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Eu não entendo o que Yuka pretende fazer, mas confio nele. Sei que não vai me machucar nem me forçar a nada.

Ele segura minha cintura com firmeza, e sua outra mão desliza para minha nuca. Antes que eu possa processar, seus lábios quentes encontram os meus, e uma onda elétrica percorre meu corpo. Meu coração dispara, meus joelhos fraquejam, e um calor desconhecido me envolve. Pressiono meus lábios contra os dele, sentindo uma necessidade que nunca experimentei antes.

Yuka se afasta devagar, mantendo os olhos fixos nos meus.

— Kuon, não tenha medo, tá bom?

Sua voz é um sussurro reconfortante.

— Eu confio em você, Yuka.

Ele me coloca no chão com delicadeza e abre a porta do apartamento ao lado. Meu estômago se revira, e tento disfarçar o tremor nas pernas. O ar parece pesado quando percebo que estou sozinha com ele, em um espaço onde não há mais ninguém.

— Gostaria de entrar, Kuon?

Meu olhar se perde no quarto mal iluminado.

— Kuon?

Yuka segura meu rosto com suavidade, erguendo meu queixo até nossos olhos se encontrarem.

— Não vamos fazer nada que você não queira, entendeu? Podemos apenas deitar e aproveitar a companhia um do outro. Quero que se sinta confortável.

Seu tom é sincero, e um suspiro trêmulo escapa dos meus lábios.

— Não sabia que lhe assustava tanto — ele brinca, sorrindo de canto.

Estou prestes a protestar, mas ao ver o brilho divertido em seus olhos, acabo rindo junto.

— Vamos entrar. Acho que vai gostar.

Ele segura minha mão e me conduz para dentro. O quarto é diferente do outro. É um espaço único, dominado por uma cama larga, que parece convidativa sob a luz suave que entra pelas enormes janelas de vidro. A vista é deslumbrante, mas minha mente está em outro lugar.

— Essa é a cama do outro quarto? — pergunto, surpresa.

Ele confirma com um aceno.

— Não podia deixar você dormir no chão.

Fico me perguntando em que momento ele fez isso sem que eu percebesse. Antes que possa perguntar, um vento frio invade o cômodo, e instintivamente me encolho contra seu peito, buscando calor.

— Vou acender a lareira para nos aquecer.

Acompanho seu movimento com o olhar enquanto ele acende as chamas. O brilho laranja e oscilante destaca suas feições marcantes—o maxilar forte, o nariz perfeitamente alinhado, os cabelos negros refletindo o fogo. Ele é, sem dúvida, o homem mais bonito que já vi.

Yuka se vira e encontra meu olhar. Meu rosto esquenta por ter sido pega o admirando. Ele sorri de forma quase imperceptível e se aproxima devagar, como um predador calculando cada passo. Meu coração bate tão forte que temo que ele possa ouvir.

Ele segura minhas mãos, entrelaçando nossos dedos, e me encara com intensidade. Seus olhos parecem ler todos os meus pensamentos.

— Kuon, preciso te perguntar uma coisa...

Engulo em seco e confirmo com a cabeça.

— Você sabe o que acontece entre um homem e uma mulher?

Minha respiração vacila. Meu rosto arde, e um calor inesperado percorre meu corpo, concentrando-se entre minhas pernas. Negando timidamente com a cabeça, desvio o olhar.

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