Promessas e Medos

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O Sr. Mascarado me entregou minhas roupas já lavadas. O cheiro de limpeza me envolve, e por um instante, me sinto diferente, como se pudesse me livrar de tudo de ruim que aconteceu. Mas então, algo inesperado acontece.

Ele segurava minha calcinha.

Sinto meu rosto queimar. Num reflexo, arranco o tecido de suas mãos e disparo para longe, sem coragem de olhar para trás. O que ele deve estar pensando de mim agora? Que sou ridícula? Mas... é tão vergonhoso. Ninguém nunca viu minha roupa íntima antes. E lá estava ele, segurando-a com naturalidade, como se fosse um pedaço qualquer de roupa.

Depois disso, ele apenas riu e saiu. Disse que precisava resolver algo e que voltaria logo.

Espero que cumpra sua palavra.

Não posso acreditar que ele me deixou sozinha. Mas confio que sabe o que está fazendo.

— Fique quieta e escondida no quarto. Só abra a porta se ouvir a minha batida secreta. Se for qualquer outra coisa... se esconda e espere por mim.

Suas palavras ecoam na minha mente.

E então, o estrondo vem.

O barulho me atinge como um choque elétrico.

Meu corpo trava.

Isso... não foi ele.

Um arrepio gélido percorre minha espinha.

Me aproximo da porta com cautela, meu coração martelando contra o peito. Vozes ecoam do lado de fora. Grossas. Desconhecidas.

Definitivamente, não pertencem ao Sr. Mascarado.

Droga.

Minhas pernas se movem antes que eu possa pensar. Corro para dentro do guarda-roupa e me encolho no fundo, enfiando os joelhos contra o peito. Minha respiração está irregular. Cada batida do meu coração parece um tambor descontrolado.

E se eles me encontrarem?

Talvez debaixo da cama fosse melhor... Mas agora é tarde demais.

Os passos reverberam pelo corredor.

Estão cada vez mais perto.

Ouço gavetas sendo abertas, portas sendo arrombadas. Eles estão revirando tudo.

— Tinha uma mochila lá fora — diz uma das vozes. — Alguém esteve se alimentando aqui.

Engulo em seco.

— Depois desse, faltam uns dez apartamentos. Vasculhamos quase o prédio inteiro e nada. Eles não podem se esconder para sempre.

O clique da maçaneta me faz prender a respiração.

A porta se abre com um estrondo.

Meus músculos se enrijecem.

Seguro minha própria boca com as mãos.

Ele prometeu que voltaria. Que me salvaria.

Prometeu...

Os passos se aproximam.

Uma sombra se move diante do guarda-roupa.

A porta se escancara.

Um homem está parado ali.

Seus olhos são sombrios, vazios, como os de um predador que encontrou sua presa.

— Olha só o que temos aqui, pessoal!

Outros dois entram no quarto, sorrisos torcidos nos lábios.

Não.

Não de novo.

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