Encontro com o Sr. Mascarado

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Não acredito que finalmente encontrei alguém que pode conversar comigo e que, ao menos por enquanto, não parece querer me machucar como o anterior. Mas será que posso confiar nisso? Meu julgamento já provou ser falho mais de uma vez neste mundo. Ou será que pessoas assim sempre existiram e eu simplesmente nunca me deparei com elas?

— Fique tranquila, um anjo jamais poderia machucar uma das próximas de Deus.

Anjo? Será que ele pode me salvar como um verdadeiro anjo protetor? A ideia me preenche com um alívio indescritível. Respiro fundo, sentindo meus ombros relaxarem levemente, mas o receio continua ali, como uma sombra persistente.

Desde que coloquei a máscara sem boca em meu rosto, coisas estranhas começaram a acontecer. Vi mascarados atacando outras pessoas, mas nunca a mim. No entanto, também nunca tentaram falar comigo ou sequer demonstraram perceber minha presença. No começo, pensei que fossem apenas cascas vazias, sem consciência própria.

A máscara não me deu força física – essa nunca foi sua função. O que ela faz é amplificar habilidades, mas, até onde percebo, não tenho nenhuma especial. A única coisa que descobri, com a ajuda da voz na minha cabeça, é que consigo ativar um canhão da torre principal e explodir qualquer coisa, desde que tenha as coordenadas exatas. Nunca precisei usá-lo, e espero que nunca precise. Algo tão poderoso pode causar destruição irreparável. Para ser sincera, nem entendo completamente como funciona. A lembrança de como descobri essa habilidade é um borrão em minha mente.

— Você tem que sair daqui.

A voz me puxa de volta à realidade. Meus olhos se fixam na figura diante de mim, agora mais próxima. Ele é incrivelmente alto e veste um traje formal: um terno preto bem ajustado, uma camisa branca impecável e uma gravata preta. Um chapéu fedora cobre parte de seus cabelos, e luvas escondem suas mãos. Seu cinto tem um design incomum, e seus sapatos de couro brilham sob a fraca iluminação.

Mas o que mais me intriga é sua máscara sorridente – diferente das dos outros. Ela está rachada.

Minha respiração fica pesada quando olho para trás. O homem que me perseguia também tinha uma máscara rachada antes... Nem todos os mascarados parecem seguir o mesmo padrão. Esse aqui, porém, é estranho.

Dou um passo para trás, tentando manter distância, mas acabo me chocando contra o peito do Sr. Mascarado. Um tremor percorre meu corpo.

— Me perdoe! Eu só...

Ele não me responde imediatamente. Em vez disso, ergue o olhar para o mascarado que estava atrás de mim, estudando-o com um silêncio analítico.

— Você está fugindo dele?

Apenas confirmo com a cabeça. Estou exausta de correr. Minhas pernas tremem, implorando por descanso.

Então, um disparo ecoa no ar. O barulho me faz prender a respiração, mas a bala não me acerta. Ela colide contra o escudo do outro mascarado, produzindo um estrondo ensurdecedor. Antes que eu possa processar a situação, outro tiro é disparado, mas dessa vez, acerta a corda que o sustentava.

Meu coração para.

Vejo o mascarado despencar da torre. O som de seu corpo atingindo o chão reverbera em meus ouvidos como um eco distante.

— Ele está morto...? — Minha voz sai fraca, quase inaudível.

— Sim.

Curvo meu corpo levemente em sinal de agradecimento. Não estou feliz pela morte de outro ser humano, mas... Ele me salvou. A única coisa que posso fazer é expressar minha gratidão.

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