Uma velha amiga

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Eu e Gerard trocávamos algumas palavras aleatórias e assuntos mais leves enquanto esperávamos o retorno da nossa amiga. Ainda assim, estávamos prestando atenção nos resultados, e fazendo sinais para inspirá-la toda vez que desviava o olhar para nós.

Jamia e Michael riam e trocavam pequenos toques de afeto durante a conversa, frequentemente percorrendo os dedos entre seus braços. Aquilo estava indo melhor do que o esperado. De repente, pude ler seus lábios pedindo um momento. Ela correu para a nossa mesa. 

- Então... - ela disse. - Vai pegar mal se eu sair com ele e deixar vocês hoje à noite? 

- Não. - eu ri, já esperando pela situação. - Vá em frente. 

- Só lembrem, crianças, usem camisinha. - Gerard a alertou, fazendo um tom paterno e causando um olhar cortante de Jamia para ele. 

- Ok, eu vou lá... Obrigada, gente. - falou, dando um sorriso no canto do rosto, e virando as costas para seguir um caminho com Michael.

Sobramos eu e Gerard, inesperadamente em mais um encontro como casal. Pedimos mais uma rodada de bebida e comemos mais algumas coisas do cardápio para aproveitarmos o tempo sozinho. O horário passava rapidamente, e logo o pub avisou que iria fechar. Já  havíamos terminado as coisas na mesa, mas notamos que a rua continuava movimentada. 

- Então... Ainda está afim de se aventurar? - Gerard segurou minha mão enquanto fez a pergunta. 

Olhar para o céu me lembrava da noite em que nossa saída não teve os melhores resultados. Parecia um tanto irracional se prender naquilo, mas eu temia que qualquer coisa pudesse acontecer para ameaçar eu ou Gerard de novo. Já estávamos fora de casa de qualquer maneira e, agora ou no futuro, eu deveria ter mais coragem. Respirei fundo e tomei minha decisão. 

- Com você? A qualquer momento. 

Nós dois nos levantamos e deixamos alguns dólares correspondentes aos nossos gastos, incluindo a gorjeta, em cima da mesa. 

Começamos a caminhar, seguindo o fluxo de pessoas que caminhavam pela madrugada. Perguntei a Way se tínhamos algum rumo. Ele disse que sim, mas que, novamente, faria um mistério para não estragar a surpresa. "A noite está apenas começando" é tudo que ele reafirmou. 

Menos de quinze minutos depois, chegamos em frente a um local antigo e que lembrava uma loja abandonada.

- Você realmente curte umas coisas sombrias, huh? - não pude evitar de falar. 

- Este lugar, na verdade, é um pouco mais. Venha, vamos entrando. - ele disse, soando excessivamente confiante. 

 Gerard tentou abrir a porta antiga de madeira, empurrando-a com força e jogando seu ombro contra ela. Aquela rua não estava cheia como as outras, porém havia algumas pessoas no lado  oposto da rua. Comecei a me preocupar com alguma denúncia que poderiam fazer, mas ninguém parecia dar muita importância, ou sequer notar o que estava acontecendo. 

Alguns golpes depois, Way se afastou e passou uma de suas mãos pelo braço, que, após tantas tentativas fracassadas, agora estava machucado. 

- Merda. - disse.

- Agora você desistiu? - perguntei.

- Não. Nós vamos entrar aqui, só não sei ainda como... - Ele pareceu pensativo. 

As paredes do estabelecimento, com uma placa de nome apagado e riscado repetidamente, eram de madeira escura e pesada. As janelas estavam sujas e cobertas com papelões. Qualquer que fosse a coisa que Gerard não queria me falar que havia de especial naquele lugar já me dava uma ideia do motivo do apego sentimental que Way tinha com o clima antigo do nosso refúgio. Casas como aquela normalmente me dariam arrepios, mas, depois de conhecê-lo, comecei a ver beleza naquele estilo presente tão raramente na cidade. 

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