Inverno 1975 (aos 12 anos)
...
- Mãe! Mãeeee!!! - A garota grita desesperada fazendo Mary subir às pressas para seu quarto.
A senhora adentra aflita o quarto da garota, enquanto Ellen a chamava sem parar. Ao entrar, depara-se com sua filha desesperada enrolada em uma toalha junto à porta do banheiro com os olhos cheios de lágrima.
- O que aconteceu, Ellen? - Mary pergunta extenuada.
- Temos que ir para o médico. - Ela responde trêmula. - Acho que vou morrer. - Diz.
A senhora fica ainda mais apreensiva. Não conseguia ver nada de anormal na menina, nenhum machucado aparente.
- Por quê? Você está passando mal? Sente alguma dor? - Fica ainda mais preocupada e temerosa.
- Eu...eu...estou sangrando. - Olha para baixo.
Ao se dar conta do que realmente estava acontecendo Mary dá um suspiro de alívio e ao mesmo tempo de pesar.
- Calma Ellen, você não está morrendo. Sente aqui. - A mulher chama a garota até a cama.
Ela caminha lentamente até sua mãe e faz exatamente como pedido, senta-se na cama junto a ela, com a face ainda assustada e amedrontada.
- Eu não esperava que isso fosse acontecer tão cedo, comigo foi apenas aos 14 anos. - A mulher reflete consigo mesma dando mais um suspiro de culpa por não ter conversando antes com sua filha.
A garota ainda confusa não entendia o que sua mãe quis dizer com aquilo.
- Ellen, preciso te contar uma coisa. Uma coisa pela qual todas as garotas passam e que é completamente normal.
- O que? - A menina a fita impaciente.
Mary começou a explicar para Ellen tudo sobre menstruação. A garota prestava atenção em tudo, por vezes se surpreendendo e por vezes ficando confusa e com medo. Era novidade para ela, nem se quer imaginava que uma coisa dessas iria lhe acontecer.
- Então minha filha, é isso, a partir de agora você deixa de ser uma garotinha e passa a ser uma moça. Desculpe não ter te dito antes e ter lhe assustado. Está tudo bem?
- E se eu não quiser isso, mãe? - Ela indaga franzindo o cenho.
Mary apenas sorri.
- Minha querida isso faz parte do nosso corpo, mostra que você está crescendo, se preparando para se tornar uma mulher e que um dia poderá ter um bebê, mas isso já é outra conversa. Com o tempo você vai se acostumar.
A garota lhe lança um olhar de dúvida.
- O Jeffrey também irá...
- Oh não, não. Apenas as garotas passam por isso. - Mary sorri.
- Nada acontece com os garotos. - Ellen bufa chateada cruzando os braços.
- Venha, vou lhe mostrar como se usa um absorvente. - Sua mãe a chama levando até o banheiro.
Durante todo o dia a garota se sentiu estranha, desconfortável. Praticamente não quis sair do quarto.
Já era tarde quando ouviu batidas na porta de seu quarto. Ellen levantou-se da cama indo até a porta e assim que abriu revelou seu amigo.
- Ellen, quer ir andar de bicicleta? - Isbell indagou.
- Não. - A garota voltou para a cama deitando-se novamente.
- Então podemos ir jogar. - O amigo insistiu.
- Não quero!
- Está doente? Não saiu o dia inteiro e não quer fazer nada? - Perguntou.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Words
FanfictionDizem que ações valem mais que mil palavras. Mas será que valem mesmo? Talvez ás vezes, por maior que tenham sido suas ações, por maior que seja o sentimento, talvez ás vezes as palavras sejam mesmo necessárias. Infelizmente para alguns, lidar com...
