Boas festas.

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24 de dezembro carrega um clima tão gostoso, principalmente quando família tá reunida. Aqui está até mais cheia do que eu gostaria, mas é estranhamente agradável.

"Estranhamente" porque os pais da Olívia estão aqui, junto com a mãe do Anthony e o pai da Liz. Meu pai deve ter virado amigo de todo mundo. É esquisito, mas ninguém parece desconfortável. E, pelo jeito, a mãe do Anthony já gosta de mim, ou é só o espírito natalino falando mais alto. Obviamente, Anthony, Liz e Olívia também estão presentes.

Falando em Olívia, a barriga dela tá enorme e ela engordou um pouco, o que só a deixou mais fofa. Aliás, meu pai tá me fazendo servir ela e pegar qualquer coisa que ela queira, como se eu fosse namorado dela ou um garçom, mas tudo bem, é justo já que eu plantei a semente. Ela tá esperando um menino, falta pouco tempo pra ele estar entre nós.

Minha irmãzinha nasceu mês passado e Janne tá exibindo ela pras pessoas. Isso é tão careta, mas ao mesmo tempo é adorável ver a felicidade dela. Meu pai tá mais na dele, talvez porque ele já tenha passado por isso, mas para Janne é a primeira vez. Por sinal, ela se chama Sophia.

Entrego um copo com suco para Olívia antes que ela engasgue. Brincadeira, é que ela só tá comendo e comendo, não me surpreende que ela esteja ficando gordinha.

- Obrigada! O que você tá bebendo?

- Whisky, quer um pouco? - aproximo meu copo dela e ela faz cara de nojo.

- Tá brincando, né?

- Por que eu brincaria sobre isso? Ou era isso ou era vinho!

- Não tô falando disso, paspalho! Eu não posso beber nada alcoólico e você ainda me oferece! - ela franze o cenho - Na verdade nunca nem bebi na vida! Você não sabe de nada!

Dou uma risada leve, ela ficou irritada do nada. Me faz lembrar de Janne que chorava por nada. Sento ao lado de Olívia e deixo o copo na mesinha de centro.

- Okay, desculpe! Eu esqueci que pode fazer mal!

- Tudo bem, tá perdoado! - ela faz uma leve careta, depois pega minha mão e coloca sobre a barriga dela - Ele tá chutando! Deve ta irritado porque tem um pai besta e quer chutar sua cara!

- Coitado! Vai ter que comer muito feijão pra conseguir fazer isso! - sorrio.

Sinto ele se mexendo. É uma sensação bizarra e minha careta denuncia. Acho que Olívia não gostou, pois ela me olha quase com ódio. Logo ela afasta minha mão, com raiva e vira um de costas pra mim.

- O que foi? - pergunto, confuso e seguro no ombro dela, mas novamente ela afasta minha mão.

- Você tem nojo! - diz, com a voz trêmula, antes de começar a chorar.

E não é um choro simples. Percebo que ela tenta segurar, mas ainda deixa escapar um soluço. Sorrio amarelo pro pessoal que tá nos olhando, mas logo volto minha atenção para Olívia.

- Claro que não tenho nojo, foi só uma reação... de principiante! Eu imaginei o quão desconfortável deve ser e imaginei em mim, a careta foi de dor e não de nojo! - tento explicar, mas pra falar a verdade a careta foi involuntária, não sei o que pensei na hora - Desculpa, não vou fazer de novo!

- Mentiroso!

Me sinto perdido. Não cheguei a perguntar do meu pai como ele fazia pra acalmar Janne quando esse tipo de coisa acontecia, agora me sinto em um mato sem cachorro.

- O que você fez, em? - meu pai questiona e aponta para Olívia. Rio nervoso, sem saber como explicar a situação - Você não sabe cuidar de uma mulher, não?

Heitor Onde histórias criam vida. Descubra agora