CAPÍTULO 02

1.7K 144 19
                                        

Bianca não demorou a estacionar o seu carro em frente a escola infantil que pertence a empresa dos Andrade. A carioca ajudou o filho a descer e pegou a sua mochila.

Esta escola ficava na mesma rua da empresa e apenas os filhos dos advogados que trabalhavam para Marcos estudavam ali.

- Bom dia, tia. -cumprimentou o educado Cris, a ajudante de sua professora de classe.

- Bom dia, Cris. - a mulher beijou a bochecha do menino - Bom dia, Bianca. 

- Bom dia, Ivy. - a carioca apertou a mão da jovem de vinte e poucos anos. - Mariana disse que queria conversar comigo. - Bianca passou a mão nos cabelos do filho.

- Ela foi pegar alguns materiais na sala de artes, mas já vem.

A carioca assentiu. A mesma beijou a bochecha do filho, deixando o garoto ir se sentar em sua carteira. O que não passou despercebido por Bianca foi o fato do filho ficar isolado enquanto os amiguinhos brincavam.

- Oi Bianca, me desculpe por te fazer esperar. - a jovem de cabelos lisos e castanhos sorriu - É coisa rápida, vem cá. 

Puxando a carioca para um canto mais afastado a professora começou:

- De uns dias pra cá, Cris começou a mudar de comportamento. Ele tem se isolado dos coleguinhas e tem andado um pouco agressivo.

- Me desculpe por isso, Mari. Eu nem imaginava algo assim, em casa ele está normal. O mesmo garotinho gentil e doce. - explicou Bianca. A mulher estava surpresa pelo comportamento do filho.

Cris nunca tinha lhe dado problemas, sempre foi muito gentil com todos. A professora e mãe, conversaram mais um pouco e Bianca prometeu que conversaria com o filho, e pediu desculpas pelo comportamento.

Totalmente surpresa e chocada a mulher voltou para o seu carro. Bianca não demorou a chegar a grande empresa de advogados da família - Andrade Advocacia -. Um grande prédio, com mais de doze andares e com janelas imensas de vidros escuros.

Com um Ray-Ban aviator, a carioca entrou no elevador assim que a caixa metálica se abriu. Parando no décimo quinto andar, cumprimentou alguns funcionário que trabalhavam naquela área.

Se permitindo relaxar, a mulher se jogou em sua cadeira. A conversa com a professora do filho a deixou preocupada. Se perguntava o porquê de Cris estar se comportando assim.

- Licença, Bia.- Disse Marcos entrando na sala da filha. Bianca era uma das melhores advogadas especializadas em crime contra a mulher.

- Entre, papai. - disse tomando a postura ereta que sempre foi cobrada pela mãe.

- Chegaram alguns casos novos para você. Querida... - o homem se sentou na cadeira de frente para a carioca - Você não acha melhor contratar uma secretária para te ajudar?

- Estou pensando nisso, pois estou começando a ficar doida por ter que lidar com tudo sozinha.

- Pedirei para Marcela conseguir alguém de confiança para você. Alguém tão inteligente quanto ela. - Sorriu o mais velho. Marcos sempre foi um homem gentil e educado. Sempre tratou os seus funcionários com muito respeito, diferente de sua esposa que aparecia na empresa apenas para dar ordens.

- Faça isso, papai. Quem vocês escolherem, para mim estará ótimo.

- Vou ver isso. Deixarei você trabalhar agora. - e antes de sair, o mais velho deixou algumas pastas com os novos casos na mesa da filha.

Bianca passou a manhã e a tarde analisando casos. Cada uma das história contadas por mulheres que precisavam de sua ajuda na justiça, lhe chocava. A mesma se perguntava como que homens como ex-marido ou atual ainda estavam soltos na sociedade.

Já Rafaella, se preocupava com as contas médicas da filha que não paravam de chegar. Malu por ser uma garotinha com síndrome de Down, necessitava de muitos cuidados especiais. Sua saúde era frágil, a menina tinha passado por algumas cirurgias. Com apenas dois anos Malu passou por uma cirurgia cardíaca, ganhando uma grande cicatriz no peito.

Para Rafaella e Malu, aquela cicatriz mostrava o quanto a menina era forte e inabalável. O amor de mãe e filha era capaz de vencer qualquer batalha.

Faziam alguns meses que estava desempregada. Sua melhor amiga Marcela lhe permitiu morar com ela depois de sair de sua antiga cidade no interior.

A loira tinha se mudado para a cidade grande, para tentar conseguir um bom trabalho em sua área.

Rafaella ajudava Malu no banho, a menina era dependente da mãe para muitas coisas.

- Mamãe, Malu quer mamar. - a garotinha passou delicadamente seus pequenos dedinhos no rosto da matriarca, molhando as suas bochechas

- Mamar só na hora de dormir. Essas são as regras filha.

- Malu, quer dormir. 

Rafaella sorriu pela bela estratégia da filha. Apesar do desenvolvimento lento, a menina estava dia após dia melhorando o seu vocabulário. A maioria das vezes tinham que falar na língua de sinais, as vezes até mesmo quando a garota falava, pois algumas palavras eram difíceis de serem compreendidas.

- Boa tentativa mocinha. - a loira desligou o chuveiro, depois de tirar todo o xampu dos cabelos de Malu.

Depois de pegar uma toalha em cima da pia, Rafaella secou a filha e ali mesmo a vestiu com um confortável pijama rosa e branco. A mulher evitava trocar de cômodos com a menina sem roupa.

- Cadê a princesa dessa casa? - Marcela disse entrando em sua residência. A mulher deixou a bolsa no balcão da cozinha juntamente com a pizza que trouxe.

- Quem chegou? - Rafaella cochichou para a menina que sorriu sapeca.

- Titia Ma - respondeu fazendo sinais com a mão

- Vamos lá dar um beijo nela.

A menina saiu na frente da mãe e quando viu a tia parada na cozinha, correu até a mulher para abraça-la.

- Que abraço gostoso. - Marcela pegou a sobrinha nos braços.

- Uhm pizza. - disse Rafaella vendo a caixa no balcão. Elas costumavam comer pizza apenas nos finais de semana, ou quando tinham algum motivo para comemorar.

- Não é aniversário de ninguém e muito menos final de semana. Qual é a comemoração?

Antes da mulher responder, passou Malu para o colo da mãe, pois a garotinha estava estendendo os braços para ir no colo dela.

- O meu chefe me pediu para conseguir uma secretaria para a filha dele. Eu, como uma boa amiga, indiquei você.

- Ai meu Deus, Ma. Você está brincando, né?

- Não senhorita, estou falando seríssimo. Você tem que comparecer amanhã para conversar com ela. - explicou pegando uma caixa de suco no armário.

- Isso é ótimo, amiga. Nem sei como agradecer.

- Nem precisa.

- Só tem uma coisa. - a loira torceu os lábios - Com quem deixarei Malu, assim de última hora?

As duas olharam para a menininha que brincava com os próprios dedos.

- Deixa que eu resolvo isso. Conheço alguém de extrema confiança, e que estará disponível - a mulher sorriu. 

- Gizelly. - as duas falaram juntas e começaram a rir.

🗼

Hellou! Sei que estamos apenas no início, mas acho que já da pra sentir a vibe neh?  Estão curtindo? 

DESTINOOnde histórias criam vida. Descubra agora