Há mais qualquer coisa

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As aulas começaram novamente. Agora começava a fazer bom tempo. Podia não fazer aquele sol mesmo forte, mas ao menos já chegava de fazer um pouco. Já estávamos na primavera, eu estava no pátio. Já começava a ver as flores crescerem. Tentei olhar um pouco para o sol que me iluminava a cara. Estava perto da fonte. Já tinha comido todos os ovos, quer dizer menos um. O dele, cuja pessoa eu ainda não sabia o nome nem se existia mesmo. Não sei porquê, mas de alguma maneira eu sentia que ele era especial para mim. Desembrulhei o ovo e comecei a saborear o chocolate, que se derretia com facilidade na minha boca. Hoje era sexta feira, já tinha acabado as aulas do dia.

- Só agora é que estás a comer.- comentou atrás de mim, eu virei me fitando aqueles olhos verdes.- Eu sei que esse é o meu chocolate.- ele parecia controlar se para não rir.

- Então podemos dividi lo.- sugeri vendo o sentar se ao meu lado.

- Não me parece.- disse ainda a tentar controlar o riso.- Não sei se vou aguentar.

- O que é que se passa? Porque queres rir?- questionei confusa.

- Não é nada.- respondeu e começou a rir, eu olhei para ele.

- Diz me que eu também quero rir.- pedi.

- Se eu disser tu não vais achar graça.- afirmou olhando me. Ficamos um bom tempo a encarar nos.

- Posso saber porque és tão misterioso?

- Eu não sou misterioso.- negou de imediato.

- És sim. Eu ainda nem consegui perceber se tu és real ou não.

- Acaba de comer o chocolate.- continuei a comer, ele ficou pensativo.- Porque deixaste o meu para último?

- Acho que não queria comer. Queria deixá lo como uma recordação tua.- ele aproximou o seu rosto do meu.

- Podias ter me pedido, que eu te dava algo.- murmurou, eu virei a cara.

- É parece que está na hora de ir.- levantei caminhando em direção ao edifício.

- Vê te ao espelho.- aconselhou e eu entrei.

Caminhava pelo corredor, e os alunos que passavam por mim começavam a rir. Subi as escadas até ao último piso e fui em direção ao balneário. Olhei me ao espelho, a minha boca estava toda suja de chocolate. Apressei a lavar lhe. Agora entendo porque ele riu se. Por isso é que todos os alunos estavam a rir. Que raiva, ele também podia ter dito.

Estávamos todas no dormitório quando deu a hora de ir jantar. Elas sairam, enquanto que eu fiquei a terminar de arrumar as minhas coisas. Passado cinco minutos, saí do dormitório. Estava a caminhar pelo corredor quando oiço um barulho que pareceu ter vindo do balneário. Aproximei me da porta e ouvi novamente o barulho, recuando de imediato. Decidi não ver o que tinha lá dentro. Corri até chegar ao refeitório, quando parei em frente, todos os alunos olhavam na minha direção.

- Está tudo bem. Este colégio é seguro...- tentei tranquilizá los.- ...creio eu.

Fiquei na fila para pegar o tabuleiro. O que será que tinha no balneário? Será que tinha lá alguém? Não interessa, ainda bem que não fiquei lá para ver. É que no filme, eles costumam ter curiosidade e depois acabam mortos. Abanei a cabeça tentando livrar me desses pensamentos. Peguei o tabuleiro e fui sentar me com eles.

- Vocês ás vezes não ouvem um barulho estranho no colégio?- eles olharam para mim como se eu estivesse louca.- Eu não estou louca.

- Não é o que parece.- disse Joel com cara de deboche.

- Olha Joel não brinques, isto é sério.- falei irritada.

- Calma Alice.- Rute tentou tranquilizar me.- Diz nos o que é que se passa?

O ColégioOnde histórias criam vida. Descubra agora