Bianca
Rafaella me ligou pelo menos uma vez por dia durante a semana toda. Eu sempre estava com o celular na mão quando ela ligava e sempre fazia questão de ignorar todas as chamadas. Eu não queria conversar com ela, muito menos ouvir sua voz.
Meu trabalho, que antes era algo maravilhoso, prazeroso e totalmente gratificante se tornou um verdadeiro inferno, um peso em minhas costas. Ivy gritava comigo pelo telefone todos os dias, umas cinco vezes ao dia, sempre dizendo que nada estava saindo do jeito que ela queria - ou ela pensava assim - e obviamente a culpa era toda minha. Tudo bem, a culpa realmente era minha, mas não precisava gritar comigo, ainda temos tempo o suficiente para arrumar as coisas que saíram erradas.
Naquela tarde de sexta feita, enquanto nos falávamos pelo telefone, eu senti que já estava no meu máximo. Eu estava cansada dos gritos, dos insultos, de tudo.
-Rafaella já escreveu os votos dela? Ela já comprou o vestido, né? Pelo amor de Deus, me diga que pelo menos pra ajeitar as coisas dela você está sendo útil. -Ivy reclamou pelo telefone e eu fechei os olhos com força, me segurando para não xingá-la.
Minha vontade era de gritar com aquela infeliz, falar tudo na cara dela, que a noiva dela esteve na minha cama, que ela era uma neurótica, doida. Aquele comportamento desenfreado dela passava de todos os meus limites, ela estava uma pilha de nervos e descontava absolutamente tudo em mim. Gritar comigo tudo bem, até aceito, mas me chamar de inútil já é outra coisa, a porra está ficando séria.
-Rafaella já comprou o vestido sim, Ivy. E não, ela ainda não escreveu os votos, mas e você, querida, já escreveu os seus? -Perguntei, segurando a rispidez na voz.
-Ainda não escrevi.
-Então não fique cobrando dela. -Rebati.- E se você acha mesmo que eu sou tão inútil assim, por que não me demite? Por que não pede outro cerimonial? Eu largo meu cargo sem problema algum. -Ivy ficou em silêncio por minutos incontáveis.
Eu simplesmente não acreditava que aquelas palavras haviam saído da minha boca, mas ao mesmo tempo, suspirava completamente aliviada por finalmente ter dito o que eu queria dizer há tempos.
-Me desculpe, Bianca... Eu só... Eu... Estou nervosa. -Ivy disse suspirando pesado e eu bufei, relaxando os ombros.
-Está tudo bem, Ivy, eu entendo o seu nervosismo, mas você precisa se acalmar. Ainda temos dois meses até o casamento, as coisas estão indo bem! Não perca a cabeça, Ivy.
-Eu não vou perder a cabeça, eu vou tentar, eu juro. -Ela disse.
-Tá, então você vai tomar um cházinho e nós conversamos outro dia.
-Tá bom. Mas, ah, Bianca, só mais uma coisa...
-O quê?
-Por que a Rafaella voltou pra Los Angeles?
A pergunta me pegou completamente de surpresa. Eu não tinha como responder aquilo, eu nem sabia que ela tinha saído de Nova York. Por que ela voltou pra Los Angeles? Será que ela tinha alguns compromissos na cidade da fama?
-Ela me disse que tinha alguns compromissos. -Menti.
-Ah sim, mas ela não disse o que era?
-Não, mas logo ela volta. -Menti mais uma vez.
-Tudo bem, então, vou ligar pra ela. Não se esquece que eu quero provar meu vestido na sua presença, mas não com ela e eu queria que você já fosse chamando as madrinhas e os pais dela pra prova das roupas, mas não se preocupe com isso por agora, ainda é cedo, né? Acho que um mês antes do casamento dá.
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A Cerimonialista
Fiksi PenggemarRafaella Kalimann vai se casar. E quem melhor do que a família Andrade pra organizar o casamento? A tarefa de cerimonial passa a ser de Bianca Andrade e ela tem que planejar todos os detalhes do casamento perfeito de Rafaella Kalimann e Ivy Moraes...
