Childish Issues, Youth Issues - Parte II

376 40 221
                                        


...

- E...llen???

Num movimento rápido a garota deu um pulo na cama sentando-se na mesma, virou-se para sua tia com os olhos arregalados.

- Tia Ayla? Você me chamou, tia? - Aguardou por qualquer outro som, ruído ou movimento que sua tia viesse a fazer. - Diz de novo, tia. Pode falar. - Pede.

Ayla nada diz, estava parada sentada na cama na mesma posição que Ellen havia deixado e a única atitude da mulher foi começar a embalar sua boneca que carregava em seu colo.

- Eu sei que você falou, tia. Eu ouvi. - Afirma. - Tenta novamente, tenta. - Segura na mão da mulher que apenas para momentaneamente seu embalo. Ellen aguarda ansiosa que ela demonstrasse mais um sinal, no entanto, a mulher novamente torna a embalar sua boneca.

Mesmo sem qualquer outro sinal a loira desce as escadas eufórica, sabia o que tinha ouvido e isso alimentava sua esperança que sua tia poderia vir a ficar boa.

- Mãe, mãe...mãaaaaeeee. - Grita desesperada até chegar ao último degrau.

- O que foi menina? O que aconteceu? - Mary corre aflita até a filha. - Quer me matar de susto, Ellen? - Diz assim que confere que sua filha estava "inteira".

- A tia Ayla, a tia Ayla... - Repetia sem parar.

- O que tem ela? - Mary a olha assustada.

- Ela falou, disse meu nome. - Conta. - Temos que levá-la ao médico. Ele precisa vê-la.

Mary para atônita, surpresa com a tal revelação. Sobe as escadas imediatamente até o encontro da irmã. Ao chegar no quarto de Ellen, encontra Ayla na situação de sempre, inerte e agarrada a velha boneca.

- Ayla? - Mary chama sem resposta.

- Que brincadeira é essa, Ellen? - A mulher se vira séria para filha.

- Eu não estou brincando, ela falou...chamou meu nome...eu ouvi. - Ellen explica.

- Você viu ela falando contigo? Ele fez algum movimento ou alguma outra coisa?

- Bem, eu estava olhando para o outro lado. - Murmura. - Mas eu ouvi, ouvi ela me chamar, ouvir a voz dela. - Enfatiza.

- Ah Ellen. - Mary solta o ar em desalento.

- É sério mamãe, ela me chamou....vamos levá-la ao médico.

- Talvez você tenha ouvido outra coisa...o barulho da tv, um som de carro passando lá fora, não sei.

- Eu conheço a voz da titia, mãe.

- Pode ter imaginado. Eu sei que tem muita vontade de vê-la bem e recuperada, Ellen. E talvez sua mente tenha pregado uma peça e você tenha ...

- Eu sei o que ouvi...não foi imaginação, ela falou. - Reafirmou com o tom elevado. - Vamos, temos que levá-la ao médico, ele pode examiná-la e talvez ...

- Eu não vou levá-la ao médico por uma bobagem dessas, Ellen. Está claro que a sua vontade de vê-la bem fez você ter essa ...digamos...sensação de tê-la ouvido.

- Por que não acredita em mim? Vamos levá-la, não custa nada... - A loira insiste.

- Ah custa sim, e se não sabe, custa muito. Um psiquiatra está os olhos da cara nessa cidade. Deixemos para a consulta que ela fará no próximo mês, não vou gastar dinheiro com uma bobagem dessas para no final o médico dizer a mesma coisa: que provavelmente você imaginou essa situação. - A mulher dar as costas pronta para sair do quarto da filha.

- Eu não acredito que você está negando dinheiro para cuidar da saúde dela? - Ellen olha revoltada para a mãe.

- Não estou negando, apenas sei que não dará em nada. - Diz convicta.

Words Onde histórias criam vida. Descubra agora