Mismatch

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...

Jeffrey mira os lábios carnudos da loira, se inclinando cada vez mais em direção a eles. Sente seu coração bater mais forte e um certo nervosismo tomar seu corpo, o que era estranho, já que não era a primeira vez que beijaria uma garota.

Ellen permanece estática, mira os lábios finos do albino tão próximo aos seus, nem se quisesse se mexer conseguiria, seu corpo parecia não responder mais aos seus comandos. Milímetros separavam os dois amigos, quando:

- Jeff? Jeffrey??? – Uma voz masculina surge no corredor.

Ellen dá um salto para trás se afastando do moreno, enquanto o mesmo olha para a porta na qual surge à figura nada conveniente de seu padrasto.

O homem gordo chega à porta vendo Jeffrey e Ellen sentados na cama, em sua cabeça suja surgem milhares de pensamentos maldosos. O homem ri de lado olhando para o garoto.

- Desculpa, não pensei que estivesse acompanhando. – Riu maldoso. – Posso voltar outra hora. – Olhou para a loira que estava desconcertada.

- Não, eu já estava indo embora senhor Calvin. – Rapidamente Ellen se levantou e caminhou para a porta. – Espero que tenha aprendido o assunto Jeffrey e que se saia bem na prova. – Diz nervosa.

Ellen passa pelo velho homem, saindo corredor a fora, enquanto o mesmo acompanha a menina por inteiro.

- Uma gatinha. – Se vira para Jeffrey que lhe fecha a cara. – Já estava ficando preocupado com você, garoto. Só o via com aqueles dois marmanjos, com esse negócio de “banda”. – Gesticulou as aspas para o menino. – Não sei, depois que surgiu aquele tal de Freddie, boa parte dessas bandas me parecem meio afeminados, um bando de viadinhos. – Deu um riso debochado. – Mas agora fiquei mais alegre, e a loirinha aí é uma gatinha, foi esperto em trazê-la para cá, mas devia ter fechado a porta...

- O que quer Calvin? – O moreno o interrompeu bruscamente.

Isbell segurava a vontade de socar a cara do velho por insinuar tais coisas de Ellen.

O velho ficou sério pelo modo rude que o garoto sempre falava com ele, em sua cabeça achava que puxando um assunto mais de homens pudesse fazê-lo se aproximarem mais.

- Vim dizer para que não deixe suas tralhas espalhadas na garagem. – Reclamou.

Jeffrey apenas bufou dando de ombros, o ignorando por completo.

- Não sei onde sua mãe estava com a cabeça quando deixou você guardar aquele lixo de bateria na garagem, por mim, já tínhamos nos livrado daquilo há um bom tempo.

- Você não tem o direito, são minhas coisas e foi um presente da minha avó. – O garoto rebateu.

- Aquela merda não te levará a nada. Antes gastasse seu tempo aprendendo a mexer em carro em uma de minhas oficinas, trabalho de homem. – Isbell apenas rolou os olhos. – Mas tudo bem, sua mãe insiste que faça o quer. – O homem diz sem humor. – Mas quero guardar meu carro, então tire aquela merda da frente.

Isbell se levantou xingando e passando pelo velho com raiva.

- Na próxima Isbell, passo com meu carro por cima daquelas tralhas. – O velho ameaçou com raiva.

...

A noite o garoto encontrava-se em seu quarto. No andar de baixo uma briga feroz ecoava por toda a casa. Donna havia chegado e encontrado Calvin bêbado, de novo. O velho homem xingava e ofendia a mulher, reclamava da educação que dava a seu filho e dizia que o mesmo não o respeitava. Donna gritava com o velho que fedia a bebida e não ajudava nas coisas da casa. Isbell tentava se distrair da briga, não se envolver, das vezes que o fez as coisas quase saíram do controle e no final, sua mãe acabava por perdoar o babaca, então acabava por ignorar tais brigas.

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