Kuon Shinzaki
Eu queria proteger o Yuka de mim mesma.
Não contei tudo. Achei que, escondendo o que sinto, o pouparia de mais preocupações. Mas quanto mais tento sufocar essa dor, mais percebo o quanto estou me afastando dele... e de mim. Se eu quiser voltar a ser quem eu era — ou ao menos tentar — preciso encontrar forças pra isso. Só não sei por onde começar.
Tudo o que faço parece errado. Cada palavra, cada passo. Sinto que estou à beira de destruir o pouco que ainda temos. Uma parte de mim só quer fugir. Me esconder de tudo, de todos... e só voltar quando for capaz de me olhar no espelho sem lembrar... daquilo.
Só quero melhorar. Quero ser alguém inteira de novo.
— Kuon, você ouviu o que o médico disse, não ouviu?
A voz da Yuri me puxa de volta. O olhar dela transborda preocupação. Tento sorrir, um gesto frágil, quase quebrado.
— Eu ouvi sim, Yuri. E vou seguir direitinho o que ele recomendou, eu prometo. Não precisa se preocupar.
O médico foi gentil, mas... ainda assim, foi horrível. Estar num lugar fechado com um desconhecido me causou um pânico silencioso. Só consegui suportar porque a Yuri segurou minha mão o tempo todo. Sua presença foi a âncora que me impediu de me perder.
Ele disse que estou com uma hemorragia interna leve, que pode parar com descanso e cuidados — sem necessidade de cirurgia. Limpou meus ferimentos, trocou as bandagens. Só isso já foi demais pra mim. Mas no fim... eu sobrevivi. Na medida do possível.
— Estou preocupada com você, Kuon — ela repetiu, com ternura.
— Eu sei, e agradeço por isso. Mas, como ele mesmo disse, o que preciso agora é descansar. E aqui... não tem muito que ele possa fazer além disso, Yuri.
Notei a ausência da May. Estranho. As duas sempre estão juntas. Sempre.
— Onde está a May?
— Deve estar no nosso quarto... ou treinando com os meninos. Por quê?
— Vocês não costumam se desgrudar...
— Ela entende, Kuon. Não se preocupe.
— Por favor... vai ficar com ela. Eu não sou uma criança. Vou ficar bem, eu prometo.
Sei o quanto Yuri se importa. Mas não quero que ela abra mão do que ama por minha causa. Mesmo que a solidão me doa, prefiro isso a ser um peso.
— Não discute comigo, tá? Vai... ela vai adorar te ver.
Yuri hesitou, mas aceitou. Eu não esperava que logo em seguida o Yuka fosse entrar no quarto.
O som da porta se abrindo me fez levantar o olhar. Lá estava ele. Sempre tão sereno e atento. Seus olhos passaram por mim, mas logo se fixaram na Yuri. Algo ali... me incomodou.
— Yuka?
Ele caminhou direto até ela e a abraçou.
Fiquei congelada. Sem entender. Não era ciúme — pelo menos eu acho que não. Era algo mais profundo. Um desconforto misturado com medo. Por quê? Por que ele está abraçando ela com tanta... ternura? É porque eu não consigo?
— Me perdoa, Yuri. Me perdoa por ter tentado te matar. Se fosse eu, de verdade... jamais faria isso com você. Eu teria dado minha vida pra te proteger.
— Yuka... isso é passado. Tá tudo bem. Por que está assim? — ela começou a recuar, confusa.
Mas ele não parecia disposto a soltá-la. Eu não sabia se saía dali ou fingia que não estava vendo. Só sabia que doía. Me sentia invisível... como se o mundo ao meu redor estivesse se afastando.
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The Other World
FanfictionA história segue a estudante Kuon Shinsaki que encontra-se perdida em um novo mundo onde incontáveis arranhas céus estão conectados por pontes suspensas e figuras mascaradas matam sem misericórdia outros humanos que também estão lá. Ela irá enfrenta...
