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Sniper Mask

Eu e Yuri tínhamos vantagem sobre Pena Branca. Apesar de sua habilidade, a luta estava equilibrada, e eu já conseguia prever seus movimentos. Mas então, algo inesperado aconteceu.

A criatura surgiu das sombras. Não era um mascarado comum. Seu corpo era desproporcionalmente grande, com mais de três metros de altura. Os músculos pulsavam como se algo dentro dele estivesse prestes a explodir. Sua pele era acinzentada e deformada, os olhos sem vida, apenas escuridão.

Um arrepio subiu pela minha espinha. Isso não era humano.

Ele se moveu primeiro—rápido demais para algo daquele tamanho. Yuri tentou recuar, mas não conseguiu evitar a bala de Pena Branca que perfurou seu ombro. Ela soltou um grito abafado, levando a mão ao ferimento. O sangue começou a escorrer, escuro e denso.

Se não parasse logo, ela poderia ter uma hemorragia.

— Yuri, vá até a Kuon. Ela pode te ajudar.

— Eu não vou deixar você! — Sua voz era carregada de raiva e desespero.

— Não tem escolha! Se ficar, vai morrer. Kuon pode tratar isso. Vá!

Ela hesitou. Seus olhos brilharam de preocupação.

— Ela não vai me perdoar por deixar você...

— Eu sei.

Eu sabia muito bem o que Kuon sentia por mim.

E, no fundo, aquilo me confortava.

Mas agora, eu precisava que Yuri sobrevivesse.

— Ela vai ficar bem — garanti, mesmo que uma parte de mim duvidasse disso. — Agora corre!

Levantei minha arma e disparei contra a criatura e os mascarados, criando uma distração. Yuri usou o momento para fugir. Vi sua silhueta desaparecer no escuro e soltei um suspiro aliviado.

Agora era só eu contra eles.

Revirei o tambor da arma. Cinco balas.

Os mascarados avançaram. Eram oito ao todo. Minha mira não falharia. Apertei o gatilho.

Cinco caíram antes que pudessem entender o que os atingiu. Os outros três hesitaram, mas não o suficiente. Antes que pudesse atirar de novo, senti algo esmagar minhas costelas.

O monstro.

Meu corpo foi arremessado contra a parede com força suficiente para rachar o concreto. A dor explodiu em mim, uma onda quente e cortante. Tossindo, tentei me levantar, mas uma mão fria apertou minha garganta.

A voz de Pena Branca cortou o ar:

— Eu avisei, Sniper. Eu sempre consigo o que quero.

Lutei para respirar.

— Estou... honrado — soltei entre dentes. — Todo esse esforço só para me capturar. Me sinto importante.

Ela sorriu e se aproximou, agachando-se ao meu lado.

— Você é importante.

Seus dedos tocaram minha máscara, traçando seu contorno.

— Vá se ferrar — rosnei, afastando o rosto.

Ela riu, mas seus olhos brilharam com algo diferente.

— Vamos ver se continua tão convencido quando conhecê-lo.

O monstro me ergueu do chão como se eu não pesasse nada. Não tentei lutar. Não agora.

Kuon... Espero que esteja segura.

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