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Kuon

Termino de vestir minha roupa apressadamente e corro para perto do senhor mascarado, ficando atrás dele. Tento me manter firme com todas as forças, apesar de minhas pernas ainda estarem bambas e do ardor incômodo entre elas. Não posso pensar nisso agora. Preciso ignorar tudo e me concentrar no que está prestes a acontecer.

— Yuka?

— Lembra do que eu te falei? Se eu mandar correr, você corre. Se mandar se esconder, você se esconde. Entendeu?

Eu deveria apenas assentir, mas jamais poderia prometer isso. Se ele precisar de mim, como eu poderia simplesmente fugir e deixá-lo para trás? Eu já não podia antes, e depois de hoje... Agora, menos ainda. Não sei como ele se sente em relação a tudo isso, mas eu estou completamente apaixonada por ele. Sei que não posso estar em nenhum outro lugar que não seja ao seu lado. Ele é meu anjo. Talvez ainda não tenha percebido, mas isso não importa. Só sei que não posso deixá-lo.

— Kuon?

A voz dele me traz de volta à realidade. Ele segura meu braço com firmeza e me olha profundamente, seus olhos vasculhando minha alma.

— Eu não posso prometer isso, Yuka. Não se você também estiver em perigo. Não posso deixar que te machuquem, que...

Ele interrompe a própria frase, solta meu braço e me puxa para um abraço apertado. Meu corpo relaxa no dele, e eu fecho os olhos ao sentir seu cheiro, aquele que sempre me traz paz.

— Não foi um pedido, Kuon. Você vai fazer o que eu mandar. O que for melhor para sua segurança.

Me afasto e o encaro, irritada.

— Você não manda em mim, Yuka. Eu não vou te deixar.

Ele ignora completamente minha expressão indignada e caminha até a porta. Quando a abre, damos de cara com Yuri e May. Ambas parecem tensas, mas Yuri... Nunca a vi assim antes. Seus olhos, sempre doces ou envergonhados perto dele, agora ardem de fúria.

Pego minhas botas, calçando-as o mais rápido que consigo, e alcanço as meninas.

— Vocês estão bem?

— Tem alguém nesse prédio — Yuri diz, sem desviar os olhos de Sniper. — Quem era aquela mascarada? Ela parecia te conhecer.

— O nome dele é Yuka — digo baixo, mas o suficiente para que ela ouça. — Se quiser, pode chamá-lo assim.

— Então nos diga, Yuka.

Ela cruza os braços e encara Sniper, esperando uma resposta.

— Pelo que descreveu, provavelmente estamos falando da minha antiga parceira antes da rachadura da máscara. Pena Branca. Eu e ela trabalhamos juntos para... Bem, vocês sabem.

Meu coração aperta ao ouvi-lo. Antiga parceira? Mas mascarados são capazes de manter esse tipo de relação? Principalmente quando a máscara ainda está intacta?

Então... Será que é dela que estavam falando antes? A mulher que disseram ser sua namorada? Tento ignorar esse pensamento, mas ele me consome. E agora não há como fugir disso.

— Sua namorada, não é?

Minha voz soa mais trêmula do que eu gostaria. Todos me olham. Sinto um nó na garganta e uma vontade sufocante de chorar, mas seguro as lágrimas. Não é hora para isso. Não posso demonstrar o quanto isso me incomoda.

Mas... Por que incomoda tanto?

É claro que ele já teve outras pessoas na vida. Eu só tive ele, mas não sou ingênua a ponto de pensar que sou a primeira. Não depois de ontem. Ele sabia exatamente o que estava fazendo... Desde o nosso primeiro beijo, parecia fazer tudo com maestria.

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