Acusação

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- Parem de acusá la.- pediu Gustavo.- Vamos embora.- ele puxou a pela mão abandonando o bar.

- Olha tu vê se abres os olhos ao teu amigo.- disse ao Joel.

- Vai ser muito difícil, até porque ele gosta da Laura desde de sempre.

- Então dá um jeito para deixar de gostar.- falei decidida.- Estão a olhar o quê? Que eu saiba já acabou o espetáculo.- os alunos voltaram ao que estavam a fazer.

- Quem é que abriu a porta?- Rute fez novamente a pergunta que não se queria calar.

- Pois se não foi a Laura foi quem?- mencionou Joel.

- Isso é o que menos importa. Só vos garanto que não foi ela, porque quem quer que fosse não queria que nós fôssemos apanhados, caso contrário não teria aberto a porta.- esclareci olhando os.- Só quero fazer com que aquela hipócrita fale a verdade.- disse referindo me à Laura.

- Talvez seja melhor deixarmos isso de lado.- sugeriu Rute.

- Nem pensar.- recusei de imediato.- Eu vou fazer lhe falar, nem que seja da minha maneira.

- Alice o que vais fazer?- perguntou Joel animado.

- Nada demais.

- Alice só tem cuidado para não te prejudicares outra vez.- pediu Rute.

- Não se preocupem, eu não faço nada que me prejudique.- esclareci, levantei deixando lhes no bar. Continuei a andar até cruzar me com a Laura.- Eu sei que foste tu.

- És a única que acredita numa loucura dessas, quer dizer tu e os teus amiguinhos que não são nada de jeito.- ela aproximou se de mim.- Alice não te metas no meu caminho, porque para a próxima pode ser que sejas expulsa.

- Achas mesmo que consegues fazer isso?- disse sarcasticamente.- Se consegues ótimo, fico à espera.

- Tem cuidado, não fiques na esperança de que vais esperar muito tempo.- avisou dando me as costas, dei um longo suspiro.

- Controla Alice, tu mudaste. És uma pessoa completamente diferente.- falei comigo.

- Porque estás a dizer isso?- perguntou Afonso aparecendo atrás de mim.

- São coisas da minha cabeça.- respondi ficando de frente para ele.

- Já deu para reparar que as coisas entre ti e a Laura não estão boas.- comentou.

- Nem sei se vou conseguir aguentar lhe por mais tempo.

- Eu sei que vais. Tu és forte.- ele disse confiante.- E o que é que ela fez dessa vez?

- Ela foi denunciar nos ao diretor, por termos chegado depois da hora. É mesmo vadia.- falei com raiva.

- Tens mesmo a certeza dessa acusação?

- Por favor Afonso, quem não a conhece que a compre.- ironizei.- Eu que ainda há pouco tempo estou aqui já sei como é que ela é. Se ela não vai com a minha cara então eu muito menos.

- Fui eu.- falou, deixando me confusa.

- Foste tu, o quê?- perguntei cuidadosamente.

- Fui eu, quem abriu a porta ontem.- esclareceu, suspirei de alivio.

- Não digas isso dessa forma. Já quase que me fazias ter um ataque.

- Porquê?- perguntou confuso.

- Porque comecei a achar que tivesses sido tu a denunciar nos.- respondi andando.

- Não, claro que não. Eu não faria isso contigo.

- Eu sei que não.- disse pousando a minha mão encima do seu ombro.- Vamos almoçar. Mas tenho de contar te uma ideia que tive.

Fomos caminhando até o refeitório, à medida que eu ia contando a minha ideia. A princípio, ele não queria fazer o que eu lhe tinha pedido, mas depois de eu insistir tanto ele acabou por aceitar. Entramos no refeitório, peguei o tabuleiro indo ter com a Rute e a Maria. O Afonso foi sentar se com os irmãos. Contei lhes a minha ideia. A Maria como sempre não estava de acordo mas em compensação a Rute adorou.

- Mal posso esperar.- falou Rute com um sorriso.

- Já não falta muito.- avisei olhando para o Afonso.- Só falta mais um pouco.

- Não acho boa ideia. Será que vai correr bem?- comentou Maria apertando o terço.

- Tem calma Maria, não é nada demais.- falou Rute. Continuamos a comer em silêncio, a Laura seguida da Joana entrou no refeitório com o nariz empinado. Ela olhava me com desdém.

- Espera Laura o que é teu está guardado.

- Ok, a Alice ás vezes assusta me a falar assim.- confessou Maria.

- Maria nós não vamos fazer nada demais. Só vou falar com ela civilizadamente.- tranquilizei a.

Acabamos de comer. Saímos do refeitório e fomos em direção as escadas. Subimos indo para o terceiro piso. Caminhamos até ao fundo do corredor, coloquei a mão na maçaneta e abri a porta. Lá dentro estava a Sandra e a Isabel.

- Uau, quem é vivo sempre aparece.- ironizei referindo me a elas que riram.

- Pois é, já não via vocês as duas desde ontem à tarde.- comentou Isabel.- Então por onde andaram?

- Fui levar a Alice a conhecer a cidade.- respondeu Rute.- Fomos ao bar.

- Ah, nem nos convidaram.- falou Sandra decepcionada.

- É verdade, teria sido uma boa oportunidade para falares com o Afonso.- eu e a Rute começamos a fazer a cama.

- E que confusão era essa que estava a rolar por aí?- Isabel perguntou curiosa.

- Podes explicar lhe Rute.- pedi atirando me na cama que tinha acabado de fazer.

- Francamente Alice.- observou me Maria não aprovando o que eu tinha feito.

Elas as três sentaram se nas cadeiras. A Rute começava a explicar o sucedido, enquanto que a Isabel e a Sandra escutavam com atenção sem dizer uma única palavra. Por sua vez a Maria decidiu deixar o quarto, provavelmente iria ter com os cromos.

- Isso não me espanta nada.- comentou Sandra.

- Pois vindo mesmo da Laura já nada espanta. Acho que já todos sabem como ela é.- mencionou Isabel.

- Todos exceto o namorado Gustavo. E nós temos de abrir lhe os olhos. Será que ela gosta assim tanto dele? Já iremos descobrir, não tenho dúvidas de que ele a vá abandonar.- falei confiante.

- O que será que vem por aí?- perguntou Isabel olhando para elas as duas.

Eu fiquei a olhar para o teto do dormitório. Enquanto que elas continuavam a conversar sobre não sei o quê. Espreguicei me levantando me da cama. Elas observaram me, deixei o quarto.

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