Cap. XVIII - O recado de Ollie

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-Você não pode escolher a mesma memória para as duas categorias, Draco.

Sarah disse em um tom enfático ao enrolar uma mecha de cabelo no dedo indicador. Draco Malfoy afagou uma risada e revirou os olhos. Ele gostava da maneira como Sarah era decidida sobre qualquer assunto e de como ela se importava com as suas histórias.

-Certo. Então aprender a tocar piano com a minha mãe entra na categoria de memória mais feliz e conversar com Dobby entra na memória que mais sinto falta.

Sarah levantou a cabeça do peito de Draco para encará-lo. Seus olhos brilharam ao encontrar os de Draco e ela sentiu um frio na barriga. Mesmo depois de uma tarde toda juntos, Sarah ainda sentia borboletas no estômago com a companhia de Draco Malfoy.

-Sua mãe parece brava. 

A garota disse com cautela ao analisar a expressão de Draco. Os lábios de Draco se franziram e ele desviou o olhar para as árvores da campina. 

-É... Complicado. Minha mãe sempre esteve sob a influência do meu pai e eu acho que isso fez com que ela fosse assim.

A voz de Draco ficou trêmula e Sarah esboçou um sorriso compreensivo. Com delicadeza, Sarah pegou a mão de Draco e começou a mexer nos seus anéis de prata.

Draco levantou seu olhar para a maneira como a luz do pôr do sol refletia nos cabelos de Sarah. Seu coração disparou e ele engoliu em seco. Draco ainda tentava encontrar maneiras de fugir dos seus sentimentos... Por medo da reação de Sarah ao descobrir que ele também era um Comensal da Morte. E se ela o odiasse? 

-Você é um garoto intrigante, Malfoy.

Sarah disse ao quebrar o silêncio. Draco arqueou as sobrancelhas e colocou suas mãos na cintura de Sarah. 

-Argumente mais sobre isso, Kinsella.

Sua voz estava tão provocativa quanto a de Sarah. Sarah deu de ombros e mexeu nos botões da camisa de Draco de maneira despretensiosa.

-Você era um garotinho terrível, Draco. Sempre fazendo comentários maldosos sobre os outros, exibindo suas riquezas. E agora você se tornou um jovem... - Sarah fez um bico pensando em qual adjetivo usar - um jovem... Tranquilo.

Draco não respondeu. Seu olhar estava fixo na maneira como Sarah havia desabotoado dois botões da sua camisa e em como suas bochechas estavam coradas.

-Você gosta do que está vendo.

Draco instigou com diversão. Sarah pigarreou e se sentou no cobertor ao sentir sua face vermelha. Ela havia visto uma faixa do peito nu de Draco e isso... A deixava excitada. 

-Tudo bem. Você venceu. Você já notou o efeito que tem sobre mim.

Sarah respondeu baixinho. Draco deu de ombros e passou os dedos pelos cabelos ondulados de Sarah.

-E isso é bom? Eu ter um efeito sobre você?

A voz de Draco estava rouca e mais determinada. Ele era bom em provocar as pessoas. Seu charme natural, seus olhos brilhantes e o seu aroma de menta e hortelã eram convidativos.

-Claro que sim... - Sarah gaguejou ao dizer - Eu não consigo me afastar de você. 

-Então não se afaste.

Draco rebateu com autoridade. O loiro puxou o queixo de Sarah em direção aos seus lábios e a beijou. A língua de Draco invadiu com força e desejo a boca de Sarah, fazendo-a gemer de desejo. As mãos de Draco foram para o pescoço de Sarah para envolvê-lo com os seus anéis.  

Sarah sentiu flutuar, mesmo sem sair do chão. Uma gota de chuva caiu na testa de Sarah, fazendo-a se afastar de Draco e olhar para o céu.

Draco limpou olhou para o céu também. Antes que eles pudessem se levantar e sair, uma tempestade se formou. Sarah e Draco se levantaram das cobertas estendidas e tentaram recolher as frutas e a cesta de piquenique em vão. A chuva se tornou tão intensa que as flores se despedaçaram e as árvores arquearam.

-Vamos.

Draco gritou ao colocar as mochilas nas costas e indicar o caminho para a floresta proibida. Os jovens correram, escorregando na lama e nas flores, em direção a entrada.

Sarah arfou ao se esconder embaixo de uma árvore, seguida por Draco que passava as mãos pelo cabelo ensopado. Os dois se entreolharam com decepção. Tudo estava perfeito há alguns minutos atrás... E agora estava tudo arruinado. Como em um passe de mágica.

-Acho melhor esperarmos a chuva passar e irmos para o castelo.

Sarah concluiu. Algo martelava na sua mente. Mais cedo, ao encontrar com Blaise no corredor, o garoto disse que esperava que não chovesse. Blaise não seria capaz de lançar um feitiço no tempo para arruinar o encontro de Draco e Sarah, certo?

Draco abriu as mochilas e procurou por algumas roupas quentes. Sua preocupação era que Sarah não ficasse resfriada. 

-Não parece estar chovendo no castelo.

Sarah disse. O sol estava se pondo na região do castelo. Estranho.

-Talvez tenha sido má sorte. Sarah, vista isso.

Draco entregou um moletom da sua época de jogador de Quadribol. Sarah vestiu a blusa e olhou para o comprimento, que estava gigante por Draco ser maior e mais encorpado que ela. Draco disfarçou um sorriso ao perceber o quanto a garota estava atraente com a sua blusa.

Um barulho na floresta fez com que Sarah e Draco dessem um passo para trás. 

Draco ergueu sua varinha e se colocou na frente de Sarah em sinal de proteção. A floresta continuava escura, exceto por uma névoa branca. Os alunos de Hogwarts eram proibidos de se aproximar do perímetro, pois muitas criaturas viviam ali e algumas não eram amigáveis.

Sarah e Draco estavam encurralados. De um lado, a tempestade constante impedia que o casal voltasse o castelo. Sarah agarrou o braço de Draco com medo do ruído que se aproximava.

Draco respirou fundo e se preparou para lançar um feitiço de ataque. Alguns segundos se passaram até uma coruja preta pousar em um galho próximo aos jovens. Sarah respirou aliviada e Draco relaxou os ombros.

Era a coruja dos Malfoy. 

O animal tinha grandes olhos dourados e uma pelagem preta com cinza. Ao reconhecer Draco, a coruja abaixou a cabeça em sinal de respeito e pousou no chão. Draco bufou ao ver que ela segurava um envelope preto no bico. Sua mãe estava tentando falar com ele desde o começo da semana... Mas, Draco continuava ignorando as cartas. 

-Esse é o Ollie.

Draco disse ao puxar o envelope do bico da coruja. Sarah forçou um sorriso e encostou suas costas na árvore próxima. A coruja esticou suas asas de maneira graciosa e se preparou para retornar para o castelo em um voo elegante.

-Ele é um rastreador?

Sarah perguntou, olhando ao redor para se certificar que os barulhos estranhos faziam parte do cenário da floresta.

-Sim, ele é capaz de nos achar em qualquer lugar. É um animal habilidoso.

Draco respondeu ao passar as mãos pelo envelope e reconhecer a caligrafia impecável de Narcisa Malfoy. Com um suspiro de irritação o garoto leu a carta. Sarah acompanhou o olhar de Draco e percebeu quando sua expressão mudou.

Ele estava aterrorizado com as palavras de sua mãe. 

E por algum motivo, Sarah sabia que Draco não contaria para ela o que estava acontecendo. 

Nota da autora 1): Eu comecei uma história nova! Chama-se "Febre Dourada - Cedric Diggory" . Está no meu perfil para quem quiser ler!

O Acordo e o Segredo de Draco MalfoyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora