Bianca
-Acho que a Rafaella não foi com a minha cara. -Levi disse, do outro lado da linha e eu respirei fundo e fechei os olhos. Eu tinha certeza absoluta que Rafaella não gostava dele, e ainda tinha ciúmes, o que era algo bem pior. Abri os olhos novamente e encarei o trânsito pela janela do táxi, enquanto seguia para o Four Seasons.
-Mas que besteira, Levi! Por que acha isso? -Rebati, num tom inocente.
-Ela foi bem seca comigo no Starbucks. -Ele acrescentou.
-Ela estava bem estressada naquele dia. -Tentei suavizar a situação- Todo mundo acha que é fácil ser Rafaella Kalimann, mas ela tem que lidar com muita coisa, sabe?
-Mas eu sei disso e entendo. -Ele parecia bem ofendido.- Só achei que ela podia ter sido mais simpática.
-Ela é a Rafaella Kalimann, porra! -Rebati, brava.- Se ela quiser pisar em você, você tem que deixar porque ela é ela, tá me entendendo? -Ele começou a rir do outro lado da linha.
-E você deixa que ela pise em você? -Ele perguntou, dando risada.
-Ela não ousaria. -Disse, num sorriso um tanto quanto malicioso, que Levi não podia ver.
Se Rafaella somente tentasse pisar em mim, eu pisaria nela de volta e com salto agulha ainda por cima. Mas eu não conseguia visualizá-la fazendo tal coisa, a não ser se fosse numa tentativa de abordagem BDSM. Uma imagem de Rafaella nua e algemada na cabeceira da cama, com as pernas abertas veio à minha mente e eu mordi o lábio inferior involuntariamente. Meu Deus, que ideia maravilhosa! Eu nunca tentei nada BDSM com ninguém, mas era uma coisa que secretamente eu sempre quis fazer. A ideia de Rafaella algemada, sem poder fazer nada, me deixando com toda a ação, me deixava completamente excitada.
-E a noiva dela? -Ele perguntou me trazendo de volta a realidade.
-O que é que tem ela? -Perguntei, confusa.
-Ela pisa em você?
-Ela tenta, mas eu não deixo.
-Imaginei que não. -Eu podia ouvir um sorriso pelo tom de sua voz.- Você nunca foi o tipo de pessoa que gosta de se submeter, você sempre soube se impor. -Ele disse e eu acabei rindo.
Levi estava mais do que certo. Eu nunca fui mulher de abaixar a cabeça e acatar tudo o que me dizem, eu sempre levantava o queixo e peitava quem fosse, gostava de fazer tudo sozinha e do meu jeito e talvez fosse por isso que eu era tão boa no meu trabalho. Aquilo era uma tremenda qualidade, mas ao mesmo tempo, um dos meus maiores defeitos. Acabou me distanciando de Diogo e fez com que eu o perdesse, mas a verdade é que naquela época, eu amava o trabalho muito mais do que o meu namorado.
-Acho que esse é o mínimo pra mim. -Dei de ombros.
-Sempre te admirei por isso, Bianca. -Ele disse e eu arqueei as sobrancelhas.
Ok, aquilo era realmente uma surpresa. Eu esperava por tudo, menos por isso. Levi gostoso Mitchell me admirava por eu ser determinada e autossuficiente? O cara por quem eu sempre tive uma queda durante toda a minha adolescência? Ele me admirava e admirava o meu trabalho? Isso é muita coisa pro meu pequeno e frágil coração.
-Obrigada, Levi. -Foi tudo o que eu respondi, afinal, não podia dar muito na cara.
-Mas então, quando vamos nos ver?
-Como assim? -Perguntei aos risos.
O bom de estar com ele pelo telefone era que ele não podia ver o quão corada eu estava. Aquilo era tão estranho e fora do meu normal que eu queria que passasse logo. Eu não ficava corada por causa de homens ou coisa assim, mas Levi era diferente. Levi era o cara por quem eu sempre tive uma queda e vê-lo tentar algo comigo ou dar em cima de mim era mais do que embaraçoso.
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A Cerimonialista
Fiksi PenggemarRafaella Kalimann vai se casar. E quem melhor do que a família Andrade pra organizar o casamento? A tarefa de cerimonial passa a ser de Bianca Andrade e ela tem que planejar todos os detalhes do casamento perfeito de Rafaella Kalimann e Ivy Moraes...
