim, que ainda estava amarrado, ele estava fraco, triste, abatido. O soltei e ele caiu de joelhos no chão sem forças com a cabeça baixa; me juntei a ele.

- Ani - falei preocupada, levantei seu rosto até a altura do meu.

   Ele me abraçou fortemente e depois me soltou me fitando.

- Acabou Ally - Ani disse com lágrimas de alegria nos olhos.

- Acabou - falei chorando aliviada.

   Nós dois fomos para fora daquela cabana, abraçados, confortando um ao outro, Ani precisava mais de consolo do que eu, afinal seu pai era um doente. Os paramédicos e os policiais nos olhavam com admiração, alguns até bateram palmas, contudo o que nós passamos, vivenciamos e as imagens que vimos, não iriam sair da nossa cabeça tão cedo. Fomos até o carro da ambulância para fazer os curativos, minha barriga estava doendo muito; enquanto andávamos, passamos pelos integrantes do grupo que estavam sendo presos, vi cada rosto, todos homens, com os olhares fixados em mim, mostrando ódio. Desviei o olhar, não queria lembrar de mais nada, fui até a ambulância e me sentei junto a Ani na parte de trás.
- Vocês são muito corajosos - a paramédica disse enrolando uma faixa no pulso do Anakim. - Se não fosse por vocês, os policiais nunca achariam o assasino.

- Obrigada - agradeci me cobrindo em um cobertor azul.

- Tentem esquecer, vocês ainda são jovens, tem uma vida inteira pela frente - a médica disse limpando meu rosto com um algodão com remédio.

- Não sei se vou esquecer - falou Ani com o olhar perdido.

- Vamos sim, juntos - disse pegando em sua mão.

☆☆☆☆☆☆☆☆

   Passaram-se sete anos, já estou com 23 anos, trabalho com investigação criminal, segui os passos do meu pai. Todos os dias eu acordo lembrando de cada segundo do meu desespero, o último olhar da Lucy em meus braços, nenhum daqueles momentos eu esqueci. Já prendi vários assasinos, que matavam por prazer; prometi para mim mesma que não iria parar de procurar "serial killers", eles assasinam só para sua própria satisfação, matam por desejo.

   Acordei assustada pelo pesadelo que tive na noite anterior, de alguém me perseguindo na escuridão. Olhei para meu lado e vi Ani, meu marido, ainda dormindo, me levantei da cama sem fazer muito barulho, e fui até o banheiro para tomar um banho, meu celular começou a tocar em cima da escrivaninha, fui até ele e vi na tela, número desconhecido, atendi temerosa.

Eu: Alô?

Desconhecido: Quero seu sangue.

   Uma voz roca e grossa falou pelo outro lado da linha, desliguei assustada, não poderia ser o Luan, ele está preso, atrás das grades, apodrecendo.

- De novo não - falei com medo de tudo acontecer como a sete anos atrás.

É,  sou euOnde histórias criam vida. Descubra agora