Passei alguns dias sozinho, principalmente pela parte da manhã, mas não é bem uma novidade. Quando machuquei o tornozelo foi assim e agora que fui expulso também esta sendo, mas não significa que eu goste. Meu pai e Janne trabalham, mas felizmente ela aparece por volta da hora do almoço.
Algo que também tive que me acostumar, foi a fazer almoço. Quando era apenas eu e meu pai, a gente revezava no jantar e ,nos finais de semana, a gente comia fora ou pedia alguma besteira. Minha comida obviamente não é tão boa quanto a de Janne e da até uma tristeza comer o que eu preparo. O pior é que eles são praticamente forçados a comer também para não estragar. Eles nunca reclamaram, mas eu sei que é ruim.
Esses dias evitei sair. Ainda tô meio traumatizado por ter fugido da casa da Olívia. Vai que aquele louco me acha por aí e me segue até em casa. Claro que não é só por isso, também é para segurar meus impulsos de transar com a primeira garota atraente que aparecer na minha frente. Evitar encontrar minha mãe também ajuda. Então, tirando o tédio, estou tranquilo. É até surpreendente ela não estar insistindo para me ver.
Hoje é sexta e amanhã vou ver se meu pai quer fazer alguma coisa, talvez uma atividade que ele goste já que sempre fazemos coisas que eu gosto. Não conheço os hobbies do meu pai, sei que ele malha de vez em quando
Acabei de almoçar e fiquei na sala assistindo qualquer coisa, porque não vale a pena sair de casa com o sol de hoje. Bom, o sol de todo dia na verdade. Até agora Janne não chegou, mas até aí é normal. Me preocupo um pouco já que ela parece meio pálida às vezes, mas imagino que seja coisa da gravidez.
Ouvi um som que me deixou alertar, parecia mais que eu estava ouvindo coisas de outra mundo, até o som se manifestar novamente e eu perceber que era apenas a campainha. Sentei no sofá sonolento, estava passando algo bem aleatório na TV agora. Levantei e fui até a porta. Assim que abri, um clarão entrou e me atingiu direto nos olhos. Instintivamente, fechei um pouco e franzi o rosto. Coloquei uma mão para proteger um pouco mais. Deu tempo de reconhecer Anthony.
Eu realmente não esperava ver ele aqui, na verdade, já estava convencido de que ele nunca mais iria falar comigo novamente.
- Cê matou aula? - pergunto, realmente intrigado.
- Não! Já são quatro horas, você bebeu ou o quê? - ele suspira e passa a mão no cabelo - Preciso falar com você, posso entrar?
Abro mais a porta e aceno para ele se apressar e entrar de uma vez antes que eu fique cego, e assim fecho a porta. Dentro de casa ainda tem claridade, mas fora fora um pouco de nistagmo, não tem nada me incomodando muito.
Deixando as dificuldades do meu albinismo de lado, eu claramente peguei no sono, agora tô me sentindo um velho. Vou até a cozinha e pego um pouco de água, depois me volto para Anthony que me seguiu até a cozinha e bebo minha água.
- Fala aí! - digo. Acho que já faço uma ideia do motivo da visita dele, mas vou deixá-lo no próprio tempo.
- Foi mal, beleza? Eu sei que fui meio babaca com você por causa da Isabella! Eu... - ele dá uma pausa e olha para um canto aleatório, depois coça a cabeça.
- Tá com piolho?
- Não! - ele me olha meio bravo - Cala a boca, eu tô tentando me declarar aqui!
- Eu não gosto da fruta, amigo!
- Cala. Essa. Boca. - ele bufa e eu começo a rir, logo ele ri também, mas depois fica meio pensativo - Não, não é nesse sentido. Eu sinto sua falta, cara! Você é meu único amigo e a Liz tá namorando. Ela e o namorado até passam um tempo comigo, mas me sinto segurando vela para eles. Além disso o cara é meio esquisito. É igual você na verdade, só quero com um senso de humor diferente.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Heitor
Ficção AdolescenteTodos adoram uma história com um garoto complicado, e aqui você vai encontrar um pouco disso. Mas, acima de tudo, talvez você se identifique com os personagens, já que não há nada de excessivamente fantasioso no mundo adolescente que apresento. Paix...
