Cap. XXIV - O Inaceitável

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Draco Malfoy caminhou em silêncio até o seu dormitório. Uma sensação de frustação o invadia, misturada com medo. Seu plano tinha que ser perfeito. A garrafa envenenada seria plantada por ele no escritório do Professor Horácio Slughorn, servindo como um presente para Dumbledore.

Fecham-se as cortinas e o espetáculo acaba. Draco estaria livre... Exceto pelo sangue em suas mãos. Inevitável destino. Mas mesmo assim, um destino lamentável para um jovem.

Porém, quanto mais Draco pensava no seu plano, mais irritado ficava. No fundo, ele sentia que algo daria errado... E ele teria que se afastar de Sarah para não culpá-la. Ultimamente, esse era o delírio constante do jovem: que Sarah fosse expulsa ou enviada para Azkaban por sua culpa. Por estar associada a ele.

E só de imaginar isso, Draco sentia seu coração afundar. A solução seria uma despedida.

Mas, como se despedir de alguém que se ama?

Draco suspirou ao chegar ao seu quarto. Ele vivenciava uma verdadeira batalha entre o desejo e a razão. E naquele momento, seu desejo o consumia.

O quarto de Draco, Blaise e Goyle estava iluminado pela luz refletida das águas do Lago Negro. A iluminação esverdeada tornara a pele de Draco mais pálida, assim como suas olheiras mais profundas. Draco se encarou no espelho com raiva. Ele desejava que tudo acabasse bem... Mas isso não mudava as coisas.

Não tinha como tudo acabar bem. De qualquer maneira, Draco teria o sangue de Dumbledore nas suas mãos e isso o... Aterrorizava. Ele não era um assassino.

Uma onda de ansiedade percorreu o corpo do garoto fazendo-o se apoiar na pia do banheiro. Em um movimento brusco, Draco socou o espelho do banheiro fazendo-o se estilhaçar em pequenos cacos de vidro. E então, ele gritou.

Draco gritou de raiva, medo e frustração. Seus sentimentos borbulhavam como uma poção em água quente... Ele precisava liberá-los ou seria sufocado.

Após alguns momentos encarando o espelho destruído, Draco correu até sua parte do quarto. Dominado pela fúria que sentia, o garoto quebrou as fotos, relógios e garrafas que tinha em sua estante. Ainda entre lágrimas e gritos, Draco chutou seu armário deixando cair suas blusas de Quadribol.

Draco sentou no chão, próximo à janela embaçada, e chorou. Seu peito soluçava e ele se perguntou quando se sentiria bem novamente.

Involuntariamente, Draco fechou os olhos e deixou que a dor o preenchesse. Não existia saída, ele teria que entregar a garrafa envenenada e assassinar Dumbledore.

Era perto da meia noite, quando Sarah Kinsella entrou no quarto de Draco, Goyle e Blaise. Ela havia esperado por Draco na ponta da escada, como de costume, para que eles fossem até a torre de astronomia juntos. Mas, Draco não apareceu.

Preocupada, Sarah resolveu procurá-lo em seu quarto. Assim que entrou no dormitório escuro, Sarah percebeu as camas feitas de Goyle e Blaise indicando que eles não estavam por lá. Delicadamente, Sarah serpenteou até o canto mais distante do quarto perto da cama de Draco.

Ao encontrar Draco chorando no chão, Sarah sentiu seu coração se partir. Uma onda de preocupação a percorreu, misturada com medo e ansiedade.

Sarah correu até Draco e o puxou para seus braços. Com os olhos inchados, Draco lhe deu um sorriso trêmulo.

-Eu perdi a noção do tempo e...

Antes que Draco pudesse terminar sua frase, Sarah o abraçou. Draco sentiu Sarah juntando todas as suas partes quebradas com o seu toque.

-Eu não sei o que está acontecendo comigo.

Draco balbuciou tentando esconder a vergonha de ter sido visto chorando. Sarah assentiu com seus grandes olhos castanhos antes de limpar as lágrimas molhadas na bochecha de Malfoy.

-Aconteceu algo sobre...?

Sarah perguntou, balançando a cabeça em direção ao braço de Draco onde a Marca Negra estava tatuada. Draco fechou os olhos e desejou contar a verdade... Seria tão mais fácil ter alguém que pudesse carregar esse peso com ele.

-Não.

Draco disse em um tom firme. Ele sabia que teria sido fácil perder Sarah nessa ocasião, quando ele claramente escondia dela a verdade. Mas, Draco também sabia que não suportaria o sofrimento de Sarah ser penalizada por suas ações.

-Eu estou bem, meu amor.

Draco continuou a dizer. Sarah revirou os olhos e o puxou para seus braços. Draco esticou suas pernas e deitou a cabeça no peito de Sarah em silêncio. Draco ouviu os batimentos cardíacos de Sarah disparados. Mentalmente, Draco adicionou esse som à sua lista de sons favoritos.

-Você não precisa ser forte o tempo todo. Ou fingir que é. Não para mim.

Sarah respondeu baixinho. Draco respirou fundo e a abraçou com força. Com a ponta de seus dedos, Sarah enrolou os cabelos sedosos de Draco com carinho. Seu coração martelava e ela sentia que não conseguia ajudar Draco.

Os motivos já estavam claros, como o céu depois de uma tempestade. Mesmo assim... Sarah ainda se questionava como entender o que estava acontecendo com seu namorado, sem ser prejudicada por isso.

De repente, um relâmpago de criatividade iluminou a mente de Sarah. Mordendo os lábios, Sarah levantou o rosto de Draco com suas mãos e o encarou com doçura.

-Me torne uma de vocês.

Uma ruga de espanto surgiu no rosto de Draco. Brutalmente, o garoto se sentou e balançou a cabeça em negação. Isso era inaceitável para ele. Ser responsável por Sarah se tornar... Um monstro. Deixá-la ter sua vida manchada e marcada como ele... Era inadequado de todas as maneiras.

-Jamais.

Draco sibilou com raiva, fechando seu punho. Sarah espreitou seus olhos em dúvida e o encarou fixamente.

-Se eu fosse como você, eu poderia te ajudar e...

-Isso é inaceitável para mim.

Draco concluiu antes que Sarah pudesse finalizar. Ele não imaginava que pudesse sentir tanto arrependimento e medo ao mesmo tempo. Era possível Sarah amá-lo ao ponto de arriscar sua vida?

-Mas, Draco... 

-Não existe a mínima possibilidade, Sarah.

Dessa vez o tom de Draco foi mais autoritário e ríspido. Sarah sentiu sua bochecha queimar como se tivesse sido pega fazendo algo errado. Draco bufou e balançou a cabeça tentando afastar seus pensamentos conflituosos.

-Você é a pessoa mais importante da minha vida... E eu não vou colocar isso em risco.

Draco finalizou. Sua voz soou mais trêmula e rouca do que ele gostaria. Talvez pelo impacto das palavras. Sarah vislumbrou um brilho no olhar de Malfoy... Ele sentia isso, mas, demonstrava da sua própria maneira.

Sem responder, Sarah o puxou para seus braços novamente. Draco se aconchegou no colo de Sarah enquanto ela refletia sobre essa possibilidade.

Por mais que Draco tivesse negado, Sarah sabia que se quisesse... Se tornaria uma deles. Assim como Draco havia confessado, ele também era a pessoa mais importante da vida de Sarah.

E talvez Sarah quisesse arriscar a sua própria vida para estar ao lado de Draco Malfoy.

O Acordo e o Segredo de Draco MalfoyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora