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Sniper Mask

Saio daquele ambiente. Estava me sentindo sufocado ao lado dela, como se a qualquer momento eu acabasse cometendo uma loucura ao ouvi-la falar aquele monte de merda.

Dessa vez, não fui para longe. Estou do outro lado da porta, sentado no chão e fumando um pouco para tentar me acalmar—o que vai ser difícil. Toda vez que lembro das suas palavras, uma raiva me preenche. Como se, por ter salvo a porra da vida dela e das amigas, agora eu fosse o caralho de um vilão. O que eu deveria ter feito? Deixado todos morrerem e os mascarados ficarem vivos? Será que isso a faria feliz?

Não acredito que aquela idiota, que quase foi morta e sequestrada, se importe tanto com o fato de eu ter tirado vidas. Ela sabia muito bem quem eu era. Eu avisei que ela não iria gostar dessa versão minha. Ela já me viu matar antes... já me ajudou a matar antes. Sei que nunca ficará feliz com isso, mas...

Eu a conheço. Sei por que não ficou feliz com a morte da mascarada. Sei que, talvez, ela acredite que todos podem sair dessa e voltar para o seu mundo como se nada tivesse acontecido. Como isso me irrita nela. Ela ainda não saiu do seu mundo de fantasias particular. Sua ingenuidade e inocência quase custaram sua vida mais uma vez.

Meu plano desde o início era matar os dois. Eu estava esperando uma brecha. Se matasse o mascarado com as correntes, em seguida tentaria atirar na mascarada. Eu sabia que ela desviaria das minhas balas com facilidade—era uma de suas habilidades. Mas se a Mayuko morresse, Kuon e Yuri jamais me perdoariam, então não estava disposto a fazer esse sacrifício. Sempre há uma brecha. Sempre alguém dá um deslize. Eu só precisava esperar. Mas então aquela desmiolada resolveu se oferecer no lugar das amigas. Era óbvio que era uma mentira, e mesmo assim ela não percebeu.

Naquele momento, eu fiquei sem reação. Só queria mantê-la viva e ao meu lado, mas não sabia como fazer isso sem que custasse a vida de alguém. Todo o meu lado racional foi por água abaixo quando a vi se oferecendo como se fosse uma moeda de troca.

E pra piorar tudo, ao se afastar de mim, ela ficou de frente para a mira da Pluma Branca. A garota tem o mesmo modelo de arma que a minha, nossas habilidades são as mesmas, então eu sabia que bastava um movimento meu para dar a oportunidade de alguém ferir Kuon. E eu sei que ela queria fazer isso. Machucá-la. Não por mim, mas porque me afastei da Pluma. Mas isso não teve nada a ver com Kuon.

Eu não poderia arriscar a vida dela. Ainda bem que Yuri atacou o mascarado, dando a brecha que eu estava esperando ansiosamente. A mascarada estava ocupada segurando Kuon para desviar das minhas balas. Era tudo o que eu precisava para tirar a vida de ambos e libertar todos.

Ver Kuon naquele estado inconsciente, presa nos braços da mascarada apenas por ter visto o outro morrer, só me faz ter certeza de que ela não foi feita para esse mundo. Não foi feita para essa versão minha. Eu não quero deixá-la, mas também não quero que ela tenha que ser forçada a passar por isso ao meu lado... e depois ter que se deitar com um assassino. Ainda irei protegê-la e cuidar dela, mas não como eu gostaria. Talvez isso seja o melhor pra ela.

Mas e eu...?

Merda. Não sei o que fazer.

Escuto um barulho dentro do cômodo. Acho que estão todas na sala.

— Kuon, o que houve? — Era a voz de Yuri.

Aproximo meu ouvido da porta para escutar melhor.

— Ele te fez alguma coisa? Eu mato ele. — Fico feliz em saber o quanto sou descartável para Mayuko.

— Não, ele não fez nada. Foi eu... Eu não sou como vocês. Eu... não gosto de ver as pessoas morrendo. Eu sou fraca.

Sua voz está trêmula. Eu odeio quando ela fica assim. Ainda mais por saber que, dessa vez, o motivo sou eu.

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