A caminhada até o prédio foi longa, e cada passo aumentava a inquietação em meu peito. A Yuri nos guiava com firmeza, mas minha mente estava longe, perdida em um turbilhão de pensamentos. O prédio que se erguia diante de nós era imponente e ameaçador, sua entrada vigiada por mascarados que pareciam fantasmas à espreita na escuridão.
Como será que ele está? Espero que esteja bem... Que eles não tenham feito nada com ele...
Engoli em seco, sentindo um aperto sufocante no peito. Será que eu estava errada em trazer as meninas para esse risco? Estava colocando suas vidas em perigo por Yuka, mas... não podia abandoná-lo. Ele nunca hesitaria em vir atrás de mim. Nunca me deixaria sozinha nesse inferno. E eu faria o mesmo por ele.
— Kuon, preste atenção no plano! — A voz da Yuri me trouxe de volta.
— Me perdoe, Yuri. Pode continuar.
Ela respirou fundo antes de retomar:
— O Yuka deve estar na cobertura. O fato de terem tantos mascarados no terraço significa que estão esperando por nós. Enfrentá-los diretamente seria suicídio, então vamos entrar pelos dutos de ar, encontrar o Yuka sem chamar atenção e sair o mais rápido possível. Eu sei que é um plano cheio de falhas, mas não tivemos tempo para algo melhor...
Olhei para ela, tomada por uma gratidão profunda. Ela não precisava fazer isso. Nenhuma delas precisava. Ainda assim, estavam aqui comigo.
— Kuon, não acha melhor planejarmos melhor? — A May perguntou, hesitante.
Segurei as mãos de Yuri, transmitindo tudo o que sentia naquele toque.
— Eu agradeço, de verdade. Mas vocês não precisam ir. Já me trouxeram até aqui, e sou muito grata por isso. Se quiserem recuar, eu entendo. Eu...
— Kuon, cala a boca. — A voz firme de May me cortou. Ela me olhava com seriedade, quase ofendida. — Você estava comigo quando a Yuri precisou. Então não fale besteiras.
Minha garganta apertou.
— Eu só não quero que se machuquem...
Yuri me puxou para um abraço apertado, e por um instante senti todo o medo escoar do meu corpo. Seu toque sempre me tranquilizava.
— Vamos.
Os dois mascarados guardavam a entrada do duto de ar. Antes que eu pudesse reagir, Yuri atirou na cabeça de um deles, e May lançou uma adaga certeira que se enterrou na garganta do outro. O som dos corpos caindo ecoou no silêncio pesado da noite.
Minha respiração vacilou. Meus olhos se arregalaram ao ver o sangue se espalhando no chão.
Tampei a boca, tentando conter o choque.
— Kuon?
A voz de Yuri me fez encará-la. Seus olhos estavam cheios de compreensão, mas também de seriedade.
— Você vai ter que ser forte. Não temos como evitar isso. E você precisa estar pronta para o que vier, se quiser salvar o Yuka.
Ela colocou uma arma em minhas mãos.
Eu a encarei, sentindo um nó se formar na garganta.
— Yuri, eu... eu não consigo...
— O Yuka precisa. Se quer ajudá-lo, esse é o jeito.
Fechei os olhos e segurei a arma com mais força, mesmo que meu coração gritasse em repulsa ao que isso significava.
Atravessamos o duto engatinhando, o cheiro de poeira me causando vontade de espirrar. Meu corpo tremia a cada metro percorrido. Mas eu não podia parar.
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The Other World
FanfictionA história segue a estudante Kuon Shinsaki que encontra-se perdida em um novo mundo onde incontáveis arranhas céus estão conectados por pontes suspensas e figuras mascaradas matam sem misericórdia outros humanos que também estão lá. Ela irá enfrenta...
